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Economia

Mais liquidados no Caso Master

Banco Central encerrou as atividades de Trustee e Banvox, instituições controladas por Maurício Quadrado e citadas em apurações que alcançaram o Banco Master

Trustee Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários e da Banvox Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários
Trustee e Banvox representavam juntas menos de 0,001% dos ativos do Sistema Financeiro Nacional Foto: reprodução

O Banco Central decretou nesta quinta-feira (03) a liquidação extrajudicial da Trustee Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários e da Banvox Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, duas instituições ligadas a Maurício Quadrado, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master.

Segundo a autoridade monetária, a medida foi tomada após a identificação de “graves violações às normas legais” que disciplinam o funcionamento das instituições financeiras.

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Com a decisão, os bens dos controladores e ex-administradores das duas empresas ficaram indisponíveis.

As duas distribuidoras integravam o mesmo conglomerado prudencial, liderado pela Trustee, e eram consideradas pequenas dentro do Sistema Financeiro Nacional.

Em julho, juntas representavam menos de 0,001% do ativo total ajustado do sistema e 0,76% do volume de recursos de terceiros administrados.

A nova decisão amplia a lista de empresas que acabaram liquidadas após aparecerem nas diferentes frentes de investigação relacionadas ao Banco Master.

Quem é Quadrado

Maurício Quadrado foi sócio do Banco Master entre setembro de 2020 e setembro de 2024 e comandou a área de investimentos da instituição durante parte desse período.

Depois do rompimento com Vorcaro, assumiu o controle da Trustee, que já prestava serviços financeiros ao Master.

Quadrado controla a instituição desde 2022 e aparece em diferentes investigações envolvendo fundos, movimentações financeiras e negócios realizados no período em que ainda mantinha relação com o banco.

A Trustee também foi utilizada em negócios envolvendo o empresário Nelson Tanure.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e outras autoridades passaram a analisar operações realizadas por fundos administrados pela distribuidora, incluindo negociações com ações de empresas como Ambipar e Gafisa.

Quadrado afirma que suas operações sempre ocorreram dentro da legislação.

Ligação com Master

A Trustee aparece em diferentes estruturas financeiras que passaram pelo radar dos investigadores do Caso Master.

Fundos administrados pela instituição receberam ou movimentaram ativos ligados ao banco e a outros personagens investigados. Um deles é o Albali, apontado em documentos e investigações como ligado a Quadrado.

O liquidante do Master afirmou em ação judicial que, apenas em 2024, o banco transferiu R$ 230 milhões ao Albali sem uma contrapartida aparente. A defesa de Quadrado contestou a existência de desvios em benefício do empresário.

O fundo também apareceu em outras operações. Uma delas envolveu a aquisição do hotel Fasano Itaim, em São Paulo, e outra um investimento de aproximadamente R$ 10 milhões em uma empresa que posteriormente entrou no radar da CPI do INSS.

Banvox também

A Banvox integra o mesmo conglomerado de Quadrado e também aparece em estruturas financeiras relacionadas ao universo do Master.

Fundos que anteriormente estavam sob administração da Reag migraram para Trustee e Banvox durante a reorganização de ativos que ocorreu em meio às investigações.

Entre eles estavam estruturas com ativos imobiliários que já haviam passado pelas apurações envolvendo o banco de Vorcaro.

A Banvox afirmou anteriormente que não possui relação societária com investigados e que interrompeu operações de fundos sob suspeita ainda em 2024, além de colaborar com as autoridades.

Carbono Oculto

Trustee e Banvox também foram citadas na Operação Carbono Oculto, investigação diferente da Compliance Zero que apura a infiltração do crime organizado no mercado formal por meio de empresas do setor de combustíveis, fintechs e fundos de investimento.

A operação investiga suspeitas de lavagem de dinheiro relacionada ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Fundos com ativos que anteriormente estavam na Reag foram transferidos para instituições ligadas a Quadrado durante esse período.

Sem efeito no FGC

A liquidação de Trustee e Banvox não produzirá impacto sobre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Diferentemente de bancos que captam depósitos protegidos pela garantia, as duas instituições atuavam principalmente na distribuição de títulos e administração de recursos.

O pequeno tamanho das empresas também reduz o risco de efeitos sistêmicos. As duas pertenciam ao segmento S4 da regulação prudencial, destinado a instituições de menor porte.

O que acontece agora

Na liquidação extrajudicial, o Banco Central retira os administradores do comando e nomeia um liquidante para levantar ativos, dívidas, contratos e responsabilidades.

Os bens dos controladores e antigos administradores ficam indisponíveis enquanto são apuradas eventuais responsabilidades relacionadas à quebra das instituições.

O BC informou que continuará investigando as circunstâncias que levaram à medida.

As conclusões poderão resultar em sanções administrativas e comunicação a outras autoridades, caso sejam identificadas irregularidades que extrapolem a competência da autoridade monetária.

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