O rompimento do PL com Ibaneis Rocha (MDB) na capital federal já era previsto dentro do partido, segundo deputados distritais ouvidos por O Brasilianista. As investigações envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB) deram ao partido a desculpa para abandonar o governador do Distrito Federal (DF).
A ordem para o rompimento partiu do ex-presidente Jair Bolsonaro, e foi cumprida por Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, que serão candidatas ao Senado pelo DF, assim como Ibaneis. O PL deverá apoiar nas eleições deste ano a vice-governadora da capital federal, Celina Leão (PP).
A campanha de Ibaneis Rocha ao Senado tem sido colocada em xeque há semanas, justamente por causa das implicações do Caso Master sobre o BRB, que tem entre os sócios o governo do DF. Além de abandonar Ibaneis, o PL propôs a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF).
O PL quer investigar como foi a relação do BRB e do governo do DF com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Deputados distritais da oposição a Ibaneis afirmaram que têm conversado com representantes do partido na CLDF para avançar com os pedidos de impeachment apresentados contra o governador.
“Nos próximos dias, com mais notícias saindo, pode ficar insustentável pra base do governo segurar o andamento dos processos de impeachment”, afirmou um deputado distrital.
O Brasilianista já mostrou que o presidente da CLDF, Wellington Luiz (MDB), tem barrado o impeachment de Ibaneis. Luiz, que é aliado e correligionário de partido do governador, disse aos autores dos pedidos de afastamento que nada fará até que a procuradoria da Casa analise os três processos.
Rombo bilionário

A relação do BRB e do Master se baseou na compra de ativos podres pelo banco público para garantir a liquidez da instituição financeira de Vorcaro. As operações obrigaram o Banco de Brasília a se reestruturar por meio de aporte de capital e de revisão de suas operações, além da venda de imóveis e terrenos pelo governo do DF.
O movimento de capitalização do BRB ocorre em um cenário onde o rombo com o Banco Master pode chegar a R$ 30 bilhões. A validação de um aporte no BRB pela Câmara Legislativa do DF permite a tomada de até R$ 6,6 bilhões em empréstimos.
O Brasilianista permanece aberto para receber manifestações, posicionamentos ou esclarecimentos de todos os citados nesta reportagem. Caso queiram se pronunciar sobre o tema, os canais da redação estão à disposição.

