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Política

Lula negocia novo ministério com aliados e Centrão; veja o que está em jogo em cada pasta

Casa Civil e Fazenda concentram as primeiras articulações, enquanto o governo estuda criar um Ministério da Segurança Pública

Luiz Inácio Lula da Silva
Indicações ainda não foram oficializadas (Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciou as negociações para definir a equipe de seu quarto mandato, que começará em 1º de janeiro de 2027, após vencer Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais de 25 de outubro.

As discussões envolvem o comando de ministérios responsáveis pela política econômica, segurança pública, educação, saúde, programas sociais e relações internacionais.

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Entre os nomes mencionados nas articulações estão o senador Camilo Santana (PT-CE), o ex-ministro Fernando Haddad (PT), o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).

Nenhum deles havia sido oficialmente anunciado para uma nova função até esta terça-feira (03).

A escolha dos ministros também faz parte das negociações de Lula com o Congresso Nacional.

Embora tenha conquistado a reeleição, o presidente dependerá do apoio de diferentes partidos para aprovar projetos, alterações legislativas e medidas orçamentárias.

A composição do governo poderá incluir aliados derrotados nas eleições estaduais, integrantes do atual gabinete e representantes de partidos que não apoiaram Lula na disputa presidencial.

As decisões também determinarão quem ficará responsável pela execução de programas em andamento e pela interlocução do Executivo com o Legislativo.

Comando do governo

A Casa Civil da Presidência da República é responsável por coordenar a atuação dos ministérios, acompanhar decisões presidenciais e examinar propostas legislativas e administrativas encaminhadas ao chefe do Executivo.

Por meio dessa estrutura, o governo articula medidas que envolvem diferentes áreas da administração federal.

Atualmente, a Casa Civil é comandada por Miriam Belchior, que assumiu em abril de 2026, após a saída de Rui Costa para disputar as eleições. O ex-ministro havia ocupado o cargo desde janeiro de 2023.

Camilo Santana, que deixou o Ministério da Educação para disputar uma vaga no Senado pelo Ceará, aparece entre os nomes cotados para a função.

Ele participou da coordenação da campanha de reeleição de Lula e, segundo reportagem do Metrópoles, foi citado pelo presidente a interlocutores como integrante de sua futura equipe, embora a pasta ainda não estivesse definida.

Fernando Haddad também é mencionado nas negociações. O ex-ministro da Fazenda deixou o governo para concorrer ao governo de São Paulo, mas não venceu a eleição.

Política econômica

O Ministério da Fazenda administra atribuições relacionadas à política fiscal, à arrecadação tributária, à dívida pública e ao acompanhamento do sistema financeiro.

A pasta também participa da elaboração de propostas de legislação tributária e da formulação de medidas econômicas.

Desde março de 2026, o ministério é comandado por Dario Durigan, que substituiu Fernando Haddad. Antes de assumir o cargo, Durigan ocupava a Secretaria-Executiva da Fazenda.

Entre os nomes mencionados para a equipe de 2027 está Rafael Fonteles, governador reeleito do Piauí.

Antes de assumir o Executivo estadual, ele comandou a Secretaria da Fazenda piauiense e participou de discussões sobre administração tributária e contas públicas.

Geraldo Alckmin também aparece nas articulações. O vice-presidente ocupou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços durante parte do terceiro mandato de Lula, acumulando as duas funções até abril de 2026.

A composição da Fazenda terá relação com a condução das metas fiscais, as políticas tributárias e a administração do endividamento federal.

Orçamento federal

O Ministério do Planejamento e Orçamento coordena a elaboração da proposta orçamentária federal, participa do planejamento governamental e acompanha instrumentos como o Plano Plurianual e a Lei de Diretrizes Orçamentárias.

A pasta possui atribuições diferentes das exercidas pela Fazenda. Enquanto a Fazenda atua principalmente nas áreas fiscal, tributária e financeira, o Planejamento organiza a programação orçamentária e acompanha a distribuição de recursos entre os órgãos federais.

Bruno Moretti assumiu o ministério em março de 2026, após a saída de Simone Tebet para disputar as eleições.

Servidor público de carreira, já havia exercido funções nos ministérios da Saúde e na Casa Civil.

Moretti é mencionado por aliados de Lula como uma possibilidade de permanência no Planejamento ou de transferência para outra função econômica.

Segurança pública

Uma das alterações discutidas pelo governo é a criação de um Ministério da Segurança Pública separado da Justiça.

Atualmente, as duas áreas estão reunidas no Ministério da Justiça e Segurança Pública, comandado por Wellington César Lima e Silva desde janeiro de 2026, após a saída de Ricardo Lewandowski.

O ministério possui atribuições relacionadas à política criminal, à segurança pública, ao sistema penitenciário federal e à articulação jurídica e administrativa de políticas nacionais.

A proposta de desmembramento poderia estabelecer uma estrutura específica para coordenar iniciativas federais de enfrentamento ao crime organizado e de cooperação com os estados.

O promotor de Justiça Lincoln Gakiya, conhecido por investigações sobre o Primeiro Comando da Capital (PCC), está entre os nomes mencionados para a possível nova pasta. Rui Costa também aparece nas discussões políticas sobre a segurança pública.

Relações exteriores

O Ministério das Relações Exteriores, conhecido como Itamaraty, conduz a diplomacia brasileira, participa de negociações internacionais e coordena o funcionamento das representações do Brasil no exterior.

A pasta permanece sob o comando do embaixador Mauro Vieira, que assumiu no início do terceiro mandato de Lula.

Entre os nomes mencionados para uma possível substituição está o diplomata Maurício Lyrio, integrante da estrutura do Itamaraty e responsável por negociações internacionais do governo.

Fernando Haddad também foi citado em reportagens sobre possibilidades de atuação na área internacional, embora não exista indicação oficial nesse sentido.

O futuro ministro acompanhará negociações comerciais com os Estados Unidos, relações com a China, compromissos do Mercosul e discussões envolvendo organismos multilaterais.

As escolhas ocorrerão após divergências entre Lula e o presidente americano Donald Trump sobre questões comerciais e o resultado das eleições brasileiras de 2026.

Defesa nacional

O Ministério da Defesa participa da formulação da política de defesa nacional, da coordenação administrativa das Forças Armadas e do planejamento de investimentos relacionados à área militar.

O cargo é ocupado por José Múcio Monteiro desde janeiro de 2023. O ministro já manifestou publicamente a intenção de deixar o governo ao final do terceiro mandato de Lula.

Entre os nomes mencionados para uma eventual sucessão estão Cinara Wagner Fredo, integrante da estrutura administrativa da Defesa, e Maria Elizabeth Rocha, presidente do Superior Tribunal Militar.

Simone Tebet também apareceu em discussões sobre possíveis funções na nova equipe ministerial.

A escolha do titular não altera a autoridade constitucional do presidente da República sobre as Forças Armadas.

O ministro atua na condução administrativa e na execução das políticas de defesa definidas pelo governo federal.

Sistema de saúde

O Ministério da Saúde coordena políticas federais relacionadas ao Sistema Único de Saúde (SUS), vacinação, vigilância epidemiológica, financiamento de serviços e programas nacionais de prevenção e tratamento.

Alexandre Padilha ocupa o cargo desde março de 2025, quando substituiu Nísia Trindade.

Padilha está entre os integrantes do atual governo mencionados por aliados como possíveis permanências no quarto mandato.

O ministro deixou de disputar as eleições de 2026 e permaneceu na condução da pasta durante a campanha presidencial.

A Saúde também depende da articulação entre diferentes esferas da administração pública, já que estados e municípios participam diretamente da prestação de serviços do SUS.

Entre as atribuições da pasta estão o financiamento federal da assistência, a aquisição de medicamentos e a coordenação de programas nacionais.

Educação nacional

O Ministério da Educação coordena programas educacionais federais, administra a rede de universidades e institutos federais e participa das políticas nacionais de alfabetização, educação básica e ensino superior.

O órgão é comandado por Leonardo Barchini desde abril de 2026, quando Camilo Santana deixou o cargo para disputar as eleições.

Barchini havia exercido funções na estrutura do Ministério da Educação e assumiu a titularidade durante o período de desincompatibilização eleitoral.

Entretanto, Camilo Santana é discutido principalmente para funções de coordenação do governo, como a Casa Civil.

O ex-ministro Fernando Haddad, que comandou a Educação entre 2005 e 2012, também aparece entre os nomes associados à composição do novo gabinete, embora não tenha sido anunciado para retornar ao MEC.

A pasta acompanha a execução de programas educacionais, o financiamento das instituições federais e a cooperação com estados e municípios.

Assistência social

O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome coordena políticas federais de transferência de renda, segurança alimentar e assistência social.

Entre os programas vinculados à pasta estão o Bolsa Família e o Cadastro Único, utilizado para identificar famílias que podem participar de políticas sociais.

Wellington Dias ocupa o ministério desde janeiro de 2023.

Nas negociações para o quarto mandato, os nomes de Gleisi Hoffmann e Guilherme Boulos aparecem em discussões sobre possíveis mudanças no comando de programas sociais.

Gleisi deixou a Secretaria de Relações Institucionais em abril de 2026 para disputar uma vaga no Senado pelo Paraná, mas não conseguiu se eleger.

Boulos, por sua vez, ocupa a Secretaria-Geral da Presidência desde outubro de 2025, função relacionada à participação social e à interlocução com movimentos e organizações da sociedade civil.

Previdência social

O Ministério da Previdência Social coordena políticas previdenciárias e supervisiona a estrutura administrativa vinculada ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A pasta é comandada por Wolney Queiroz desde maio de 2025, quando substituiu Carlos Lupi.

Entre suas atribuições estão a formulação de políticas previdenciárias, o acompanhamento da gestão dos benefícios e a articulação institucional relacionada ao funcionamento do sistema.

Luiz Marinho, atual ministro do Trabalho e Emprego, aparece nas negociações como uma possibilidade de transferência para a Previdência.

Marinho ocupa o Ministério do Trabalho desde janeiro de 2023 e também é mencionado por aliados como um dos integrantes que poderão permanecer no primeiro escalão do governo.

A discussão sobre a Previdência ocorre após a crise relacionada a descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões, investigados por órgãos federais.

Trabalho e emprego

O Ministério do Trabalho e Emprego é responsável por políticas relacionadas às relações de trabalho, fiscalização trabalhista, geração de emprego e mecanismos de proteção aos trabalhadores.

Luiz Marinho está à frente da pasta desde o início do terceiro mandato de Lula.

Durante sua administração, o ministério participou de discussões sobre relações trabalhistas, regulamentação de atividades econômicas e mecanismos de proteção social.

Indústria e comércio

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços coordena políticas voltadas à indústria brasileira, comércio exterior, produtividade e competitividade.

O cargo é ocupado por Márcio Fernando Elias Rosa desde abril de 2026, quando Geraldo Alckmin deixou o comando do ministério para participar da disputa presidencial como candidato a vice-presidente.

Alckmin permanece na Vice-Presidência da República e é citado em negociações sobre uma eventual função econômica no próximo governo.

A pasta acompanha políticas industriais, negociações comerciais e iniciativas destinadas à modernização da produção brasileira.

A definição de seu próximo titular também poderá afetar a articulação entre o governo federal e representantes dos setores produtivos.

Política ambiental

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima é responsável pela formulação e coordenação das políticas federais relacionadas à conservação ambiental, biodiversidade e enfrentamento das mudanças climáticas.

João Paulo Capobianco ocupa o cargo desde abril de 2026, após a saída de Marina Silva para disputar as eleições.

Capobianco já integrava a estrutura do ministério e havia exercido a função de secretário-executivo.

Marina Silva aparece entre os nomes mencionados para uma possível participação na equipe de 2027, mas seu retorno à pasta não foi confirmado.

O futuro ministro terá atribuições relacionadas à coordenação das políticas ambientais federais, à atuação de órgãos como Ibama e ICMBio e à participação do Brasil em negociações climáticas internacionais.

Relações com Congresso

A Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, cujo titular possui status de ministro de Estado, coordena a articulação política do governo com o Congresso Nacional, governadores, prefeitos e partidos.

Desde abril de 2026, o órgão é comandado por José Guimarães, que substituiu Gleisi Hoffmann.

A função envolve a interlocução sobre propostas legislativas, negociações políticas e encaminhamento de demandas apresentadas por representantes do Legislativo e de governos locais.

A formação da equipe de 2027 também depende da participação dos partidos que compõem a base parlamentar do presidente.

Lula deverá negociar espaços na administração federal com legendas de centro e com aliados que participaram da campanha eleitoral.

Comunicação do governo

A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República é responsável pela comunicação institucional do Executivo federal, incluindo campanhas de utilidade pública, publicidade governamental e relacionamento com a imprensa.

Sidônio Palmeira ocupa o cargo desde janeiro de 2025.

Entre os nomes mencionados nas discussões para 2027 estão Laércio Portela e o deputado federal André Janones, que participou da campanha de Lula.

O governo também discute a organização de sua comunicação nas plataformas digitais, incluindo formas de divulgação de políticas públicas e estratégias de relacionamento com a população.

A Constituição determina que a publicidade institucional de órgãos públicos tenha caráter educativo, informativo ou de orientação social, vedando a promoção pessoal de autoridades.

Ministério da Cultura

A continuidade de Margareth Menezes no Ministério da Cultura também integra as discussões sobre a composição do próximo governo.

A cantora assumiu a pasta em janeiro de 2023, após sua recriação no terceiro mandato de Lula.

O ministério coordena programas de incentivo à produção artística, preservação do patrimônio e financiamento de projetos culturais.

Entre os nomes mencionados nas articulações para 2027 estão o ator Wagner Moura, o cantor Chico César e Maria Marighella, atriz e ex-presidente da Fundação Nacional de Artes (Funarte).

A eventual escolha de um novo titular ocorrerá durante a execução da Política Nacional Aldir Blanc e de programas de financiamento cultural destinados a estados e municípios.

A pasta também acompanha discussões sobre a distribuição regional dos recursos da Lei Rouanet, a manutenção de equipamentos culturais e o financiamento do setor audiovisual.

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