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Política

Flávio aposta na crise do STF para desgastar Lula, que aposta no populismo

Caso Master e crise no Supremo são os principais mecanismos para desestabilizar a campanha do presidente petista

Flávio aposta na crise do STF para desgastar Lula, que aposta no populismo
Flávio, em 2019, não assinou o pedido de abertura para investigar supostos abusos de ministros do Supremo Maura Martins/TV Brasil

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) acredita que sua estratégia deve seguir focada no desgaste da campanha do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), explorando pontos que relacionam a crise do Supremo Tribunal Federal (STF) ao envolvimento do Poder Executivo.

Flávio tem como carta na manga o caso envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e as possíveis trocas de mensagens com o ex-banqueiro do Banco Master, Daniel Vorcaro, para associar que "Lula é Moraes", conforme o parlamentar tem enfatizado em suas últimas manifestações e atos de campanha.

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O Supremo

Flávio Bolsonaro utiliza fatos envolvendo o STF, a crise em torno de Moraes, a amizade entre Lulinha e a lobista Roberta Luchsinger, além de Daniel Vorcaro, para desgastar a campanha de Lula Alejandro Zambrana/STF

A tática envolve explorar a sessão da Primeira Turma realizada na última terça-feira (15), que analisaria, com base no relatório do ministro André Mendonça, se prosseguiria com o pedido para apurar a conduta de Moraes.

A sessão foi interrompida após o ministro Flávio Dino pedir vista em meio a uma discussão entre o ministro Gilmar Mendes e André Mendonça, especificamente sobre ilações feitas ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e a Daniel Vorcaro.

Com a retirada do voto de Dino e o pedido de vista, a análise só deve ser retomada após as eleições. Parlamentares da ala bolsonarista argumentam que os ministros agiram para interferir no andamento do processo.

A oposição aproveitou o episódio para pedir uma reforma no Judiciário, cuja discussão pode ser retomada na semana de esforço concentrado após o primeiro turno. Embora a pressão continue sobre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para analisar os pedidos de impeachment, não há sinalização de que a pauta vá avançar.

O silêncio

Nesse movimento, Flávio tenta se distanciar das acusações relacionadas ao pedido feito ao banqueiro Daniel Vorcaro para o financiamento do filme que conta a trajetória política de seu pai, o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro.

Flávio também utilizou, por 15 dias, um imóvel pertencente a Fabianno Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, para cumprir agendas de campanha. Recentemente, foi revelado que o candidato usou uma aeronave da Prime You, empresa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, para uma viagem entre os Estados Unidos e o Brasil, conforme reportou a Revista Piauí.

O candidato se recusa a se explicar detalhadamente, mas alega que auditorias privadas foram vazadas pela imprensa e que não ocorreu uso indevido de recursos na produção, nem envolvimento de dinheiro público.

A Polícia Federal investiga Flávio e seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, sob a suspeita de lavagem de dinheiro e repasses de R$ 61 milhões de Vorcaro para o fundo Havengate, por intermédio do empresário Antônio Carlos Freixo, dono da Entre Investimentos.

Recurso de Flávio

A ofensiva do Partido dos Trabalhadores é, neste período, dar sequência às investigações envolvendo o senador e obter acesso a novos fatos. Após a autorização do ministro e relator Flávio Dino, a Polícia Federal retomou as apurações e obteve acesso ao inquérito da Polícia Civil de São Paulo relativo ao caso envolvendo a investigação contra ele no caso Dark Horse.

A defesa de Flávio solicitou ao presidente da Suprema Corte, Edson Fachin, a suspensão das apurações e dos pedidos de investigação. A equipe jurídica alega que esses requerimentos, solicitados a partir de ações em andamento, burlam a escolha direta do ministro relator.

Outro argumento apresentado é o de que a ADPF 854, que envolve uma emenda do senador de R$ 200 mil para o projeto "Jogadores do Futuro", estava sob a relatoria do ministro André Mendonça.

Segundo a equipe jurídica, como o PT direcionou o tema ao ministro Flávio Dino, criou-se um precedente que altera a ordem natural de distribuição das relatorias.

O fim das Bets

Lula se reuniu com integrantes do governo após o retorno de Nova York para ajustar medidas de limitação às apostas e aos cassinos online, visando reverter a impopularidade Paulo Pinto/Agência Brasil

O governo tenta reverter os desgastes refletidos nos números de pesquisas que indicam insatisfação da população com as apostas virtuais, as Bets. De acordo com a pesquisa Atlas, 75% dos entrevistados, em uma amostragem de mais de 5 mil pessoas, afirmam que esses jogos deveriam ser proibidos.

Apesar dos riscos de aumentar a clandestinidade, o governo federal aposta no encerramento das operações de cassinos virtuais e de empresas de apostas esportivas no Brasil. Lula, após o discurso na ONU e a viagem a Nova York, passou a se reunir com ministros ligados ao tema, entre eles o ministro da Fazenda, Dario Durigan, para alinhar os ajustes finais.

A ideia do governo, que ainda não foi anunciada oficialmente, inclui restrições aos cassinos online e à publicidade de todos os tipos de apostas.

Outras mudanças ainda consideradas dizem respeito à manutenção de patrocínios em uniformes de times esportivos. Caso o presidente seja reeleito, medidas mais radicais devem ser analisadas e implementadas.

Lava Toga

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da "Lava Toga" foi uma tentativa, ocorrida em 2019 durante a gestão do então presidente Jair Bolsonaro, de abrir uma investigação contra o suposto ativismo judicial de ministros do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Naquela ocasião, Flávio Bolsonaro se recusou a assinar o pedido de abertura da CPI. Ele, que integrava o antigo PSL, hoje União, argumentou que a iniciativa colocaria "fogo no país".

Em meio a esse cenário, o Supremo deu início a medidas de contenção: em março daquele ano, o então presidente da Corte, Dias Toffoli, designou Alexandre de Moraes como relator do inquérito para apurar notícias falsas, ameaças e denúncias contra os ministros e seus familiares, o que fez com que integrantes do Congresso Nacional se tornassem alvos da investigação.

As ações envolveram o bloqueio de contas em perfis oficiais nas redes sociais, além de mandados de busca e apreensão em residências de deputados federais como Bia Kicis, Filipe Barros e Gustavo Gayer, parlamentares que integram o Partido Liberal.

Anos depois, o caso volta ao centro das atenções da presidência da Corte após o recente conflito entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça.

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