O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reclamou na quinta-feira (20) sobre um possível vazamento da perícia particular sobre os custos de produção do filme Dark Horse, que conta a história de Jair Bolsonaro.
O documento da defesa da Go Up Entertainment, produtora do Dark Horse, foi incluído na investigação da Polícia Federal (PF) após o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizar o acesso aos inquéritos da Polícia Civil de São Paulo, que iniciou uma apuração relacionada à Go Up em junho deste ano (leia mais detalhes abaixo).
A perícia particular foi contratada pela equipe de Flávio para tentar comprovar a origem “exclusivamente privada dos recursos”. A investigação começou após a divulgação de áudios em que Flávio pede R$ 134 milhões para a produção do Dark Horse a Daniel Vorcaro.
Antes do pedido do senador, Vorcaro já havia pago R$ 61 milhões entre fevereiro e maio de 2025. O dinheiro foi repassado à Entre Investimentos e Participações, empresa de consultoria e intermediação financeira que é investigada por transferências consideradas suspeitos.
Após o vazamento do áudio, Flávio negou ter proximidade com Vorcaro. Porém, dias depois — e com o aumento da pressão política sobre o caso—, o senador afirmou que explicaria a situação e solicitou esclarecimentos à Go Up Entertainment e da Up Tone Pictures.
O Brasilianista noticiou em julho que o senador não cumpriu a promessa de explicar os gastos com a produção do filme em até 30 dias.
Desviando o foco

Desde o início da pré-campanha, Flávio não se manifestou detalhadamente sobre a análise feita pelo Instituto de Perícia Investigativa (IPI).
Na segunda (24), durante uma agenda na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o candidato a presidente disse que será a produtora do Dark Horse, não ele, a responsável por prestar contas sobre o financiamento do filme.
O senador também aproveitou o tema para atacar o presidente Lula e tentar tirar o foco das cobranças sobre ele:
“A prestação de contas foi feita dentro da investigação que está acontecendo em São Paulo. Da minha parte, quem tem que prestar contas não sou eu, é o Lula, porque ele está fazendo reunião escondidinha, enquanto presidente da República, com Augusto Lima e Vorcaro”, disse o pré-candidato do PL.
As falas foram proferidas pelo senador logo após o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizar a PF a acessar a investigação da Polícia Civil de São Paulo sobre o fundo privado que custeia o Dark Horse.
A perícia
A perícia particular, à qual O Brasilianista teve acesso, informa que o custo da produtora foi de US$ 13,4 milhões, sendo que US$ 9,6 milhões foram gastos nos EUA e US$ 3,7 milhões no Brasil.
Segundo Castelo Branco, o fundo Havengate custeou, se não integralmente o filme, fez algo “muito próximo disso”. O aporte principal do Havengate Development Fund LP, fundo ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro, foi feito em fevereiro de 2025.
O fundo de financiamento custeia o filme com dinheiro de investidores que esperam retorno de 20% — ou seja, R$ 1,20 para cada R$ 1 aportado no Dark Horse.
O laudo pericial detalha ainda que o filme pertence à empresa norte-americana Go Up Entertainment LLC e que a companhia brasileira Go Up Entertainment Ltda. apenas prestou serviços de apoio à produção.
Também foi analisado se houve indício de dinheiro público na produção, como o uso de benefícios fiscais da Lei Rouanet e contratos entre o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Prefeitura de São Paulo.
A perícia concluiu que não houve transferência desses recursos para o filme. Castelo Branco diz que suas conclusões partiram de informações rastreáveis e com registro no Banco Central.
A entrevista do presidente
Em entrevista ao jornalista Paulo Motoryn, o professor Castelo Branco, presidente do IPI e responsável pelo laudo, disse ter provas de que todo o dinheiro recebido pelo fundo ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro foi enviado para a produtora.
Porém, os comprovantes não foram apresentados por Castelo Branco sob a justificativa de proteção ao sigilo bancário do fornecedor; o mesmo valeu para os registros de transferências feitas entre o fundo Havengate e a Go Up.
A Go Up e o ICB
A responsável pela Go Up, Karina Ferreira de Gama, passou a ser investigada pela Polícia Civil em junho deste ano após uma denúncia envolvendo um contrato com a Prefeitura de São Paulo.
O contrato de R$ 108 milhões, que prevê a instalação de 5 mil pontos de wi-fi público, foi firmado entre a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia e o Instituto Conhecer Brasil.
O ICB funciona no mesmo prédio da Go Up e tem entre os sócios Alex Leandro Bispo dos Santos, apontado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC)
A Polícia Civil de São Paulo investiga se houve superfaturamento no contrato para instalação de wi-fi público e direcionamento na licitação, devido à falta de empresas concorrendo à licitação.
A Prefeitura notificou o ICB em julho deste ano e convocou Karina Gama para explicar gastos sem notas fiscais ou descrição dos serviços prestados. O caso segue em investigação, e os envolvidos negam ter cometido irregularidades.
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