Política

Como a crise no STF reverbera no Senado?

Oposição apresenta representação contra Alcolumbre no Conselho de Ética em meio a novas revelações sobre Alexandre de Moraes e Andrei Rodrigues

Como a crise no STF reverbera no Senado?
A pressão sobre o presidente do Senado se intensificou durante a semana de esforço concentrado Saulo Cruz / Agência Senado

A crise institucional no Supremo Tribunal Federal (STF) respinga diretamente no Senado, que está sob a gestão de Davi Alcolumbre (União-AP).

As articulações sobre o impeachment do ministro Alexandre de Moraes vieram à tona durante a segunda semana de esforço concentrado, quando os senadores Carlos Viana (PSD-MG) e Carlos Portinho (PL-RJ) aumentaram a pressão para organizar pedidos de impeachment contra o ministro do Supremo e exigir o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Esse pedido, no entanto, deve ficar engavetado, o que desagrada a oposição em meio ao escândalo envolvendo trocas de mensagens e suspeitas de favorecimento ligadas ao ministro da Suprema Corte.

Pressão sobre Alcolumbre

Os senadores são pressionados a se manifestar, especialmente no Senado, a quem cabe a prerrogativa constitucional de pautar processos de impeachment contra ministros do STF.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou a cobrar publicamente o presidente da Casa. Em resposta, Alcolumbre lembrou o parlamentar sobre a solicitação de R$ 130 milhões feita ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para a produção do filme Dark Horse.

Há um desenho provável para esse impasse em meio à pressão: o Senado só deve retomar o ritmo normal de atividades após o primeiro turno, com sessões deliberativas previstas para a semana de 5 de outubro de 2026.

Alcolumbre tem adotado uma postura de moderação, sinalizando que deve segurar os pedidos de impeachment contra ministros até a conclusão do processo eleitoral.

O presidente do Senado não tem elevado o tom contra o STF nos últimos dias e, inclusive, esteve em uma reunião organizada por Alexandre de Moraes com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Eles não firmavam acordos ou discutiam pautas prioritárias há algumas semanas, impasse ocasionado pelos desdobramentos da rejeição do nome de Jorge Messias.

Alcolumbre busca evitar que o Senado seja tragado para o confronto institucional — estratégia explorada por políticos do Partido Liberal (PL) na campanha e durante as manifestações do feriado de 7 de Setembro

Um fator que contribuiu para arrefecer a pressão entre os parlamentares foi a avaliação de que um pedido de impeachment contra Moraes só avançaria se o nome do ministro André Mendonça também fosse incluído na pauta, caso Alcolumbre decida dar andamento às solicitações.

Alcolumbre no Conselho de Ética

O senador Carlos Viana organizou, durante a segunda semana do esforço concentrado, coletivas para anunciar medidas pelo impeachment de Moraes e pelo afastamento do diretor-geral da PF (Foto: Lula Marques/Agência Brasil).

Carlos Viana afirmou que pretendia se reunir com Alcolumbre para tratar do pedido de impeachment e que aguardava uma posição oficial.

Além da abertura do processo, Viana protocolou um requerimento para que o ministro e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, prestem esclarecimentos ao Senado.

Viana anunciou ainda que formalizou uma petição ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado solicitando a abertura de uma representação contra Alcolumbre por omissão ao não pautar os pedidos apresentados pela oposição.

Ocorre que o Conselho de Ética do Senado está inativo desde 2024, ano em que realizou apenas uma reunião. Em 2025, o colegiado seguiu sem pautar sessões. A instalação oficial da comissão ocorreu em março de 2023.

Por outro lado, a base do governo protocolou no Conselho de Ética uma representação contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), motivada por suas declarações sobre o financiamento do filme Dark Horse e o uso do fundo Havengate. Ambas as petições não devem ser apreciadas antes das eleições.

A crise na PF

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, chegou a ser afastado após uma decisão monocrática do ministro André Mendonça, posteriormente referendada pela Segunda Turma nesta terça-feira (9).

No mesmo dia, o ministro Gilmar Mendes pediu vista, argumentando que a decisão não fixava prazo para análise e interferia no período eleitoral a partir de um pedido apresentado por um partido político — no caso, o Novo —, que buscava afastar Rodrigues do comando da instituição.

Gilmar ressaltou em seu despacho que a competência para essa análise cabe ao Plenário do Supremo, em data a ser agendada.

Na quarta-feira (9), o ministro Flávio Dino determinou a recondução de Andrei Rodrigues ao cargo. Mendonça havia pedido o afastamento sob a acusação de monitoramento ilegal dirigido a ele próprio e ao advogado-geral da União, Jorge Messias.

O desgaste entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes se ampliou após a divulgação de trocas de mensagens entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Como o caso tramitava sob sigilo na Polícia Federal, Mendonça, relator do processo do Banco Master, determinou a derrubada do sigilo do relatório.

Diante do cenário, Moraes acionou o presidente do STF, Edson Fachin, pedindo a abertura de investigação contra André Mendonça por suposto abuso de autoridade e crime de responsabilidade.

Paralelamente, a seccional do Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/DF) instaurou um processo ético-disciplinar contra o escritório Barci de Moraes. 

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