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Política

Um passo atrás para o PL

Na Câmara e no Senado, consolida-se o apoio à recondução de Hugo Motta, enquanto articuladores já calculam a recondução de Davi Alcolumbre

Um passo atrás para o PL
Presidentes da Câmara e do Senado avançam para garantir maiorias expressivas com a adesão formal de bancadas do centro à esquerda (Ton Molina/Agência Senado)

As sinalizações políticas consolidadas após o primeiro turno, marcado por votação expressiva para o senador Flávio Bolsonaro, haviam levado o Partido Liberal (PL) a ganhar a dianteira nas negociações de ministérios e na disputa por cargos de liderança para a próxima legislatura.

Partidos de centro, como a federação União-PP, além do Novo e do Podemos, fecharam apoio às articulações logo após a primeira etapa do pleito. Naquele momento, ainda não havia confirmação se a federação União-PP entraria nas negociações para formalizar a recondução de Davi Alcolumbre ao comando do Senado.

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Nesta terça-feira (27), contudo, a recondução de Alcolumbre ganhou reforço oficial com a publicação de nota conjunta das lideranças declarando apoio à sua permanência na Presidência da Casa.

Ampliação da base de apoio

Nesta terça-feira (27), diante do forte interesse em relação à posição da bancada governista na eleição da Mesa Diretora da Câmara, os deputados Pedro Uczai (PT-SC) e Jandira Feghali (PCdoB-RJ) anunciaram a adesão formal da Federação Brasil Esperança (PT, PCdoB e PV) à candidatura de Hugo Motta.

A primeira onda de alinhamento a Motta havia sido selada por meio de declarações públicas dos presidentes e líderes partidários do União Brasil, Progressistas, PSD, Republicanos, MDB, PSDB/Cidadania, Podemos, Solidariedade e PRD.

Posteriormente, conforme antecipou O Brasilianista, o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, reuniu-se com a bancada e formalizou o apoio da legenda à recondução de Motta.

Na avaliação das lideranças, a movimentação sustenta-se no entendimento de que Hugo Motta e Davi Alcolumbre "são os nomes com mais condições para dar continuidade às pautas do governo Lula", além de conter o "avanço da direita" que, eventualmente, poderia tentar conquistar o comando de ambas as Casas.

DEM e a nova bancada

Como O Brasilianista relembrou, arranjo semelhante ocorreu em 2019, quando o antigo Democratas (DEM) conquistou o comando simultâneo da Câmara e do Senado, com a eleição do então deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ) e a vitória de Davi Alcolumbre, à época integrante da mesma sigla.

Partido
Deputados eleitos em 2026
PL121
PT70
União46
PSD43
PP41
Republicanos41
MDB36
Podemos27
PSB15
PSOL14
PCdoB11
PSDB11
Novo10
PV7
PDT6
Avante5
PRD5
Solidariedade2
Missão1
Rede1

A eleição só deve ocorrer em fevereiro de 2027. No entanto, com a nova composição de eleitos, já é possível calcular que os partidos de centro-direita se consolidam com maioria, ao menos na Câmara, para garantir a continuidade de Motta.

As bancadas dos partidos e federações que já formalizaram apoio a Hugo Motta somam 346 deputados, o que ultrapassa com folga a maioria absoluta de 257 votos necessários para a eleição na Câmara dos Deputados.

Xadrez

No Senado, Rogério Marinho (PL-RN) havia conquistado, após o desenho da nova composição parlamentar, um arranjo político favorável, despontando fortalecido para disputar a Presidência da Casa. Na Câmara, o foco principal de conversas mantinha-se na continuidade do trabalho de Hugo Motta (Republicanos-PB), tido como prioridade para a condução dos trabalhos legislativos.

O líder Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), por sua vez, também chegou a ser cotado para disputar o comando da Câmara no próximo ano.

A guinada no tabuleiro político ocorreu no pós-segundo turno, quando as expectativas de parlamentares alinhados ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foram frustradas, alterando o cálculo de forças em Brasília.

Diante do novo quadro, a tendência é que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apoie a recondução dos atuais presidentes de ambas as Casas para o próximo mandato, dando início ao alinhamento da pauta de prioridades da nova legislatura.

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