Política

Crise no STF vira ativo eleitoral para a oposição

Sobram para a campanha de Lula os custos e o desgaste da crise institucional envolvendo o STF e a PF

Crise no STF vira ativo eleitoral para a oposição
Oposição consegue impor o discurso dos escândalos na semana do ato de 7 de Setembro Valter Campanato/Agência Brasil

O atrito envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e o ministro André Mendonça caiu no colo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), instaurando mais um problema a ser resolvido em sua campanha eleitoral.

Nesta terça-feira (8), o Supremo formou maioria para afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, após acusações de que teria havido monitoramento para a elaboração de relatórios usados pelo então ministro Moraes.

A situação não pressiona apenas o STF. Até poucas semanas atrás, Lula enfrentava dois problemas centrais: o "caso Lulinha", que envolve seu filho em inquérito da Polícia Federal sobre possível tráfico de influência com a empresária Roberta Luchsinger, e a situação de seu ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, que pediu empréstimo à lobista. 

Pressão na campanha

Esse cenário tornou-se o principal ativo explorado pela oposição, que associa a relação entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso após a descoberta de envolvimento em fraudes bancárias e de proximidade com figuras políticas como os senadores Ciro Nogueira (Progressistas-PI) e Jaques Wagner (PT-BA).

Faltando menos de um mês para as eleições, a pesquisa Quaest revelou, nesta segunda-feira (7), um empate técnico entre o candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Lula — ambos pontuando 41%.

A oposição, durante o ato de 7 de Setembro na Avenida Paulista, usou o palanque de Flávio para reforçar mensagens contra o ministro Alexandre de Moraes e disparar críticas à Corte. Pedidos de “Fora Moraes” e “Fora Lula” foram entoados por manifestantes em diversas partes do país, como na Bahia, em Maceió e em Minas Gerais.

A mensagem organizada em São Paulo focou nos escândalos envolvendo trocas de mensagens entre o ministro e o ex-banqueiro, além de supostas tentativas de favorecimento.

Caso Master é de Lula

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ignorou os pedidos da imprensa para divulgar a auditoria do fundo Havengate. O caso tem sido explorado por adversários como Ronaldo Caiado (União-GO) e Romeu Zema (Novo-MG), que reforçaram as cobranças em eventos de pré-campanha e nas redes sociais, na tentativa de associá-lo ao escândalo.

Ocorre que não há fatos novos trazidos pela PF, que segue investigando após autorização do ministro Flávio Dino para permitir o acesso às apurações da Polícia Civil de São Paulo (PCSP).

Após a auditoria privada, a PF passou a cobrar aprofundamento sobre a administração dos valores repassados para a produção do filme Dark Horse. A pedido de Flávio, Daniel Vorcaro repassou US$ 12 milhões (cerca de R$ 69 milhões) para o projeto audiovisual.

O caso Dark Horse é, portanto, o principal trunfo utilizado pela campanha de Lula e por pré-candidatos que disputam espaço entre os eleitores de direita. No entanto, o tema não predominou nas últimas semanas, embora persista a expectativa, por parte do eleitor indeciso, conforme noticiou O Brasilianista, de obter esclarecimentos sobre a origem do dinheiro.

Impeachment de ministros

Em meio a escândalos e crises no Judiciário, campanha de Flávio ganha fôlego com discursos de impeachment e fim do governo Lula (Foto: Maura Martins/TV Brasil)

O Partido Liberal (PL) se prepara para tentar eleger ao menos 37 candidatos da legenda que tenham "coragem" para debater e pautar o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal. 

A oposição acusa o Judiciário de ter preso e condenado injustamente o ex-presidente Jair Bolsonaro, e promete anistia ao capitão reformado e aos presos dos atos de 8 de janeiro caso Flávio seja eleito.

Outro ponto explorado pela oposição, além dos escândalos, reflete-se nos bloqueios de contas e nas investigações sobre redes sociais de deputados e senadores, com ordens de remoção de publicações, sob a alegação de cerceamento da liberdade de expressão.

A pauta contra o STF ganhou tração entre os oposicionistas durante a semana do esforço concentrado. A tentativa de pressionar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a pautar o impeachment de Moraes, no entanto, não prosperou.

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