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Justiça

Os Master amigos

A fraude bilionária contou com uma série de aliados de Vorcaro em Brasília

Master
O ex-dono do banco, Daniel Vorcaro, tinha uma rede de conhecidos que estão na mira da PF nas investigações (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

O Banco Master foi responsável pela venda de títulos podres ao Banco Regional de Brasília (BRB), ocasionando nas investigações anunciadas em novembro de 2025 pelo Banco Central. Os primeiros detalhes sobre essas irregularidades foram enviadas em julho pela autoridade monetária ao Ministério Público da União (MPU).

A fraude da instituição financeira resultou em um rombo de pelo menos R$ 50 bilhões no Sistema Financeiro Nacional (SFN). Além disso, descobriu-se que o ex-dono do banco, Daniel Vorcaro, tinha uma rede de conhecidos que estão na mira da Polícia Federal nas investigações.

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Vorcaro foi preso pela primeira vez no dia 18 de novembro de 2025, e solto 10 dias depois. Quase quatro meses depois, no dia 4 de março de 2026, o banqueiro foi preso novamente, na 2ª fase da Operação Compliance Zero. 

Entre os envolvidos com o empresário, estão o senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL), bem como aliados e colegas de partido. O banqueiro também mantinha conversas e negociações com figuras políticas do governo atual. No entanto, vale lembrar que a relação entre esses nomes e Vorcaro não indica crime formal.

A Liga do Banco Master

Aliados de Flávio Bolsonaro

O senador Flávio Bolsonaro entrou na mira da PF após o vazamento de mensagens e áudios que comprovam negociação direta de recursos entre o parlamentar e Daniel Vorcaro para financiar o film "Dark Horse". 

Flávio teria solicitado cerca de R$ 131 milhões ao banqueiro, dos quais R$ 60 milhões teriam sido pagos. O senador é investigado por suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e outros crimes relacionados ao financiamento do filme, mas nada foi comprovado até o momento. Vale lembrar que a investigação foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e teve parte do sigilo retirada.

Por sua vez, o primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro nega irregularidades. Veja alguns aliados a Flávio que estão mencionados no caso Master:

  • Eduardo Bolsonaro (PL) — Aparece em relatos sobre a administração dos recursos destinados ao filme "Dark Horse" e a estrutura financeira utilizada no exterior, incluindo referências ao fundo Havengate e ao advogado Paulo Calixto. No momento, ele é citado no material relacionado à investigação sobre o financiamento do filme. O deputado cassado nega qualquer vínculo com Vorcaro;
  • Mario Frias (PL-SP) — Deputado federal e produtor-executivo de Dark Horse. A PF apura possíveis irregularidades envolvendo cerca de R$ 2 milhões em emendas parlamentares destinadas à produção. Frias foi alvo de buscas em setembro de 2026 no contexto da investigação. É importante destacar que busca e apreensão não equivalem a denúncia ou condenação;
  • Ciro Nogueira (PP-PI) — Ex-ministro da Casa Civil de Bolsonaro. É citado em apurações sobre supostos pagamentos e atuação em favor do Master no Congresso, incluindo a proposta conhecida como “emenda Master”, que ampliaria a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos. O senador ainda mantinha relação próxima a Vorcaro. A defesa alega perseguição política em ano eleitoral;
  • Cláudio Castro (PL-RJ) — Ex-governador do Rio de Janeiro. Seu nome aparece nas apurações sobre investimentos do Rioprevidência em títulos do Master. O ex-governador fazia parte da estratégia eleitoral do PL no Rio de Janeiro ao lado do senador Flávio Bolsonaro;
  • Ibaneis Rocha (MDB-DF) — Ex-governador do Distrito Federal. O então governador manteve contato direto com o banqueiro durante o período em que o Banco de Brasília (BRB), controlado pelo governo distrital, tentava comprar parte do Banco Master. Ele recebeu pelo menos três pedidos de impeachment antes de renunciar do cargo.
  • Fábio Wajngarten — Ex-chefe da Secretaria de Comunicação Social do governo Bolsonaro. Uma empresa ligada a ele recebeu ao menos R$ 3,8 milhões do Master em 2025, segundo dados fiscais divulgados pela imprensa. Ele afirmou que integra a equipe de defesa de Vorcaro e presta serviços a ele;
  • Nikolas Ferreira (PL-MG) — Aparece em áudios nos quais pede ajuda a Vorcaro para seu advogado e ex-assessor em uma questão relacionada a um ativo de mineração. Ele não é formalmente investigado no mesmo procedimento do "Dark Horse". O deputado confirmou os áudios, afirmou que não recebeu dinheiro do banqueiro e disse que inicialmente não sabia quem ele era;
  • Roberto Campos Neto — Ex-presidente do Banco Central indicado por Bolsonaro e possível indicado de ministro da Fazenda em provável governo de Flávio. Sua gestão é citada no debate sobre a expansão do Master e a supervisão bancária, apesar de não haver investigação da PF especificamente sobre Neto;
  • João Carlos Bacelar (PL-BA) — Deputado federal citado em documentos sobre uma negociação imobiliária com Vorcaro em Trancoso, na Bahia. Não há investigação oficial;
  • João Henrique Caldas, JHC (PL-AL) — Prefeito de Maceió. O fundo previdenciário municipal investiu R$ 97 milhões em letras financeiras do Master. A aplicação entrou no radar das apurações sobre investimentos previdenciários no banco;
  • Paulo Calixto — Advogado ligado a Eduardo Bolsonaro, citado na apuração sobre a gestão dos recursos do filme "Dark Horse" e a estrutura financeira utilizada no exterior.

Aliados de Lula e do PT

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por sua vez, recebeu Vorcaro no Palácio do Planalto em dezembro de 2024, em reunião intermediada por Guido Mantega.

Na semana passada, uma reportagem da Veja indicou que Vorcaro teria patrocinado em R$ 30 milhões um documentário sobre a história de Lula, em pagamentos feitos ao Instituto Lula. Porém, as alegações sobre o suposto patrocínio não foram comprovadas e a denúncia foi descartada. O governo afirmou que Lula determinou apuração técnica sobre o Master, sem favorecimento. A defesa do presidente repudiou as novas alegações como falsas e anunciou medidas legais.

Ainda assim, figuras próximas à Lula ou influentes no PT também estão na mira da PF. Veja os aliados de Lula mencionados no caso Master:

  • Jaques Wagner (PT-BA) — Líder do governo no Senado à época dos fatos. A PF investiga suspeitas de vantagens relacionadas a interesses do Master, incluindo tratativas envolvendo um apartamento de luxo em Salvador, caronas em aeronaves e ingressos para um show. Wagner foi alvo de busca e apreensão na nona fase da Operação Compliance Zero, em junho de 2026, e foi chamado a depor. Wagner admitiu conhecer Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, e confirmou que pediu a ele que comprasse um apartamento que pretendia adquirir posteriormente. Também reconheceu caronas e ingressos, mas negou irregularidades e afirmou que não atuou para favorecer o Master; 
  • Rui Costa (PT-BA) — Ex-governador da Bahia e ex-ministro da Casa Civil. Seu nome aparece em referências a pessoas para as quais operadores do Master planejavam enviar presentes de fim de ano e em relatos sobre relações do banco com autoridades baianas;
  • Guido Mantega (PT) — Ex-ministro da Fazenda. Uma consultoria ligada a ele recebeu R$ 14 milhões do Master, segundo dados fiscais publicados pela imprensa. Ele também intermediou o encontro entre Vorcaro e Lula. Mantega afirmou que prestou serviços de consultoria econômico-financeira ao banco;
  • Henrique Meirelles — Ex-presidente do Banco Central nos primeiros governos Lula e ex-ministro da Fazenda no governo Temer. Segundo dados fiscais publicados, recebeu R$ 18,5 milhões do Master entre 2024 e 2025 por consultoria;
  • Ricardo Lewandowski — Ex-ministro do STF e ex-ministro da Justiça de Lula. Seu nome aparece em pagamentos do Master a escritórios e empresas ligados a figuras públicas;
  • Jerônimo Rodrigues (PT-BA) — Governador da Bahia. Foi citado em uma lista de pessoas para as quais operadores do Master planejavam enviar presentes de fim de ano. A referência não comprova recebimento ou participação em irregularidades;
  • Otto Alencar (PSD-BA) — Senador aliado do governo. Sua filha, Isadora Alencar, lidera uma startup que recebeu financiamento de Vorcaro. Estágio: não consegui confirmar investigação criminal formal contra o senador por essa operação. Manifestação: segundo informações divulgadas, sua filha afirmou que os recursos vieram de um empréstimo legal. Não localizei manifestação recente do senador sobre o caso.
    Guilherme Sodré, o Guiga — Aliado próximo de Jaques Wagner. Mensagens divulgadas indicam que negociou obras de arte com Vorcaro e ajudou a aproximar o banqueiro do senador. Estágio: aparece nos registros e nas apurações sobre contatos e negócios relacionados ao Master; não consegui confirmar denúncia criminal recebida contra ele. Manifestação: não localizei resposta pública recente e detalhada sobre cada operaçã
  • Alexandre Padilha (PT-SP) — Ministro da Saúde. Seu nome foi citado em alegações atribuídas a Vorcaro sobre supostos pagamentos e acesso a fundos de pensão. Também participou de um jantar na casa do banqueiro em outubro de 2024, segundo mensagens divulgadas;
  • Paulo Okamotto — Presidente do Instituto Lula. A Veja atribuiu a Vorcaro a alegação de que R$ 30 milhões em dinheiro vivo teriam sido destinados ao instituto para financiar um documentário sobre Lula. Não há qualquer comprovação concreta do suposto pagamento. A defesa de Lula repudiou as alegações como falsas e anunciou medidas legais;
  • João Vaccari Neto — Ex-tesoureiro do PT. Foi citado em alegações atribuídas a Vorcaro sobre supostos pagamentos em troca de acesso a fundos de pensão federais.

Outros políticos e autoridades citados no caso

  • Michel Temer (MDB) — Ex-presidente da República. Seu escritório recebeu pagamentos do Master por serviços de mediação relacionados a uma tentativa de negócio envolvendo o BRB;
  • Antonio Rueda (União Brasil) — Presidente do partido. Escritórios ligados a ele receberam pagamentos do Master por serviços jurídicos declarados;
  • ACM Neto (União Brasil-BA) — Ex-prefeito de Salvador. Uma empresa ligada a ele recebeu pagamentos por consultoria. Vorcaro também o citou em uma proposta de delação;que não foi aceita;
  • Marconi Perillo (PSDB-GO) — Ex-governador de Goiás. Uma empresa de consultoria ligada a ele recebeu R$ 14,5 milhões do Master entre 2022 e 2025, segundo dados fiscais divulgados pela imprensa;
  • Hugo Motta (Republicanos-PB) — Presidente da Câmara dos Deputados. Aparece em relatos sobre contatos com Vorcaro, eventos e despesas custeadas pelo banqueiro. Também foi noticiado que pediu empréstimo para uma empresa de sua cunhada.

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