Publicidade
Política

O telefone e a imagem de Alcolumbre

Preocupado com o seu futuro no comando do Senado, Alcolumbre tem telefonado para senadores, inclusive do PL, pedindo apoio para votar a proposta

O telefone e a imagem de Alcolumbre
A proposta no Senado escancara que a liderança quer usar a pauta nestas eleições para melhorar sua imagem institucional Waldemir Barreto/Agência Senado

Há dois dias o senador Davi Alcolumbre (União-AP) tem usado a chapelaria do Congresso para declarar à imprensa que tem respeitado o rito constitucional na tramitação da PEC 6x1. A crise de imagem, contudo, já está instalada.

O governo tenta fazer a proposta tramitar fora do rito habitual. A oposição, por sua vez, não quer que a matéria seja avaliada antes do segundo turno. Nesse cenário, Alcolumbre tenta emplacar a pauta em busca de recuperar sua própria reputação, e não para favorecer o Palácio do Planalto.

Publicidade

Fontes ouvidas pelo O Brasilianista confirmaram que Alcolumbre está preocupado com o seu futuro no comando do Senado. Para contornar o desgaste, tem telefonado para senadores, inclusive do Partido Liberal (PL), pedindo apoio para votar a proposta.

40 horas e a popularidade

Pelo texto, a proposta reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial. A oposição ainda avalia detalhes das alterações no texto, mas há consenso de que não é viável pautar a matéria antes do segundo turno.

O senador Rogério Marinho (PL-RN) cobra que Davi Alcolumbre cumpra rigorosamente o rito constitucional. Já o senador Wellington Fagundes (PL-MT) apontou que há diversos aspectos em análise, incluindo a constitucionalidade e o impacto eleitoral da medida.

Nos bastidores, a dúvida é se haverá votação nos dois turnos antes do pleito. A decisão cabe a Alcolumbre, que afirma que colocará o tema em pauta para avaliação dos senadores.

Diálogo

A senadora Tereza Cristina (PP-MS) ficou responsável pelo diálogo com o presidente da Casa para defender que seja feita apenas a discussão neste momento, deixando a votação definitiva para depois das eleições.

O PT quer acelerar a tramitação. A senadora e líder Teresa Leitão (PT-PE) disse que o governo trabalha na apresentação de um requerimento de calendário especial.

Alcolumbre afirma manter a coerência, alegando que, até o momento, não foi apresentado nenhum pedido formal de quebra de interstício ou de calendário especial. Com o documento em mãos, ele promete colocá-lo para deliberação do plenário.

Em paralelo, restam poucos parlamentares da base no Senado dispostos a atuar para ampliar a discussão. Senadores da oposição, como Damares Alves (Republicanos-DF), Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS), participaram de uma reunião para discutir a proposta e alinhar o foco na campanha e na eleição de Flávio Bolsonaro no segundo turno.

Marinho exige que Alcolumbre cumpra o regimento e evite atropelos, argumentando que o intervalo até o segundo turno não oferece tempo suficiente para deliberar antes das eleições, além de criticar a inclusão da pauta às vésperas do pleito.

O governo tenta transferir para a oposição a responsabilidade por um eventual travamento da votação. Marinho declarou que, até o momento, votará pela abstenção, embora ainda não tenha confirmado se essa será a orientação oficial para toda a bancada.

Poder enfraquecido

Pelo tapete azul, a percepção ao conversar com assessores próximos ao PT, após o primeiro turno, é de conformismo com a derrota. Paralelamente, especula-se sobre os rumos do próprio líder do Senado com relação à disputa pela presidência da Casa, cenário em que a oposição já descarta o seu nome.

Damares Alves disse ao O Brasilianista que a articulação em torno da candidatura de Rogério Marinho já é uma realidade em andamento. Nos bastidores, duvida-se que Alcolumbre compreenda a dimensão do que está em jogo para o próximo ano, já que uma renovação de mandatos não garante a sua continuidade no comando do Senado.

Vale lembrar que o seu próprio partido, por meio da Federação União-PP, aprovou o apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro no segundo turno. Marinho ainda não se encontrou com Alcolumbre após o primeiro turno e nem sequer foi consultado sobre a condução da pauta.

Mesmo sem a presença de Antônio Rueda e Ciro Nogueira na reunião, o grupo, com o respaldo da maioria, decidiu apoiar o filho do ex-presidente para o comando do Executivo nos próximos quatro anos.

Diferente do cenário de sua eleição anterior, Alcolumbre não deverá contar com os votos do Partido Liberal nem com o apoio de Flávio Bolsonaro para renovar sua permanência na presidência da Casa.

Siga nossas redes sociais: O Brasilianista!