Circula nos bastidores do Senado a informação sobre uma movimentação de parlamentares para construir uma solução institucional para o Supremo Tribunal Federal (STF) em meio à crise.
O impeachment é descartado por articuladores, sob a justificativa de que “não adianta”. O que se sonda, no momento, é a elaboração de uma proposta para reformar o Judiciário. Ainda não há detalhes sobre a formatação final do texto.
Conforme O Brasilianista noticiou, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tem sido pressionado pela oposição para pautar o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes — medida descartada por ele para evitar a transferência da crise institucional diretamente ao Poder Legislativo.
O principal articulador desse movimento é o senador Carlos Viana (PSD-MG), que concedeu entrevistas coletivas informando que vem conversando com lideranças da oposição, na Câmara e no Senado, para definir quais ações o Legislativo deve adotar.
A única resposta formal da presidência do Senado até o momento foi o rebatimento ao pedido apresentado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
As associações entre os episódios recentes da crise do Banco Master, o STF, as investigações sobre o INSS e as pautas de impeachment ganham mais impulso na reta final antes do primeiro turno.
"Lula é Moraes, Moraes é Lula"
A oposição utilizou as mobilizações de 7 de Setembro para reforçar a narrativa de que a responsabilidade pela crise institucional e pelos desdobramentos dos relatórios da Polícia Federal sobre o caso Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro recai sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Lula fez um apelo público nas redes sociais pedindo a quebra do sigilo total de informações envolvendo agentes políticos da direita e da esquerda — "doa a quem doer" —, inclusive em relação a eventuais citações a seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, uma vez que as apurações derivam de fatos que tiveram início na CPMI do INSS.
A deputada federal Bia Kicis (PL-DF) e o deputado Gustavo Gayer (PL-GO) têm reiterado que o PL organizará uma bancada focada em remover ministros apontados por eles como autores de condutas arbitrárias, tendo Alexandre de Moraes como alvo central.
Ambos os congressistas disputam vagas no Senado e possuem forte atuação em bases de voto de opinião.
FORA LULA, FORA MORAES E VIVA BOLSONARO! 🇧🇷
— Bia Kicis (@Biakicis) September 7, 2026
📍Avenida Paulista - 7 de Setembro 2026 pic.twitter.com/2sWiKRMqlW
Em publicações recentes, Bia Kicis defendeu que Moraes não deve apenas enfrentar um processo de impeachment, mas também responder criminalmente por condutas que, segundo ela, configuram abuso de autoridade e perseguição política.
Fator Nikolas Ferreira
Paralelamente, deputados do PL articulam a produção de dossiês em vídeo para associar os apontamentos envolvendo o filho do presidente, a lobista Roberta Luchsinger e o escândalo do INSS à figura do chefe do Executivo. A base governista, até o momento, não estruturou uma estratégia de comunicação para conter o desgaste com eficiência.
O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) vem aplicando em suas redes sociais uma estratégia de comunicação semelhante à utilizada nos episódios da "MP das Blusinhas" e das discussões sobre o Pix, com o objetivo de atribuir ao governo federal a responsabilidade direta pelos casos.
Em vídeos curtos, com linguagem direta e duração aproximada de cinco minutos, Nikolas reconstrói a cronologia dos episódios que envolvem o filho do presidente, a lobista e os desdobramentos no INSS.
Dossiê Lulinha - EP 03: Maconha, ministério e uma lobista. pic.twitter.com/Lb0KxaCu9v
— Nikolas Ferreira (@nikolas_dm) September 8, 2026
Inquérito das Fake News
A oposição também direciona críticas ao Inquérito das Fake News, cuja condução passou recentemente para a presidência do STF após ter ficado sob a relatoria de Alexandre de Moraes.
A direção da Polícia Federal, sob o comando de Andrei Rodrigues, e o ministro Alexandre de Moraes tornaram-se alvos centrais de desgaste político.
A oposição sustenta que a estrutura do Estado estaria sendo utilizada para produzir desgastes contra Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e para fundamentar apurações contra parlamentares por supostas ameaças às instituições.
Retirar Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito das fakenews é o primeiro degrau de uma longa escada que precisa ser escala pelo STF para retomar a credibilidade desta importante instituição da República.
— Sóstenes Cavalcante (@DepSostenes) September 9, 2026
Aguardo com anseios e expectativas outras medidas do presidente do…
Entre os investigados nesses inquéritos estão os deputados Bia Kicis, Filipe Barros e Luiz Philippe de Orleans e Bragança.
A reação da base do governo
Até o momento, discute-se nos bastidores até onde o Palácio do Planalto consegue ter acesso às informações que envolvem o caso Dark Horse para atingir o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A estratégia de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não apresentou novos desdobramentos com base nas apurações sobre a produção do longa-metragem e a conduta da produtora.
Passado o período de negociações da pauta prioritária do Executivo, as bancadas aliadas na Câmara e no Senado parecem não reagir bem a esse novo foco de desgaste envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e as citações a Fábio Luís Lula da Silva, o "Lulinha".
A linha adotada pelo governo busca afirmar a soberania institucional e reforçar o papel do Palácio do Planalto como guardião da democracia.
Às vésperas do pleito, em agendas de campanha, o PT tem focado as críticas nos problemas da gestão anterior e ressaltado as ações de retomada do governo após a pandemia, abordando a ampliação de pautas sociais e o combate à fome sob o argumento de que a população "jamais esquece" quando um governo deixa de "cuidar do povo, de suas mulheres e de quem mais precisa".
Esse escândalo tem dono, tem rosto, tem DNA: Bolsonaro. pic.twitter.com/4zclWhZbV3
— José Guimarães (@joseguimaraesce) September 10, 2026
O deputado José Guimarães (PT-CE), tem utilizado suas redes sociais para destacar entregas recentes da gestão federal, como a sanção da proposta que alterou a taxação de compras internacionais e medidas direcionadas aos combustíveis.
Paralelamente, a senadora Teresa Leitão (PT-PE) utiliza suas manifestações públicas para enfatizar a defesa das instituições brasileiras, mantendo um tom de conciliação e preservação institucional.
Sobre as instituições brasileiras não podem pairar interesses eleitorais, pessoais ou de qualquer natureza. É fundamental garantir que toda divergência seja tratada nos limites da Constituição e com absoluto respeito às regras democráticas, às prerrogativas e à independência
— Teresa Leitão ⭐ Senadora (@teresaleitao_) September 8, 2026
No Ceará, o ministro da Educação, Camilo Santana (PT-CE), tem concentrado a atuação nas redes sociais no cenário político estadual. Ele integra a articulação de duas frentes eleitorais: a campanha do presidente Lula e a do governador Elmano de Freitas (PT), que disputa a reeleição.
Por sua vez, o líder do Governo no Congresso Nacional, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), manifestou-se no X para defender a continuidade das operações da Polícia Federal, afirmando que a corporação deve seguir seu trabalho de "investigar um banqueiro" sem interrupções.
Na linha de confronto direto, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) mantém a produção de conteúdos em vídeo para vincular o caso Dark Horse a Flávio Bolsonaro, destacando o prosseguimento das diligências ostensivas deflagradas nesta quinta-feira (10), que incluíram mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao deputado federal Mário Frias (PL-SP). e à produtora Karina da Gama.
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