Flávio Bolsonaro conseguiu atrair para sua campanha os ex-adversários que carregam a maior parcela dos votos que ficaram sem candidato depois do primeiro turno.
Os quatro presidenciáveis eliminados que declararam apoio ao senador somaram 6.420.248 votos em 4 de outubro.
É o equivalente a 68,9% dos 9.316.747 votos recebidos pelos dez candidatos que não chegaram ao segundo turno.
Lula conseguiu o apoio de três dessas candidaturas, mas elas representam uma fatia eleitoral muito menor.
Samara Martins, Hertz Dias e Edmilson Costa receberam juntos 188.707 votos, 2% do total deixado pelos eliminados.
Outros 2.707.792 votos, ou 29,1%, pertencem a candidatos que permanecem sem apoiar nenhum dos dois ou orientaram voto nulo.
Fora das urnas, a distribuição se inverte em parte. Lula reúne quantidade maior de artistas, músicos, atores e outras figuras públicas que declararam posição no segundo turno.
Flávio, por outro lado, construiu uma rede mais ampla entre partidos do centro e da direita, governadores, parlamentares eleitos e candidatos que ainda disputam governos estaduais.
Ex-rivais
A maior adesão conquistada por Flávio veio de Augusto Cury. Terceiro colocado na disputa presidencial, o candidato do Avante terminou o primeiro turno com 3.448.569 votos e anunciou apoio ao senador depois de apresentar compromissos que gostaria de ver incorporados à campanha.
Ronaldo Caiado também migrou para Flávio depois de enfrentá-lo diretamente durante a campanha.
O ex-governador de Goiás obteve 2.605.148 votos e declarou que participaria da campanha do candidato do PL no segundo turno.
A posição é pessoal e não foi acompanhada nacionalmente pelo PSD, que liberou seus integrantes.
Romeu Zema, do Novo, levou seus 326.488 votos para o campo político de Flávio. Clariana Barão, da Democracia Cristã, completou o grupo ao anunciar apoio após receber 40.043 votos.
Do lado de Lula, a maior votação entre os ex-adversários que aderiram ao presidente veio de Samara Martins, da Unidade Popular, com 122.911 votos.
Hertz Dias, do PSTU, que recebeu 43.103, e Edmilson Costa, do PCB, com 22.693, também indicaram voto no petista, embora partidos e candidatos tenham mantido críticas ao governo.
| Ex-candidato | Votos no 1º turno | Posição no 2º turno |
|---|---|---|
| Augusto Cury | 3.448.569 | Flávio |
| Renan Santos | 2.675.887 | Nenhum |
| Ronaldo Caiado | 2.605.148 | Flávio |
| Romeu Zema | 326.488 | Flávio |
| Samara Martins | 122.911 | Lula |
| Hertz Dias | 43.103 | Lula |
| Clariana Barão | 40.043 | Flávio |
| Edmilson Costa | 22.693 | Lula |
| Wilson Grassi | 16.881 | Sem declaração |
| Rui Costa Pimenta | 15.024 | Voto nulo |
Renan Santos é o maior bloco ainda fora dos dois palanques. Seus 2.675.887 votos equivalem sozinhos a 28,7% de toda a votação dos candidatos eliminados.
O presidente do Missão afirmou que não pedirá voto nem para Lula nem para Flávio.
Rui Costa Pimenta e o PCO orientaram voto nulo. Wilson Grassi, do Democrata, ainda não havia anunciado apoio público a nenhum dos finalistas até o fechamento deste levantamento.
Partidos nacionais
A vantagem de Flávio entre dirigentes partidários é mais larga do que entre seus antigos concorrentes.
Além do próprio PL, a candidatura recebeu apoio nacional da federação formada por União Brasil e Progressistas, do Republicanos, do Podemos e do Novo.
A Democracia Cristã também se aproximou da candidatura junto com Clariana Barão.
A declaração da ex-presidenciável foi feita em nome de uma caminhada conjunta do partido com Flávio, ampliando um arco que já reúne parte relevante das legendas de centro e direita.
Lula mantém como núcleo nacional a federação formada por PT, PCdoB e PV, além de PSB, PDT e da federação PSOL-Rede.
No campo mais à esquerda, UP, PSTU e PCB optaram pelo voto no presidente no segundo turno, embora as duas últimas siglas mantenham posição crítica em relação ao governo.
PSD e PSDB escolheram não adotar uma candidatura presidencial nacionalmente.
A decisão abriu espaço para que diretórios, governadores, parlamentares e lideranças locais tomem posições diferentes.
O PSD é o caso mais evidente. O partido permanece neutro, mas seu candidato presidencial, Ronaldo Caiado, está na campanha de Flávio. Outros integrantes da legenda podem permanecer no campo de Lula.
MDB dividido
Nenhuma grande legenda mostra a fragmentação do segundo turno de forma tão clara quanto o MDB.
Baleia Rossi informou que 17 dos 27 diretórios estaduais caminham com Flávio. Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo, tornou-se uma das principais lideranças emedebistas na articulação dessa adesão e participou das conversas com Tarcísio de Freitas e a direção nacional.
A estrutura ligada a Lula, porém, permanece dentro do mesmo partido. Helder Barbalho, Eduardo Braga, Marcelo Castro, Veneziano Vital do Rêgo, Renan Filho e Renan Calheiros estão entre as lideranças associadas à ala que defende o presidente.
Michel Temer tomou caminho diferente e declarou apoio pessoal a Flávio. O ex-presidente se tornou um dos nomes de maior projeção nacional do MDB no palanque do senador.
Novo Congresso
A eleição parlamentar acrescenta outra dimensão ao mapa. Os partidos que declararam apoio nacional a Flávio elegeram, juntos, 286 dos 513 deputados federais que assumirão em 2027.
O grupo é formado por 121 deputados do PL, 87 de União Brasil e PP, 41 do Republicanos, 27 do Podemos e dez do Novo.
Isso corresponde a 55,8% da Câmara. É mais do que os 257 votos de uma maioria absoluta, mas menos do que os 308 necessários para aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição.
No Senado, essas mesmas legendas somam 50 das 81 cadeiras projetadas para a próxima legislatura. Nesse caso, a soma supera tanto os 41 votos da maioria absoluta quanto os 49 exigidos para uma PEC.
O núcleo partidário alinhado a Lula elegeu 124 deputados federais e 15 senadores. A Federação Brasil da Esperança terá 88 deputados, seguida por PSB e PSOL-Rede, com 15 cada, e PDT, com seis.
As contas representam tamanho partidário, não uma bancada presidencial automática. O próprio segundo turno já produz exceções dentro dessas legendas.
Duas dissidências
Hugo Motta é a principal delas. O presidente da Câmara pertence ao Republicanos, que fechou apoio nacional a Flávio. Motta fez campanha para Lula na Paraíba e permaneceu ao lado do presidente mesmo depois da decisão de seu partido.
Lula afirmou, após reunião no Palácio da Alvorada, que o deputado o ajudaria no segundo turno.
No Senado ocorre situação semelhante com Davi Alcolumbre. O União Brasil integra a federação que formalizou apoio a Flávio, mas o presidente do Senado manteve interlocução com o governo e não participou do movimento partidário de adesão ao candidato do PL.
As posições criaram uma disputa que ultrapassa a eleição presidencial. Flávio já demonstrou resistência às reconduções de Motta e Alcolumbre ao comando das duas Casas em fevereiro de 2027, enquanto dirigentes de Republicanos e União Brasil tentam separar o apoio presidencial das eleições internas do Congresso.
Nomes de peso
Ao redor de Flávio estão alguns dos políticos que saíram fortalecidos das urnas de outubro.
Tarcísio de Freitas participa diretamente da articulação com partidos e governadores. Tereza Cristina, do PP, tornou-se uma das vozes do apoio da federação União-PP, enquanto Rogério Marinho atua na coordenação política da campanha.
Guilherme Derrite, eleito para o Senado por São Paulo, integra esse grupo. Gracinha Caiado, eleita senadora por Goiás, e Mauro Mendes, eleito para o Senado em Mato Grosso, também estão no campo de Flávio.
Michelle Bolsonaro participa da mobilização política do PL e foi eleita para o Senado pelo Distrito Federal. Bia Kicis, também eleita senadora no DF, permanece no mesmo campo. Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato estão entre os deputados federais com forte capacidade de mobilização digital alinhados ao candidato.
Ricardo Nunes acrescenta a Prefeitura de São Paulo à rede política de apoio. Ciro Nogueira permanece entre os principais articuladores do Progressistas, mesmo após não conseguir a reeleição ao Senado.
Lula preserva nomes que atravessam partidos fora de seu núcleo formal. Além de Hugo Motta e Davi Alcolumbre, o presidente mantém ao seu lado lideranças do MDB como Helder Barbalho, eleito senador pelo Pará, Eduardo Braga, reeleito no Amazonas, Marcelo Castro, reeleito no Piauí, e Veneziano Vital do Rêgo, reeleito na Paraíba.
Na Câmara, Erika Hilton chegou ao segundo turno presidencial após ser reeleita com votação superior a 1,5 milhão de votos em São Paulo e participa da mobilização pela candidatura petista.
Sâmia Bomfim também integra a frente digital, enquanto André Janones voltou a operar uma grande rede de distribuição política pelo WhatsApp durante a campanha.
Governos definidos
A capilaridade estadual apresenta vantagem numérica de Flávio entre os governadores que já têm mandato definido para 2027.
Dos 21 estados em que a eleição para governador já terminou, 12 governadores eleitos ou reeleitos estão no campo de Flávio, cinco apoiam Lula e quatro não declararam apoio a nenhum dos dois.
| Estado | Governador | Apoio |
|---|---|---|
| São Paulo | Tarcísio de Freitas | Flávio |
| Minas Gerais | Cleitinho Azevedo | Flávio |
| Rio de Janeiro | Douglas Ruas | Flávio |
| Paraná | Sergio Moro | Flávio |
| Rio Grande do Sul | Luciano Zucco | Flávio |
| Santa Catarina | Jorginho Mello | Flávio |
| Pará | Dr. Daniel | Flávio |
| Goiás | Daniel Vilela | Flávio |
| Mato Grosso | Otaviano Pivetta | Flávio |
| Mato Grosso do Sul | Eduardo Riedel | Flávio |
| Rondônia | Marcos Rogério | Flávio |
| Roraima | Arthur Henrique | Flávio |
| Bahia | Jerônimo Rodrigues | Lula |
| Ceará | Elmano de Freitas | Lula |
| Piauí | Rafael Fonteles | Lula |
| Paraíba | Lucas Ribeiro | Lula |
| Sergipe | Fábio Mitidieri | Lula |
| Alagoas | JHC | Sem declaração |
| Amapá | Dr. Furlan | Sem declaração |
| Maranhão | Eduardo Braide | Sem declaração |
| Pernambuco | Raquel Lyra | Sem declaração |
O desenho também mostra diferenças regionais. Os cinco governadores já definidos que apoiam Lula estão no Nordeste.
Flávio reúne governos nas regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Norte, além de contar com estruturas partidárias estaduais onde a eleição ainda não terminou.
Estados abertos
Seis unidades da Federação ainda escolherão governador no segundo turno. Os 12 candidatos dessas disputas também entram na rede presidencial.
Flávio possui sete candidatos estaduais declaradamente alinhados, Lula tem três e outros dois permanecem sem adesão pública definida.
| Estado | Candidato | Apoio presidencial |
|---|---|---|
| Acre | Alan Rick | Flávio |
| Acre | Mailza Assis | Flávio |
| Amazonas | Maria do Carmo Seffair | Flávio |
| Amazonas | Omar Aziz | Lula |
| Distrito Federal | Celina Leão | Flávio |
| Distrito Federal | Leandro Grass | Lula |
| Espírito Santo | Lorenzo Pazolini | Flávio |
| Espírito Santo | Ricardo Ferraço | Sem declaração |
| Rio Grande do Norte | Cadu Xavier | Lula |
| Rio Grande do Norte | Allyson Bezerra | Sem declaração |
| Tocantins | Professora Dorinha | Flávio |
| Tocantins | Vicentinho Jr. | Flávio |
Acre e Tocantins já têm uma particularidade, independentemente de quem vencer a disputa estadual, o próximo governador estará hoje no campo de Flávio.
Amazonas e Distrito Federal reproduzem a divisão presidencial diretamente dentro da eleição para governador. Maria do Carmo Seffair e Celina Leão apoiam Flávio; Omar Aziz e Leandro Grass estão com Lula.
Famosos divididos
Declarações públicas atualizada durante o segundo turno registrava 399 personalidades com apoio explícito a Lula e 217 com apoio explícito a Flávio.
Considerando apenas esses 616 nomes declarados, Lula concentra 64,8% e Flávio, 35,2%.
O número não mede voto e tampouco influência eleitoral. Uma declaração de um artista com milhões de seguidores e a de uma personalidade de nicho entram como uma manifestação cada.
O levantamento é útil para medir quantidade e perfil das adesões, não quantos eleitores cada pessoa consegue mobilizar.
A diferença é especialmente ampla na música. A base contabiliza 93 nomes alinhados a Lula contra 16 ligados a Flávio. Entre atores e atrizes, são 71 para Lula e nove para Flávio.
Entre influenciadores digitais, a distância diminui: 148 aparecem com Lula e 102 com Flávio. No universo de streamers, o equilíbrio é ainda maior, com 18 para Lula e 17 para Flávio.
Já entre atletas, Flávio aparece à frente, com 13 declarações contra sete de Lula. Entre jornalistas contabilizados na base, são dez para Flávio e oito para Lula.
| Área | Lula | Flávio |
|---|---|---|
| Influenciadores | 148 | 102 |
| Música | 93 | 16 |
| Atores e atrizes | 71 | 9 |
| Streamers | 18 | 17 |
| Atletas | 7 | 13 |
| Jornalistas | 8 | 10 |
| Apresentadores | 9 | 3 |
Lula recebeu manifestações de alguns dos nomes mais conhecidos da música brasileira.
Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque participaram de uma mobilização musical pela candidatura.
Maria Bethânia, Ivete Sangalo, Chico César, Zeca Pagodinho, Daniela Mercury e Paulinho da Viola também estão entre os artistas que se posicionaram no mesmo campo.
Anitta declarou voto no presidente durante o segundo turno. Xamã aparece entre os músicos mobilizados pela candidatura, enquanto Xuxa e Marcelo Serrado também manifestaram apoio.
No audiovisual, Sophie Charlotte, Malu Mader, Débora Falabella, Gloria Pires, Marieta Severo, Claudia Abreu e Betty Gofman estão entre os nomes que se posicionaram a favor de Lula.
Igão e Mítico, do Podpah, também fizeram declarações favoráveis ao presidente, ampliando a presença da candidatura entre produtores de conteúdo voltados ao público mais jovem.
Campo bolsonarista
Flávio recebeu apoio declarado de Amado Batista. O cantor já possuía histórico de proximidade com o campo bolsonarista e confirmou sua posição no segundo turno.
Neymar também manifestou apoio ao candidato do PL. O jogador publicou mensagem chamando Flávio de “meu presidente” e simultaneamente demonstrou apoio a Nikolas Ferreira.
Rico Melquiades declarou voto em Flávio e criticou artistas posicionados ao lado de Lula.
O ator Victor Fasano também aderiu ao candidato. Penélope Nova está entre os nomes que tornaram pública sua posição.
Pablo Marçal ocupa uma categoria diferente. Impedido de disputar a Presidência, ele não aparece na conta dos dez candidatos eliminados nas urnas, mas entrou na campanha de Flávio e oferece ao senador uma estrutura própria de audiência digital.
Leonardo e Zezé Di Camargo fizeram movimentos interpretados publicamente como aproximações do campo de Flávio.
Ana Castela, teve aproximações com figuras bolsonaristas que circularam nas redes.
Regina Duarte fez o gesto de número 22 em uma manifestação recente, enquanto Renato Gaúcho reafirmou identificação com o bolsonarismo.
Agro e fé
A Frente Parlamentar da Agropecuária declarou apoio a Flávio e entregou ao candidato uma agenda de prioridades do setor.
O movimento acrescenta à campanha uma organização com presença própria na Câmara e no Senado, separada da simples soma das direções partidárias.
Silas Malafaia permanece entre as lideranças evangélicas mais ativas no campo de Flávio.
Sua participação combina articulação religiosa e capacidade de mobilização política construída ao lado do bolsonarismo nos últimos anos.
Lula também possui uma estrutura religiosa organizada fora das cúpulas partidárias.
A Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito reúne lideranças como Kleber Lucas, Marco Davi de Oliveira e Ariovaldo Ramos entre os nomes que atuam no campo progressista e apoiam o presidente.
Sem candidato
Renan Santos concentra a maior votação entre os presidenciáveis eliminados sem apoio a Lula ou Flávio.
O PSD mantém neutralidade nacional apesar da decisão pessoal de Caiado. O PSDB também liberou seus integrantes, embora parte de seus diretórios estaduais esteja mais próxima da candidatura de Flávio.
JHC, Dr. Furlan, Eduardo Braide e Raquel Lyra estão entre os governadores já definidos sem declaração presidencial contabilizada até o fechamento.
Ricardo Ferraço e Allyson Bezerra disputam governos estaduais sem adesão formal a um dos presidenciáveis.
Entre personalidades de grande alcance, nomes como Selton Mello, Sandy, Rodrigo Santoro, Carolina Dieckmann, Gisele Bündchen, Whindersson Nunes, Vini Jr. e Casimiro Miguel estavam entre os cobrados nas redes por uma posição, mas não devem ser classificados como apoiadores de qualquer candidato sem manifestação pública inequívoca.
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