Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), não será defendido por aliados da Corte na crise iniciada após André Mendonça divulgar um relatório da Polícia Federal (PF) que mostra a proximidade entre Moraes e Vorcaro.
As investigações da PF mostraram que Moraes atuou como consultor jurídico de Vorcaro e os investigadores suspeitam de venda de tráfico de influência pelo ministro. Essa é a mesma sensação dentro do STF.
Os ministros entendem que os trabalhos de parentes — como filhos, irmãos e esposas — podem se chocar com a atuação deles na Corte, mas se recusam a se expor e gastar seus capitais políticos para blindar um colega que passou a atuar diretamente nos negócios da esposa e que rendeu dezenas de milhões de reais.
Moraes não será expulso do STF pelos colegas, pois comandou a investigação que desmantelou os planos bolsonaristas de atentar contra a Corte e seus ministros.
Porém, Moraes perdeu muita força dentro do tribunal, segundo fontes com ótimo trânsito na Corte. Toda e qualquer defesa que for feita pelo Supremo ou por seus integrantes será voltada à instituição.
Essa estratégia serve para que cada ministro garanta sua blindagem própria e também para criar uma barreira coletiva contra a sanha bolsonarista no Senado por um impeachment de um ministro do STF.
Os integrantes do STF sabem que somente a abertura de um processo de impeachment, mesmo sem afastamento definitivo de ministro da Corte, é um passo irreversível rumo a um destino em que o Tribunal deixa de ser a instituição mais poderosa dos três poderes.
Banho-Maria
A situação vivida neste momento pelo STF ainda não tem uma solução. Os ministros têm discutido reservadamente o que fazer.
A única coisa que une todos é a percepção de que o caso deverá ser tratado com calma, pois isso também ajuda a baixar a fervura da imprensa, a revolta da população e o oportunismo da política no caso.
Esse cozimento lento da crise foi citado por Luiz Edson Fachin, presidente do STF, em nota divulgada na quarta-feira (2). Em vários momentos, o ministro menciona o texto a necessidade de serenidade e apuração detalhada dos fatos.
Afastamento do governo
A crise enfrentada por Moraes também está minando seus apoios junto ao Governo Lula. No começo da gestão petista, o ministro era visto como ativo importante justamente por combateu o bolsonarismo.
Porém, agora, Lula tem sido aconselhado a se afastar de Moraes. Parte desse aconselhamento tem tons de vingança, pois o ministro do STF é classificado como um dos culpados pela rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo.
Advocacia preocupada
A elite da advocacia nacional, assim como entidades que representam os vários segmentos da classe, estão preocupadas com a evolução da crise recente iniciada por André Mendonça. Fontes desses grupos afirmaram que situação é sem precedentes.

