O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) ainda não tem um nome definido para quem deve ocupar o Ministério da Fazenda caso vença as eleições. Ainda assim, há alguns nomes cotados para a vaga.
Vale lembrar que a Fazenda é um dos principais ministérios brasileiros, que organiza diretamente a economia do governo e a questão fiscal.
Reportagem do Uol revelou três possíveis nomes até o momento que podem ocupar o cargo: o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, o financista Marcelo Kayath e o ex-secretário do Tesouro das gestões Temer e Bolsonaro Mansueto Almeida.
Flávio também deve manter a estrutura do governo do pai e chamar Paulo Guedes novamente ao Ministério da Economia.
Os possíveis ministros da Fazenda de Flávio Bolsonaro
Roberto Campos Neto
Campos Neto foi presidente do Banco Central entre 2019 e 2024, indicado pelo então presidente Jair Bolsonaro. Hoje, ocupa um cargo de direção no Nubank e teria o apoio do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), para o cargo na Fazenda.
Roberto Campos Neto nasceu e cresceu no Rio de Janeiro. Neto do idealizador do Banco Central, ele seguiu os passos do avô e foi estudar economia e finanças na Universidade da Califórnia, em Los Angeles, nos Estados Unidos. Se formou em 1993 e se tornou mestre na instituição em 1995.
No ano seguinte, ele decidiu voltar para o Brasil e atuar como trader, largando a carreira acadêmica fora do país. Passou a ser operador de dívida externa, Bolsa e renda fixa internacional no Bozano, até que a instituição foi comprada pelo Santander.
Seguiu na carreira de executivo e conselheiro do Santander e também outra consultoria nos anos seguintes. No intervalo, concluiu outro mestrado concluído em 2018 na Singularity University, na Califórnia.
Campos Neto era membro do conselho executivo do banco de investimentos no Brasil e no mundo e responsável pela tesouraria global para as Américas quando recebeu o convite para assumir o BC.
No poder público, ele seguiu a linha liberalista do avô e defendia que o governo precisa abrir espaço para a iniciativa privada atuar. Para ele, quanto menor a necessidade de financiar a dívida pública, o mercado de capitais poderia se desenvolver.
Sob sua gestão, houve o lançamento do Pix, implementação do Open Finance, desenvolvimento de uma moeda digital (Drex) que não avançou, e estímulo às fintechs com a flexibilização de regras para a atuação de novos agentes de pagamento.
Campos Neto também era gestor quando o Congresso Nacional aprovou a autonomia do Banco. Na política monetária, ele atingiu a menor taxa Selic da história, reduzindo de 6,5% para 2% ao ano. Ao mesmo tempo, a gestão da política monetária pós-pandemia exigiu uma elevação expressiva dos juros a fim de conter a inflação global.
Por fim, também foi responsável pela criação da cédula de R$ 200 para suprir a demanda por dinheiro em espécie gerada pelo pagamento do Auxílio Emergencial.
O Brasilianista mostrou que o ex-presidente do Banco Central chegou a convidar Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para uma reunião em sua casa em 2023. Campos Neto sabia dos problemas de liquidez do Master enquanto estava na liderança da autarquia.
Marcelo Kayath
Kayath é sócio da gestora QMS Capital e ex-presidente do Credit Suisse no Brasil. Sua indicação conta com o respaldo do deputado cassado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio.
Um influente grupo de banqueiros, investidores e empresários do mercado financeiro também apoiam o nome a um possível cargo na Fazenda.
Marcelo Kayath circula por diferentes círculos políticos há muito tempo. Em 2022, por exemplo, se mostrava crítico a Jair Bolsonaro, indicando que um governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na época seria uma opção menos desestabilizadora para a economia, bem como afirmou que Lula foi o melhor presidente para o mercado de capitais e Bolsa de Valores.
Iniciou sua carreira como musicista, mas interrompeu a trajetória no início dos anos 1990 para dar continuidade aos seus estudos. Formado em engenharia eletrônica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), fez um MBA na Stanford Graduate School of Business concluído em 1992.
Nos Estados Unidos, ele se aproximou do empresário Jorge Paulo Lemann entrou para a equipe do Banco Garantia, adquirido pelo Credit Suisse em 1998. Kayath tornou-se um dos principais executivos da operação brasileira do banco suíço, ganhando influência relevante no mercado financeiro.
No início do governo Lula, seu nome foi cotado para um possível cargo na Fazenda ou mesmo na presidência do BC. No entanto, as vagas foram para outros nomes.
Apesar da proximidade com Lula nas eleições anteiores, Kayath passou a ter encontros com Flávio Bolsonaro e outros aliados desde maio deste ano.
Mansueto Almeida
Almeida, por sua vez, é desde 2020 economista-chefe do BTG Pactual. Seu nome tem boa relevância no mercado financeiro e ele é considerado um especialista das contas públicas. Uma possível indicação é apoiada mais pelo mercado do que pelo PL ou clã Bolsonaro.
Mansueto Facundo de Almeida Júnior é um economista e empresário brasileiro. Sua útlima atuação no governo foi em 2016, quando o pesquisador do IPEA foi convidado pelo então ministro Henrique Meirelles para integrar a equipe econômica do Ministério da Fazenda, assumindo inicialmente o posto de Secretário de Acompanhamento Econômico.
Por lá, ele comandou a política fiscal, além de tratar dos planos de reformas econômicas do governo de Michel Temer. Em janeiro de 2018, passou a chefiar a Secretaria de Acompanhamento Fiscal. Em abril do mesmo ano, foi nomeado secretário do Tesouro Nacional, cargo que exerceu até 15 de julho de 2020.
O empresário é graduado pela Universidade Federal do Ceará e possui Mestrado pela Universidade de São Paulo (USP). Chegou a cursar Doutorado em Políticas Públicas no MIT, Cambridge, no Massachusetts, mas não defendeu a tese.
Atualmente, atua na especialidade de Finanças e Contas Públicas, considerado um dos principais especialistas do tema no país.
Mansuelo também é funcionário de carreira do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) em Brasília, pelo qual já conseguiu cargos como coordenador-geral de Política Monetária e Financeira na Secretaria de Política Econômica no Ministério da Fazenda (1995-1997), assessor da Comissão de Desenvolvimento Regional e de Turismo do Senado Federal (2005-2006).
Na Secretaria do Tesouro, ele defendeu medidas de redução dos gastos governamentais e aumento da arrecadação para conter déficits do orçamento do governo federal.
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