Hugo Motta e Davi Alcolumbre retomam a agenda de diálogo e inclusão de propostas que interessam ao governo Lula praticamente na última semana de esforço dos parlamentares, antes de retornarem às suas bases para focar na campanha eleitoral.
Agora, os políticos tentam conciliar agendas conjuntas em meio aos convites, como a visita, no Amapá, ao navio-sonda da Petrobras, com Alcolumbre, e a viagem ao Parque Tecnológico de Macaíba, com o presidente Motta. Essas novas agendas ocorreram após meses de desgaste.
As pautas destravaram. Entre elas, cabe destacar os pedidos do presidente para destravar a PEC 6x1, que põe fim à escala de 44 horas semanais, além da proposta de Segurança Pública.
Outro trunfo é a votação da Medida Provisória que põe fim à taxa de 50 dólares sobre as compras internacionais — e que tem a sinalização de que deve ser aprovada sem dificuldade.
Antes, não havia sinalizações de que essas propostas seriam retomadas, inclusive após mais de 90 dias sem diálogo entre Executivo e Legislativo desde a reprovação do seu indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF), Jorge Messias.
Embora as propostas que viraram bandeiras do governo não avancem em regime de urgência, Lula conseguiu pautá-las na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, onde devem ser analisadas antes de seguirem para o Plenário do Senado e a promulgação.
Lula apoia
O apelo de popularidade de Lula, na terra do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), é superior ao do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Na última pesquisa do Real Time Big Data na Paraíba, o petista aparece com 55% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 26%.
Motta, que disputa a reeleição, depende de melhorar a sua imagem. O candidato perdeu popularidade em meio às campanhas promovidas pelos próprios petistas, como a "Congresso Inimigo do Povo", dirigida ao presidente por pautas como a taxação dos super-ricos, o combate ao feminicídio e o fim da jornada 6×1.
Motta impopular

Pressão em sessão do Plenário para pautar anistia de Bolsonaro promoveu desgaste sobre a forma como Motta conduz os trabalhos (Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados)
Além disso, Motta foi pressionado por deputados da oposição, o que colocou em dúvida a sua capacidade de comando interno.
Deputados da oposição, como Marcel Van Hattem (Novo-RS) e Zé Trovão (PL-SC), ocuparam a mesa diretora, impedindo o andamento da sessão, por causa da decisão do Supremo Tribunal Federal que determinou a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro. A ocupação, que durou 30 horas, tinha o intuito de pressionar a pauta para emplacar a anistia de Jair Bolsonaro, mas não teve sucesso.
Além da suspensão de mandatos por causa do motim, Motta não conseguiu construir consenso em pautas de reformas estruturais que havia tentado emplacar, como a reforma administrativa.
Motta, então, precisaria trabalhar por uma maioria, com o apoio de deputados da base do governo, para a sua reeleição interna no Congresso.
Além de se aproximar de Lula para conseguir a sua reeleição e eventual continuidade no comando da Câmara dos Deputados, Motta quer viabilizar a campanha do seu pai, Nabor Wanderley (Republicanos), que disputa o Senado e aparece em terceiro lugar, com 15%.
O plano de reaproximação também envolve o aceno de Lula à campanha de Nabor em contrapartida após Motta retomar as agendas com o presidente.
Wanderley enfrenta uma eleição acirrada entre outros dois candidatos: Veneziano Vital do Rêgo (MDB), com 23%, e João Azevêdo (PSB), que lidera com 29% das intenções de voto, de acordo com o Real Time Big Data.
Alcolumbre e o comando do Senado

Alcolumbre ficou mais de 90 dias sem falar com Lula após a reprovação, pelos senadores, da indicação de Jorge Messias ao STF (Foto: Andressa Anholete/Agência Senado)
Davi Alcolumbre passou pelo mesmo tipo de desgaste no comando do Senado, enquanto as pautas de interesse de Lula seguiam travadas.
Os embates não se limitaram apenas às redes sociais. O senador foi alvo do líder do PT na Câmara, o deputado federal Pedro Uczai (PT-SC), que chegou a declarar que Alcolumbre era um “inimigo do trabalhador” ao não querer pautar a PEC 6x1.
Alcolumbre rebateu, dizendo que “a definição da pauta e da tramitação das matérias é prerrogativa constitucional da Presidência e não se submete a ultimatos ou pressões político-eleitorais”.
O presidente do Senado não vai para a campanha para renovar o mandato, mas busca também a continuidade no comando do Senado.
O desafio para ambos os líderes é saber qual será a próxima composição do Senado, em especial os partidos que vão ganhar mais cadeiras. A disputa, que fica sempre focada entre União Brasil, PSD, Republicanos e o PL, que tende a crescer, coloca em risco o cálculo sobre quem continuará na presidência da Casa.
Siga O Brasilianista!


