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Geopolítica

Saiba quais países estão mais expostos às pressões econômicas dos Estados Unidos

Ameaças de Trump sobre Teerã se somam a tarifas que já atingem 60 mercados

Saiba quais países estão mais expostos às pressões econômicas dos Estados Unidos

A ameaça de Donald Trump de punir países que mantenham relações econômicas com o Irã mostra como Washington utiliza o comércio e o sistema financeiro para pressionar governos estrangeiros. A estratégia atinge diretamente Teerã, mas também cria riscos para China, Índia, Japão, Coreia do Sul e Brasil.

Em 19 de agosto, o presidente americano anunciou uma “operação econômica mais esmagadora” contra o Irã e advertiu que empresas, instituições financeiras e governos que ajudarem o país poderão sofrer consequências.

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No dia seguinte, o ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, classificou a iniciativa como uma tentativa de desviar a atenção dos problemas econômicos americanos e disse que ela provocaria “mais derrota” aos Estados Unidos.

O Brasilianista já mostrou que a disputa entre Washington e Pequim envolve comércio, investimentos, tecnologia, minerais estratégicos e influência sobre o Sul Global.

China reúne os maiores pontos de tensão

A China ocupa uma posição particularmente sensível porque mantém uma das principais relações comerciais com o Irã e, ao mesmo tempo, enfrenta medidas tarifárias dos Estados Unidos.

Pequim foi o principal parceiro comercial iraniano. Em 2022, o Irã exportou US$ 22 bilhões (R$ 114,11 bilhões) em produtos para os chineses, enquanto as importações chegaram a US$ 15 bilhões (R$ 78,24 bilhões).

A relação ganha peso porque o governo americano ameaça atingir não apenas empresas iranianas, mas também estruturas estrangeiras que contribuam para manter a economia de Teerã funcionando.

Índia mantém relação comercial com Teerã

A Índia também aparece entre os países que podem acompanhar de perto os efeitos da nova política americana.

Nos primeiros dez meses de 2025, o comércio entre Nova Délhi e Teerã somou US$ 1,34 bilhão (R$ 6,95 bilhões). Entre os principais produtos indianos enviados ao mercado iraniano estão arroz, frutas, verduras, medicamentos e produtos farmacêuticos.

Ao mesmo tempo, a Índia recebeu tarifa americana de 10% na relação divulgada em julho. A combinação entre comércio com o Irã e acesso ao mercado dos Estados Unidos cria uma situação na qual decisões tomadas por Washington podem afetar diferentes áreas da economia indiana.

A exposição, portanto, não depende apenas de uma eventual punição relacionada ao Irã. O país também precisa administrar os efeitos das próprias barreiras comerciais americanas.

Rússia enfrenta pressão por relações com Irã

A Rússia está entre os países mais expostos à estratégia de Washington porque mantém uma relação política, militar e econômica próxima com Teerã.

O anúncio de Donald Trump coloca Moscou diante de um possível dilema, preservar a cooperação com o Irã ou reduzir atividades que possam provocar novas medidas americanas.

A Rússia já enfrenta uma extensa estrutura de sanções americanas e ocidentais relacionadas à guerra na Ucrânia. Em 7 de agosto, o Senado dos EUA aprovou um novo pacote que prevê medidas contra compradores de petróleo e gás russos, incluindo a possibilidade de tarifas de até 100% sobre produtos de países que adquiram grandes volumes desses combustíveis.

Turquia fica entre Washington e Teerã

A Turquia também aparece entre os países que podem sofrer pressão adicional. O país mantém relações comerciais com o Irã, mas, ao mesmo tempo, integra a estrutura de alianças ocidentais e possui vínculos estratégicos com os Estados Unidos.

Caso os EUA passem a punir empresas, bancos ou intermediários estrangeiros que facilitem operações iranianas, empresas turcas podem precisar revisar negócios envolvendo pagamentos, transporte, energia e outras atividades ligadas ao mercado iraniano.

Japão e Coreia do Sul enfrentam outro tipo de risco

Japão e Coreia do Sul também aparecem entre os parceiros comerciais do Irã. Os dois países, porém, possuem uma característica que os diferencia de China e Índia, são aliados estratégicos dos Estados Unidos no Indo-Pacífico.

Essa posição cria uma relação mais complexa entre segurança e comércio. Tóquio e Seul dependem da cooperação militar americana, mas suas empresas também participam de cadeias comerciais que alcançam países sob sanções de Washington.

Brasil tem comércio relevante com o Irã

Em 2025, empresas brasileiras exportaram US$ 2,9 bilhões (R$ 15,04 bilhões) para o Irã, principalmente milho, soja e açúcar. As importações ficaram em US$ 84,5 milhões (R$ 438,3 milhões), concentradas em produtos como ureia, pistache e uvas secas.

O volume das exportações mostra que a relação brasileira com Teerã possui importância principalmente para setores do agronegócio.

Tarifas colocam 60 mercados sob pressão

Washington estabeleceu tarifas de 10% para parte dos mercados atingidos e de 12,5% para a maioria deles. A relação inclui China, Brasil, Índia, Japão, Coreia do Sul, Rússia, Austrália, Arábia Saudita, Reino Unido e outros importantes participantes do comércio internacional.

A diferença entre as alíquotas pode alterar a competitividade das empresas. Exportadores sujeitos à cobrança maior enfrentam um custo adicional para acessar o mercado americano em comparação com concorrentes submetidos à taxa menor.

O impacto também pode alcançar cadeias produtivas que dependem de componentes, matérias-primas e produtos intermediários provenientes de diferentes países.

A estratégia adotada por Washington reúne instrumentos diferentes. Tarifas encarecem produtos estrangeiros no mercado americano.

Sanções dificultam operações financeiras e comerciais. Já ameaças secundárias procuram fazer com que empresas de outros países evitem negócios com governos submetidos às restrições.

No caso iraniano, Trump citou petróleo, transferências financeiras, casas de câmbio, registros de navios e empresas de fachada como estruturas que deveriam deixar de apoiar Teerã.

Países afetados pelas tarifas dos EUA

Tarifa de 10%:

  • Argentina
  • Bangladesh
  • Camboja
  • Canadá
  • Equador
  • El Salvador
  • Guatemala
  • Indonésia
  • Malásia
  • México
  • Paquistão
  • Taiwan
  • União Europeia

Tarifa de 12,5%:

  • África do Sul
  • Argélia
  • Angola
  • Arábia Saudita
  • Austrália
  • Bahamas
  • Bahrein
  • Brasil
  • Catar
  • Cazaquistão
  • Chile
  • China
  • Colômbia
  • Coreia do Sul
  • Costa Rica
  • Egito
  • Emirados Árabes Unidos
  • Filipinas
  • Guiana
  • Honduras
  • Hong Kong (China)
  • Índia
  • Iraque
  • Israel
  • Japão
  • Jordânia
  • Kuwait
  • Líbia
  • Marrocos
  • Nicarágua
  • Nigéria
  • Noruega
  • Nova Zelândia
  • Omã
  • Peru
  • Rússia
  • Singapura
  • Sri Lanka
  • Suíça
  • Tailândia
  • Trinidad e Tobago
  • Turquia
  • Uruguai
  • Venezuela
  • Vietnã
  • Reino Unido
  • União Europeia

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