Após um dia do julgamento no Supremo Tribunal Federal, Eduardo Bolsonaro e o influenciador e jornalista Paulo Figueiredo se encontraram com integrantes do governo de Donald Trump na quarta-feira (16).
Eles pediram novas sanções. Desta vez, o pedido inclui o ministro Flávio Dino, o ministro Gilmar Mendes e o ministro Alexandre de Moraes, que já foi alvo devido a julgamentos sobre restrições a redes sociais norte-americanas no Brasil que atuavam sem representantes legais
O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), do Tesouro norte-americano, já havia retirado Alexandre de Moraes da lista. Agora, a expectativa, segundo Figueiredo, é de que “os brasileiros de bem vão gostar das notícias vindas dos Estados Unidos nas próximas semanas. E os bandidos não”.
Crise no Supremo
A reunião antecede a crise exposta no julgamento sobre a continuidade do julgamento de conduta de Alexandre de Moraes a partir do relatório de André Mendonça. Gilmar Mendes e Flávio Dino passaram a defender que o julgamento fosse conduzido em conjunto, ou seja, ambos os ministros deveriam ser avaliados.
O julgamento, no entanto, foi interrompido após um pedido de vista solicitado por Flávio Dino, que fez críticas à condução da presidência da Corte. Gilmar Mendes direcionou críticas ao ministro Mendonça, afirmando que este estava movido por medida político-eleitoreira às vésperas das eleições.
Na coletiva, Eduardo comentou sobre as falas de Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes em relação à forma como André Mendonça agiu para adotar investigações contra o ministro e o afastamento de Andrei Rodrigues.
Ao Supremo, Eduardo disse que “se eles entenderem que a eleição do Flávio é um ato de golpismo, os EUA podem perfeitamente não reconhecer as eleições brasileiras e também sancionar, individualmente, esses ministros”.
Moraes e Elon Musk
O caso da aplicação da Lei Magnitsky ocorreu em julho de 2025, quando Alexandre de Moraes e a sua esposa, Viviane Barci de Moraes, sofreram sanções financeiras e foram impedidos de visitar o território americano com base na legislação norte-americana.
A medida pode ser acionada para penalizar países que não estão seguindo práticas comerciais legais, segundo a legislação norte-americana, ou por violações graves de direitos humanos.
A lei foi aplicada sobre Moraes quando o empresário Elon Musk, proprietário da rede social X (antigo Twitter), acusou o Supremo de cercear o direito de liberdade de expressão. O ministro foi alvo de bloqueio de bens ou ativos no exterior, além da proibição de empresas norte-americanas realizarem transações financeiras com ele.
Além disso, Moraes teve problemas com o Trump Media & Technology Group, da rede social Truth Social. A companhia abriu uma ação judicial contra Moraes na Corte norte-americana junto com a plataforma Rumble.
A alegação destas empresas foi de que as ordens do ministro para remover e suspender perfis de influenciadores investigados no país eram uma censura extraterritorial.
A retirada das sanções ocorreu em dezembro de 2025. Até o momento, Moraes foi o único ministro do STF a ser incluído na lista de sancionados.
Oposição norte-americana
Não foi revelado o teor da conversa nem com quem Eduardo e Paulo Figueiredo se encontrariam.
Eles sinalizaram que a ofensiva serviria para trazer a realidade do que acontece no Brasil.
Eduardo Bolsonaro já havia se reunido com aliados do governo americano e parlamentares republicanos para discutir medidas de pressão e restrições contra autoridades brasileiras.
Tentativa com Marco Rubio
Esta não é a primeira vez que a família Bolsonaro se reúne com o governo de Donald Trump a fim de discutir a política a partir do seu ponto de vista.
A última consequência gerada ocorreu após as tentativas – frustradas – do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de tentar convencer o secretário de Estado, Marco Rubio, para que os exportadores brasileiros não sofressem sanções econômicas.
Flávio pediu ainda que o governo norte-americano desistisse da imposição de novas tarifas. Como O Brasilianista noticiou, Marco Rubio manteve a postura de Donald Trump e rejeitou a carta.
Rubio sustenta que o Brasil adota práticas desleais, citando o Pix, o etanol, a propriedade intelectual e a concorrência com instituições financeiras norte-americanas.
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