O ministro da Fazenda, Dario Durigan, está planejando se reunir com o ex-presidente do Banco Central (BC) Armínio Fraga e também com o ex-ministro da Fazenda Pedro Malan para discutir o plano fiscal do governo.
Reportagem do Valor mostrou que os encontros fazem parte de uma estratégia da equipe econômica do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de conversar com economistas para entender a melhor solução para a política fiscal. Durigan quer ouvir diagnósticos, críticas e propostas para a economia brasileira e avaliar o que pode ser implementado em um possível quarto mandato de Lula.
O ministro e o chefe de gabinete, Fabio Terra, já tiveram conversas com os economistas Samuel Pessôa e Marcos Lisboa, na última segunda-feira (18), em São Paulo.
Porém, o encontro com economistas críticos à atual gestão econômica não significa que um novo governo Lula adotará todas as medidas propostas por esses especialistas. Interlocutores indicam que o objetivo de Durigan é achar novas áreas de consenso e avaliar interessantes para o equilíbrio das contas públicas sem abandonar as prioridades do atual governo.
A questão fiscal do governo
A dívida pública da União bateu recorde em 2026 ao atingir 77,2% do Produto Interno Bruto (PIB) em abril. O dado indica que os débitos do país foram maiores do que o endividamento do setor privado, que era de 75,7% do PIB no mesmo mês.
O Brasilianista já mostrou que esse movimento gerou agora um efeito conhecido como “crowding out”, em que o aumento dos gastos públicos ou do endividamento do governo reduz os investimentos do setor privado. Ao captar recursos no mercado financeiro, o Estado eleva as taxas de juros, encarecendo o crédito e afastando os investidores particulares. Isso não acontecia desde a crise do governo de Dilma Roussef, entre 2014 e 2016.
Com o aumento da dívida, o governo pega dinheiro da poupança e prejudica a saúde financeira do setor privado. Os efeitos aparecem no financeiro das empresas. A inadimplência das pessoas jurídicas atingiu 4,8%, considerado pico histórico — desses, as micro e pequenas empresas eram 6%, enquanto nas grandes companhias eram 0,5%. As empresas negativadas subiram 34,5% desde 2024, com 8,96 milhões em abril deste ano.
A questão fiscal do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mostra dificuldades de manter a dívida pública estável de diversas maneiras.
Abordagens distintas
O mercado enxerga divergências dentro do próprio governo sobre o caminho a seguir no ajuste fiscal. Os ministérios da Fazenda e do Planejamento têm dado sinais divergentes neste tema em um eventual quarto mandato do presidente Lula.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, tem indicado a possibilidade de reduzir o limite de despesas do arcabouço fiscal de 2,5% para 1,5% ao ano. Por outro lado, o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, acredita que regras mais rígidas não devem funcionar e o governo precisa de mais instrumentos de gestão fiscal para cumprir as metas.
Nos bastidores do mercado financeiro, há uma espécie de “guerra fria” entre os dois ministros, em busca de protagonismo em um próximo governo petista.

