Senadores e deputados da oposição concentraram esforços nesta semana para apresentar um novo pedido de impeachment direcionado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
A bancada oposicionista vem pressionando o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a tomar uma posição sobre as denúncias envolvendo o ministro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A liderança do Partido Liberal (PL) na Oposição organizou um requerimento de impeachment que já reúne cerca de 80 assinaturas.
A ofensiva ocorre em meio a revelações da Operação Compliance Zero sobre trocas de mensagens entre Vorcaro e Moraes. As informações indicam que o ex-banqueiro teria solicitado ao ministro que atuasse junto ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues.
Coletiva
O senador Carlos Viana (PSD-MG) concedeu uma coletiva de imprensa nesta quarta-feira (2) para reforçar a cobrança do grupo.
Na terça-feira (1), o parlamentar já havia afirmado que o ministro deveria ser afastado do cargo.
Além disso, a oposição apresentou uma notícia-crime contra Moraes e Andrei Rodrigues devido às mensagens divulgadas.
Prazo para Alcolumbre
O senador Carlos Viana afirmou que aguarda até esta quinta-feira (3) uma resposta de Davi Alcolumbre sobre o andamento da solicitação. Segundo Viana, o presidente do Senado havia sinalizado que se reuniria com líderes partidários para debater os requerimentos acumulados.
A deputada federal Adriana Ventura (Novo-SP) relatou que, em passagem pelo Plenário do Senado na terça-feira, fez um apelo direto a Alcolumbre cobrando um posicionamento oficial da Casa.
Paralelamente, o senador Carlos Portinho (PL-RJ) e o deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) também falaram à imprensa para reforçar a mobilização da oposição, afirmando que a omissão do comando do Senado passaria uma imagem negativa de omissão institucional.
Na terça-feira, ao deixar o Senado, Alcolumbre minimizou a pressão ao ser questionado sobre o volume de requerimentos na Casa.
“A decisão é que tem 109 pedidos. Eu não achei nada. Não devo achar nada [sobre a troca de mensagens que envolve Moraes]. Isso não é normal: 109 pedidos de impeachment direcionados aos ministros do STF”, declarou Alcolumbre.
Atualmente, somam-se aproximadamente 55 pedidos de impeachment apresentados especificamente contra o ministro Alexandre de Moraes.
O teto de Alcolumbre
Nos bastidores, contudo, a avaliação é de que não há clima político no Senado para viabilizar a votação de um processo de impeachment contra Moraes ou qualquer outro integrante da Suprema Corte.
Ao mesmo tempo, Alcolumbre busca manter o alinhamento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Embora esteja de olho na governabilidade e na articulação política da Casa, a manutenção de sua influência no Senado depende da sustentação junto à base governista e a senadores de centro.
Por outro lado, o PL busca usar a pauta como plataforma para ampliar sua bancada na próxima legislatura. A orientação a pré-candidatos do partido tem sido o compromisso explícito com o avanço de pedidos de impeachment contra ministros para conter eventuais excessos do Judiciário.
Conforme noticiou O Brasilianista, Lula e Alcolumbre retomaram o diálogo e voltaram a alinhar pautas de interesse do Executivo, como a PEC da Segurança Pública, matérias na CCJ e a Medida Provisória sobre compras internacionais, após meses de distanciamento provocado por divergências em torno de indicações para o Supremo. Inclusive, vale recordar que o jantar foi mediado pelo próprio ministro Alexandre de Moraes.
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