O senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), é um grande defensor de privatizações. Em sua campanha para as eleições de 2026, ele já afirmou que pretende privatizar cerca de 95% das estatais.
A equipe econômica do senador também prioriza o ajuste fiscal para, como resultado, reduzir os juros e o custo Brasil, além de revisar incentivos por meio de uma Super PEC de corte de gastos e de uma reforma no modelo eleitoral.
Em fevereiro, Flávio falou em privatizar 95% das estatais; em junho, disse que os Correios deveriam ser privatizados e que outras estatais poderiam ser vendidas; em agosto/setembro sua equipe passou a falar em uma política mais seletiva; e na última quinta-feira (08), o coordenador econômico Adolfo Sachsida declarou que Petrobras, BB e Caixa não serão privatizados.
Ainda assim, não está concreto qualquer projeto de privatização caso seja eleito no próximo dia 25 de outubro.
O Brasilianista reuniu todas as vezes que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro foi à favor da privatização de alguma estatal e sua justificativa em cada caso.
As privatizações de Flávio
Correios
Flávio Bolsonaro defendeu explicitamente a privatização dos Correios. Em junho de 2026, afirmou que o órgão “tem que ser privatizado” e que outras estatais também deveriam entrar na lista.
Em 2021, durante a tramitação do PL 591/2021, que permitia a desestatização dos Correios, o senador fez discurso favorável à privatização e disse que a capitalização da empresa poderia trazer investimentos, tecnologia e empregos.
Petrobras
Em abril de 2022, ele disse que era favorável à privatização da Petrobras, uma das maiores estatais do Brasil e com uma das maiores presenças na Bolsa de Valores, e afirmou que o então governo Jair Bolsonaro havia autorizado estudos sobre o assunto.
Ele chegou a defender a privatização como solução para a questão dos preços dos combustíveis. Em dezembro de 2025, disse também que era favorável a avaliar a privatização dos Correios e o desinvestimento de segmentos da Petrobras.
Em junho de 2026, afirmou que algumas empresas dentro da própria Petrobras poderiam ser privatizadas e gerar “algumas centenas de bilhões” no primeiro ano.
O Brasilianista já mostrou como especialistas e entidades do setor de petróleo avaliam que a privatização da BR Distribuidora — principal distribuidora do petróleo do país — eliminou o controle estratégico do Estado sobre a cadeia de fornecimento. Esse fator contribui para que o Brasil não tenha ferramentas institucionais para frear a especulação em momentos de crise.
Banco do Brasil
Flávio Bolsonaro não chegou a afirmar diretamente que o Banco do Brasil seria privatizado. No entanto, a integrante de sua equipe econômica Daniella Marques afirmou em setembro que o BB poderia tomar esse rumo.
Vale lembrar que o Banco do Brasil é uma das insituições financeiras mais antigas do país. Para além dos riscos de demissões em massa e mudança na qualidade dos serviços, uma possível privatização do BB pode mexer diretamente com as entidades que cuidam da saúde e previdência complementar dos funcionários do banco (Cassi e Previ).
É importante destacar ainda que as estatais representam boa parte do retorno financeiro da União. Mesmo com vendas bilionárias, a privatização pode desequilibrar as contas públicas ao modificar diretamente no controle do Estado sobre "vacas leiteras" do governo, como é o caso da Petrobras.
PEC das Praias
O senador foi relator e apresentou parecer favorável à PEC 3/2022, que permite a transferência a particulares, estados e municípios deterrenos de marinha atualmente pertencentes à União.
A proposta ficou conhecida como “PEC das Praias”, embora Flávio sustente que ela não privatiza as praias, que continuariam sendo bens públicos de uso comum.
Como relator da PEC, ele apresentou três relatórios favoráveis à proposta: em 2023, 2023 novamente e, depois, um relatório reformulado em 17 de julho de 2024, também com voto favorável.
A proposta permite a transferência da propriedade dos chamados terrenos de marinha — áreas atualmente pertencentes à União — para particulares ocupantes, estados e municípios. Particulares pagariam pela transferência; estados e municípios receberiam gratuitamente.
Em junho de 2024, Flávio apresentou mudanças no texto para deixar expressamente estabelecido que as praias continuariam sendo bens públicos de uso comum.
Ele também declarou publicamente que a PEC não privatiza praias, mas a proposta trata dos terrenos ocupados, e não da faixa de areia propriamente dita.
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