Viagens, festas, bolsas e joias de luxo, e até mesmo uso de serviços de ponta fazem parte da rotina luxuosa da lobista Roberta Luchsinger.
Investigada por suas relações com envolvidos na Operação Sem Desconto, que apura as fraudes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ela voltou à mira da Polícia Federal (PF) após as autoridades interceptarem mensagens que comprovam vínculo com o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, para “abrir portas” no governo federal em favor de negócios ligados ao Careca do INSS.
O Brasilianista mostrou como Lulinha mantinha conversas com sua amiga sobre fazer negócios e de atuar em lobby junto ao núcleo duro do gabinete do presidente Lula. A mulher é suspeita de tráfico de influência. Em uma conversa que aconteceu em março de 2024, eles expressaram vontade de levar os negócios à Suíça. A ligação dela com o país europeu é de sangue: seu avô, Peter Paul Arnold Luchsinger, foi banqueiro no país e deixou herança para a neta.
Nas redes sociais, ela tem 26,6 mil seguidores no Instagram, cuja biografia possui uma hashtag de apoio à Lula. Suas publicações possuem fotos de viagens e artigos de luxo, bem como posts de apoio ao presidente Lula e declarações sobre as operações realizadas contra ela.
A empresária também publicou fotos indicando ter sido atendida pela equipe médica do hospital particular Samaritano Paulista, bem como um acompanhamento especial para emagrecimento e mesmo contratação de serviços de estilista e maquiador que já antederam famosos como Rita Lee, Fátima Bernardes e Elke Maravilha.

Quem é Roberta Luschinger?
Aos 41 anos, Roberta Luschinger é diretora da empresa RL Consultoria e Intermediações que realiza intermediação e agenciamento de serviços e negócios em geral, segundo o registro de atividades profissionais.
Ela virou alvo da PF no âmbito da Operação Sem Desconto e já sofreu mandados de busca e apreensão, bloqueio de bens e valores e determinação para uso de tornozeleira eletrônica.
Luschinger supostamente se apresenta como uma pessoa com acesso a estrutura de poder importantes, com capacidade de influenciar decisões políticas.

Herança bilionária
Em 2017, ao receber a herança do avô, o ex-banqueiro suíço Peter Paul Arnold Luchsinger, ela afirmou que doou dinheiro e apetrechos valiosos ao presidente Lula, como um cheque de 28 mil francos suíços (cerca de R$ 93 mil à época), um relógio Rolex, um anel de diamantes Emar Batalha, um vestido Dolce & Gabbana, bem como uma bolsa e uma mala de grife. Os presentes, na época, foram avaliados em R$ 500 mil.
O objetivo era ajudá-lo por conta de um bloqueio de bens determinado pelo então juiz Sergio Moro. No entanto, ela foi impedida de doar pela Justiça, por conta de uma dívida. Reportagem da Veja mostrou que a bilionária renega o rótulo de socialite, apesar de também ser sobrinha de Roger Wright, ex-diretor do Credit Suisse, que morreu em 2009.
Luchsinger é mineira e vive em São Paulo, em Higienópolis, bairro nobre na região central da capital. Formada em Direito, ela acabou não seguindo carreira na área após conhecer o ex-delegado da Polícia Federal e ex-deputado federal pelo PCdoB, Protógenes Queiroz, condenado por violação de sigilo na Operação Satiagraha, que investigava corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo políticos, empresários, doleiros e banqueiros, em 2004. Eles se casaram e têm uma filha, Guilhermina, mas são divorciados desde 2014.
Críticas à corrupção
Roberta Luchsinger publicou diversas vezes alguma crítica aos políticos de oposição ao governo atual, especialmente ao clã Bolsonaro, mencionando em boa parte uma suposta corrupção do governo anterior.
Com o escândalo do Banco Master, outros posts com referências à Flávio Bolsonaro (PL) e Daniel Vorcaro, o ex-dono do Master, ficaram frequentes entre as publicações de hábitos luxuosos da lobista.
Ao mesmo tempo, a nova investigação da PF também mira Lulinha e Luchsinger ao serem mencionados nos diálogos que serviram de base para apurações sobre suposto tráfico de influência no Ministério da Saúde e na Dataprev. Como mostrou O Brasilianista, a tentativa de ampliar a atuação do grupo para a área da Saúde já fazia parte das investigações da Operação Sem Desconto.
Durante uma troca de mensagens entre os amigos, o filho do presidente afirmou que participava de reuniões com o ex-chefe de gabinete de Lula e braço direito do líder do Executivo, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, e o então secretário-executivo do Ministério da Saúde, Swedenberger Barbosa, conhecido como Berger.
Berger foi quem abriu as portas do Ministério da Saúde para o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, que está ligado à Roberta Luchsinger. A empresária recebeu repasses dele em valores que somam R$ 1,5 milhão. Uma dessas transferências pode estar ligada diretamente à Lulinha com base em outra mensagem interceptada pela PF, na qual Antunes afirma que o montante seria destinado ao “filho do rapaz”.
Além de Lulinha, Luchsinger também mantinha contato direto com Marcola, no que as autoridades acreditam que ela comprou joias, deu presentes e pagou boletos do ex-chefe de gabinete para ampliar acesso e manter influência na mais alta cúpula do governo Lula. Uma troca de mensagens mostra a compra de joias de diamante que saíram por volta de R$ 9 mil.
O Brasilianista procurou a defesa da lobista sobre a nova investigação sobre as mensagens com Lulinha, mas afirmou que não iria comentar sobre o caso. A reportagem também procurou a defesa para comentar sobre os luxos de Roberta, mas ainda não recebeu um retorno. O espaço segue aberto.

