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Política

A reputação do Supremo e do Congresso, segundo o Datafolha

Em meio à crise de imagem do STF, campanhas recorrem a Dino e Mendonça para ter acesso a desdobramentos de inquéritos envolvendo o caso Master

A reputação do Supremo e do Congresso, segundo o Datafolha
Entrevistados avaliam mal a atuação do Supremo e instituto registra pior nota da série histórica Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O Datafolha divulgou, no sábado (26), a avaliação que a sociedade faz de duas instituições que ocupam papéis diferentes, mas que compartilham eventualmente embates e discussões sobre a interferência entre os Poderes: o Legislativo e o Judiciário.

Pela diferença de 10 pontos percentuais, 47% dos entrevistados avaliam o Supremo Tribunal Federal como péssimo ou ruim. Já o Congresso Nacional, na avaliação de 37%, não está bom.

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A avaliação da imagem negativa das instituições ocorre em meio ao embate focado, especificamente, em Alexandre de Moraes, cuja conduta e eventual abertura de julgamento estariam sendo avaliadas por outros membros da Corte. Da série histórica registrada pelo instituto desde 2019, esta é a pior avaliação do Supremo.

Judiciário

Apenas 18% avaliam a Corte de forma positiva, sendo este o mesmo valor registrado desde o início da pesquisa. Outros 31% consideram o trabalho regular.

Quanto à avaliação da condução dos trabalhos por apoiadores políticos, 32% dos eleitores de Lula (PT) a avaliam como boa, enquanto entre os eleitores do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), 69% indicam o trabalho como ruim ou péssimo. Apenas 6% destes últimos avaliaram como bom.

Além disso, 23% dos entrevistados afirmaram que Lula é o candidato mais prejudicado no contexto desta crise, e outros 33% entendem que a atuação da Corte mais prejudica do que ajuda a campanha do senador.

Master e as campanhas

Campanhas usam a reta final das eleições para reforçar envolvimentos de Daniel Vorcaro com a corrupção e a desacreditabilidade das instituições Paulo Pinto/Agência Brasil |Lula/Youtube

Ambos os candidatos lidam com fatores que prejudicam suas campanhas no entorno do caso Master. Como O Brasilianista explicou, Flávio Bolsonaro não explicou os desdobramentos sobre o fundo Havengate após a realização de uma auditoria privada sobre a produtora de audiovisual Go Up Entertainment.

A Polícia Federal busca agora descobrir como esse dinheiro foi repassado ao fundo localizado no Texas, que contou com a contribuição de Daniel Vorcaro no valor de US$ 12,3 milhões para o filme de Jair Bolsonaro. Vale ressaltar que esse repasse ocorreu por meio da operação do dono da Entre Investimentos, Antônio Carlos Freixo Júnior, que transferiu os valores.

A PF quer descobrir especificamente detalhes sobre a gestão dos recursos, sob a suspeita de que também tenham sido utilizados para financiar o custo de vida do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. O candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, também passa a ser investigado.

Após as investigações e revelações de novas conversas, Flávio tenta relacionar a fraude financeira a conversas e possíveis encontros com o presidente da República. A outra retórica utilizada para reverter a situação é a crise no Supremo Tribunal Federal, associando a Lula os indícios de mensagens, voos e contratos envolvendo a esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes.

A campanha de Lula, por sua vez, recorre ao Supremo, especialmente ao ministro Flávio Dino. A última investida busca que o STF investigue a ação de Eduardo Bolsonaro, do vice Alfredo Gaspar e de Flávio sobre um possível abuso de poder político em relação ao uso de infraestruturas estrangeiras para interferir no processo eleitoral brasileiro.

Também foi pedido ao ministro, que até então não é o relator do caso que avalia a relação entre Flávio e Vorcaro, que avance nas investigações. A Polícia Federal passa, então, a ter acesso ao processo conduzido pela Polícia Civil de São Paulo.

Legislativo

Apenas 18% dos entrevistados avaliam o Congresso Nacional como “ótimo”, ao passo que 40% o avaliam como regular.

A avaliação de desempenho ruim é semelhante à apresentada em maio, quando registrou 37%, considerando que o instituto adota uma margem de erro de até 3 pontos percentuais. Em maio, 43% avaliaram o desempenho como regular.

Entre os eleitores de Lula, 22% indicam avaliação positiva. A avaliação do Congresso entre os eleitores de Flávio como boa é ainda menor: 15%.

Por região, a pesquisa apurou os seguintes índices de avaliação negativa: o Centro-Oeste e o Norte registraram 38%, o Nordeste registrou 32% e o Sudeste apresentou 41%, a maior taxa negativa.

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