Política

Dark Horse: Mendonça homologa delação de empresário que pode atingir a campanha de Flávio Bolsonaro

Na segunda fase da Operação Compliance Zero, empresa de Carlos Freire é apontada como intermediadora do fluxo financeiro do Master para o fundo Havengate

Dark Horse: Mendonça homologa delação de empresário que pode atingir a campanha de Flávio Bolsonaro
Empresário comandava a instituição financeira EntrePay, liquidada pelo Banco Central. Reprodução/Redes sociais @grupoentre

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), aceitou nesta quarta-feira (9) o pedido de delação premiada de Antônio Carlos Freire Júnior, dono da Entre Investimentos. As informações foram divulgadas pelo Poder360.

A medida representa um avanço significativo nas investigações sobre o caso. Em seu depoimento, o empresário afirmou que repassou recursos oriundos de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

Conforme O Brasilianista noticiou, o operador deixava parte do montante em malas e, segundo as orientações de Vorcaro, entregava o dinheiro em espécie aos destinatários indicados.

Sua função principal consistia em captar operadores financeiros para disponibilizar grandes quantias em moeda corrente. Em contrapartida, os envolvidos cobravam uma taxa de cerca de 4% por operação.

A expectativa dos investigadores é que, com a homologação do acordo, seja esclarecida a engenharia financeira utilizada para destinar verbas à produção do filme e identificada a real finalidade dos recursos — se aplicados exclusivamente na obra cinematográfica ou no custeio do ex-deputado Eduardo Bolsonaro.

O "Mineiro"

Apelidado nas conversas interceptadas de Vorcaro como "Mineiro" ou "Minas", Freire comandava a instituição financeira EntrePay, que sofreu liquidação extrajudicial pelo Banco Central. Em diálogos entre o ex-banqueiro e Fabiano Zettel, o empresário é citado reiteradamente na organização do fluxo de pagamentos.

De acordo com reportagem doThe Intercept, Vorcaro destinou US$ 2 milhões (cerca de R$ 10,34 milhões) para a Entre Investimentos, montante que seria posteriormente repassado ao Fundo Havengate.

A Polícia Federal aponta que a Entre Investimentos atuou diretamente como intermediária dos repasses do ex-banqueiro para a produtora, a Go Up Entertainment.

"Página Virada"

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) declarou recentemente que o episódio é uma "página virada" e sustentou que a imprensa foi responsável por vazar a auditoria privada das gravações. Nem o parlamentar nem o coordenador de sua campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN), prestaram esclarecimentos detalhados sobre o uso dos valores.

Para a produção do filme,que retrata a trajetória política de Jair Messias Bolsonaro, o senador teria solicitado a Vorcaro US$ 24 milhões, dos quais US$ 10,6 milhões (aproximadamente R$ 61 milhões) foram efetivamente desembolsados pelo empresário.

A destinação exata do Fundo Havengate segue sob apuração. Um laudo do Instituto de Perícia Investigativa (IPI) que detalha o custo total de produção do longa em US$ 13,4 milhões foi anexado aos autos do inquérito.

Produtora Go Up

A responsável pela produtora Go Up Entertainment no Brasil é Karina Ferreira Gama, empresária investigada pela Polícia Civil de São Paulo por suspeita de fraude em licitação para fornecimento de Wi-Fi gratuito em periferias.

Paralelamente, Karina é presidente do Instituto Conhecer Brasil (ICB). Ambas as organizações — a produtora cinematográfica e a ONG — compartilham o mesmo endereço comercial em São Paulo. O contrato sob suspeita com a Prefeitura paulistana previa a instalação de 5 mil pontos de internet, somando R$ 108 milhões.

As investigações buscam entender se o contrato municipal sofreu superfaturamento e se parte dessa verba foi desviada para a estrutura do filme.

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