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Política

Centrão que apoiou Flávio rejeita carta e até Valdemar critica contestação eleitoral

TSE, presidido por Kassio Nunes Marques, indicado ao Supremo por Jair Bolsonaro, reafirma a legitimidade das urnas

Valdemar Costa Neto
Partidos aliados reconhecem a vitória de Lula (Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil)

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, criticou nesta quinta-feira (29) a carta em que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) contestou a derrota na eleição presidencial e chegou a se declarar o verdadeiro presidente eleito do Brasil.

“Não gostei”, afirmou o dirigente, antes de visitar Jair Bolsonaro em Brasília. A manifestação ocorre após partidos do Centrão que apoiaram Flávio no segundo turno, como União Brasil e Progressistas, reconhecerem a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), presidido por Kassio Nunes Marques, ministro indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo próprio Jair Bolsonaro, também reafirmou a legitimidade da votação.

Na carta divulgada na quarta-feira (28), Flávio alegou fraude eleitoral sem apresentar provas e afirmou que comandaria a oposição do exterior.

A primeira versão do documento o apresentava como presidente eleito, expressão retirada minutos depois e substituída por “líder do Brasil”. 

Valdemar rejeita carta

Antes mesmo da publicação da carta, Valdemar havia assinado uma nota reconhecendo o resultado proclamado pela Justiça Eleitoral.

O partido, portanto, não aderiu institucionalmente à alegação de fraude apresentada por seu candidato.

Nesta quinta-feira, o dirigente se preparava para uma reunião com Jair Bolsonaro, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes.

O encontro foi marcado na residência onde o ex-presidente cumpre prisão domiciliar, em Brasília, em meio às discussões sobre os rumos da sigla após a eleição.

A saída de Flávio do país surpreendeu integrantes da cúpula do PL. Diante da repercussão, Valdemar convocou dirigentes estaduais para discutir a reorganização partidária e alinhar a atuação política da legenda.

O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial, também se distanciou das acusações.

Ele afirmou que não foi consultado sobre a divulgação do documento e que não possui elementos para sustentar a existência de fraude.

“Eu não posso fazer essa afirmação, não tenho provas e eu acabei de dizer que é um desabafo de alguém que está se sentindo injustiçado”, declarou Marinho

O parlamentar também afirmou que a campanha poderá apresentar questionamentos específicos sobre suposto abuso de poder econômico, mas diferenciou essa possibilidade de uma acusação genérica contra o resultado das urnas.

Centrão reconhece derrota

O União Brasil, que apoiou Flávio no segundo turno, divulgou uma nota afirmando que a eleição de 25 de outubro ocorreu com lisura e que a vontade dos eleitores deve ser respeitada.

O posicionamento foi assinado pelo presidente nacional da legenda, Antonio Rueda, aliado político do senador.

No comunicado, o partido classificou a democracia como um valor inegociável e defendeu que o compromisso com as instituições não dependa do candidato vencedor.

“A eleição terminou. O Brasil continua, e precisa de todos nós”, afirmou o União Brasil.

A manifestação possui peso político porque a sigla integrou a articulação que ampliou a base de apoio de Flávio após o primeiro turno.

A Federação União Progressista, formada pelo União Brasil e pelo PP, também reconheceu o resultado, estabelecendo uma posição diferente daquela defendida pelo candidato derrotado.

O MDB, presidido por Baleia Rossi, adotou postura semelhante. Embora a legenda não tenha apoiado nacionalmente Flávio de maneira uniforme, parte de seus dirigentes e representantes regionais participou da campanha.

Em nota, o partido declarou que “reafirma sua total confiança no sistema eleitoral brasileiro e, portanto, na legitimidade do resultado do pleito do último domingo”.

Também houve manifestações de reconhecimento por parte de Republicanos e Podemos, siglas que apoiaram o senador na etapa final da disputa. 

Kassio defende votação

A resposta institucional do TSE ganhou relevância pelo histórico de seu presidente.

Kassio Nunes Marques foi indicado ao STF por Jair Bolsonaro em 2020 e comandou a Justiça Eleitoral durante a disputa presidencial entre Lula e Flávio.

Sem mencionar diretamente o senador, o ministro divulgou uma nota na quarta-feira em que afirmou que as eleições ocorreram dentro das regras constitucionais.

“Com o empenho de servidores públicos de todo o país, dos mesários, das forças de segurança e dos demais atores envolvidos, as Eleições 2026 transcorreram dentro da mais absoluta normalidade e com respeito aos ditames legais e constitucionais”, declarou.

O presidente do TSE ressaltou que a Justiça Eleitoral garantiu o cumprimento da vontade dos eleitores e afirmou que eventuais questionamentos apresentados pelos meios legais serão analisados.

A Corte também destacou que os arquivos das urnas eletrônicas podem ser consultados e auditados, incluindo boletins de urna, registros digitais dos votos e dados de funcionamento dos equipamentos.

Um dos argumentos utilizados por Flávio para questionar o resultado foi a prorrogação da votação em locais afetados por dificuldades de transporte no domingo (25).

Entretanto, dados oficiais mostram que apenas 34.393 votos foram registrados depois das 17h, quantidade muito inferior à diferença entre os candidatos.

Lula recebeu 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos válidos, enquanto Flávio obteve 59.826.041, ou 48,21%. A vantagem do presidente reeleito foi superior a 4,4 milhões de votos.

Tarcísio pede respeito

O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que participou ativamente da campanha de Flávio, também defendeu o reconhecimento do resultado.

Em manifestação divulgada na quarta-feira, afirmou compreender a indignação do senador, mas sustentou que o caminho da oposição deve passar pelas instituições democráticas.

“A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente. Entendo o sentimento de Flávio, entendo sua indignação e sua revolta, e esse sentimento é o de muitos brasileiros também. Mas o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente”, declarou.

Tarcísio afirmou ainda que havia recomendado ao senador permanecer no Brasil após a derrota e que não sabia de seus planos de viajar aos Estados Unidos.

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), outro aliado durante a campanha, declarou que o presidente do Brasil é aquele reconhecido como eleito pelo TSE.

As manifestações ocorreram depois de ambos participarem da mobilização eleitoral em São Paulo, maior colégio eleitoral do país. 

Resistência entre aliados

A senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura no governo Jair Bolsonaro, também afirmou que a disputa eleitoral terminou.

Para ela, as forças de direita devem concentrar esforços na organização política e na defesa de suas propostas para os próximos anos.

“Agora é hora de olhar para a frente e cuidar do Brasil que queremos construir”, declarou.

O presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, classificou o comportamento de Flávio como incompreensível e afirmou que a oposição precisa ser exercida em território brasileiro, com respeito às instituições.

O PSDB havia liberado seus diretórios na eleição presidencial, permitindo que integrantes da legenda apoiassem candidatos diferentes.

A declaração de Aécio, portanto, não corresponde ao rompimento de uma aliança nacional formal com o senador.

Já o PDT, que não integrou a base de apoio de Flávio, divulgou uma nota assinada por Carlos Lupi criticando a contestação eleitoral e reafirmando o reconhecimento da vitória de Lula.

Entre os próprios parlamentares do PL, as reações também não foram uniformes. Enquanto alguns bolsonaristas compartilharam a carta e manifestaram solidariedade ao senador, o vice de sua chapa presidencial, Alfredo Gaspar (PL-AL), já havia reconhecido publicamente a derrota.

O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), ex-vice-presidente da República, considera a carta uma ação política e que não existe apoio para um golpe.

Mourão disse que eventuais suspeitas de irregularidade podem ser investigadas, mas demonstrou reservas em relação às demais alegações de Flávio.

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