O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) usou um jatinho de Daniel Vorcaro em janeiro de 2025 em uma viagem em família. Na ocasião, a aeronave executiva de alto pardão transportou o filho do ex-presidente, sua esposa e duas filhas da Flórida, nos Estados Unidos, para Brasília.
O Globo revelou que o mesmo jato teria transportado o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, em agosto do mesmo ano.
Já a Revista Piauí mostrou que a empresa Prime You era dona de um terço das cotas da aeronave na data do voo. O dono do Banco Master, na época, era um dos sócios da empresa.
Outros passageiros também estiveram no voo, como é o caso do advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio e que já foi preso no escândalo da JBS, do qual foi absolvido. Tomaz também é investigado no esquema de desvios bilionários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e confirmou que era dono de uma das três cotas do avião.
Segundo a Prime You, Vorcaro foi sócio da companhia de 2021 até setembro de 2025.
O episódio soma-se a outras conexões entre Flávio e Vorcaro, que podem pesar na sua campanha eleitoral a poucos dias do 1º turno das eleições de 2026. Vale lembrar que, antes das divulgações de mensagens entre os dois, inclusive sobre o financiamento do filme Dark Horse o senador afirmava que não havia qualquer ligação com o banqueiro preso pela fraude bilionária do Master.
Em julho, por exemplo, o então pré-candidato à Presidência do PL alegou que nunca havia usado um avião de Vorcaro. Após a notícia do translado em jatinho do empresário, Flávio minimiza o caso e ironizou sobre o tema nas suas redes sociais.
"Ainda bem que na época o avião era de Willer. Imagina se fosse agora, eu teria viajado no avião de Alexandre de Moraes”, publicou no X.
Ainda bem que na época o avião era de Willer.
— Flávio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) September 24, 2026
Imagina se fosse agora, eu teria viajado no avião de Alexandre de Moraes.https://t.co/PYZfFfKxlv
Reportagem do Valor indicou que, na avaliação do coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), as revelações não impactam a candidatura e não devem ter efeitos em seu desempenho nas urnas.
Mensagens antes da prisão de Vorcaro
Conversas interceptadas pela Polícia Federal (PF) no âmbito da Operação Compliance Zero mostraram que Flávio Bolsonaro tentou ligar para Daniel Vorcaro durante os quatro dias anteriores à primeira prisão do banqueiro, ocorrida em 17 de novembro do ano passado.
As mensagens divulgadas pelo Estadão indicam que as ligações não foram atendidas e, por fim, o senador pediu que Vorcaro lhe desse "uma luz" sobre as informações que procurava.
O registro das conversas obtidas pelo celular do dono do Master entre 20 de agosto e 16 de novembro de 2025 revelam menções a seis encontros entre eles. No entanto, não ficou confirmado se efetivamente ocorreram.
O Brasilianista procurou o gabinete do senador e a campanha de Flávio Bolsonaro, mas não responderam até o momento de publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.
A reação dos adversários
Uma possível conexão mais exposta entre Flávio e Vorcaro poderia impactar sua campanha eleitoral ao Palácio do Planalto, apesar da própria equipe política acreditar que isso não deva ocorrer.
O objetivo dos adversários com essas revelações, especialmente os que se mostram como alternativa para os eleitores da direita, será conquistar o voto daqueles que ainda estão indecisos sobre sua escolha de candidato à Presidência.
O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), já fez seu pronunciamento, criticando Flávio e alegando que teria cumplicidade com Vorcaro.
“Voar no jato do Vorcaro, receber dinheiro e jantar com quem lesou milhões de aposentados não é coincidência, é cumplicidade. O cerco está se fechando... Ainda dá tempo de contar a verdade e explicar o inexplicável”, afirmou Caiado nas redes sociais.
Por sua vez, durante evento em Piracicaba (SP), o Valor indicou que o candidato do Missão, Renan Santos, afirmou que o filho do ex-presidente pegou o avião em troca de "favores e afagos".
“[Vorcaro] era generoso com os meus adversários, esses caras não sabiam que Vorcaro era ladrão. Flávio Bolsonaro recebeu R$ 130 milhões pro filme, que claramente é propina, é propina. Se o Flávio discorda, me processe. Pega jatinho do Daniel Vorcaro, troca favores e afagos. Os seus aliados também trocam favores e afago”, disse Renan Santos.
Já em relação à campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a aposta será explorar as revelações contra o senador, buscando desgastar a imagem de Flávio. No entanto, a equipe de Lula já entende que a medida terá impacto limitado pelo menos no primeiro turno das eleições. Até o momento, o presidente não fez pronunciamentos oficiais sobre o tema.
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