Duas informações giram em torno dos produtores da Dark Horse no momento em que os produtores da Go Up Entertainment, a brasileira e a norte-americana, passaram a fazer declarações publicamente sobre o caso envolvendo a produção do filme Dark Horse.
Karina Ferreira da Gama, produtora do filme no Brasil, disse à CNN que não participou da gestão do fundo Havengate.
A Polícia Civil, a Polícia Federal e o Ministério Público de São Paulo (MPSP) suspeitam, no entanto, de um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo outra organização sua, o Instituto Conhecer Brasil (ICB), para a instalação de internet com a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia, visando à implementação de pontos de Wi-Fi em 5 mil áreas de periferias.
Avanço das investigações
Acontece que o delator Antônio Carlos Freixo Júnior, que já se dispôs a falar após a delação homologada pelo ministro André Mendonça, disse que realizou ao menos sete transferências que totalizam US$ 12,33 milhões para o Havengate.
Vorcaro encaminhava os valores para a Entre Investimentos e Participações, de Antônio, e este repassava para o fundo.
O pedido do dinheiro, em troca de mensagens, foi revelado pelo The Intercept, conforme noticiou O Brasilianista.
Favela Conectada
Ocorre que, para a execução do projeto Favela Conectada, o ICB pagou R$ 3 milhões. A PF busca identificar se a produtora repassou a verba da licitação da prefeitura, de R$ 108 milhões, para a produtora, ou eventual irregularidade no uso do valor.
Desde o início da parceria, cujos pontos eram para ser entregues até junho do ano passado, o ICB entregou apenas 3,2 mil pontos.
Em meio ao atraso, a prefeitura realizou três contratos aditivos para dar continuidade ao programa e, para além disso, adiantou pagamentos no valor de R$ 26 milhões sem o cumprimento das obrigações. A instituição de Karina não tinha trabalhado anteriormente no setor de telecomunicações.
Entre julho e agosto de 2024, o ICB tinha recebido R$ 11 milhões da prefeitura para a instalação de 3,2 mil pontos de conectividade, enquanto só existiam seis pontos em funcionamento.
A PF ainda suspeita se o programa de conectividade, ao serem organizadas as informações para a realização do projeto, foi aditivado com a ausência de informações sobre quem atuava na organização, inclusive de Alex Leandro Bispo dos Santos, sócio de Karina, que foi preso e identificado como integrante do PCC. A suspeita é que a ausência dos registros tenha sido utilizada para ocultar patrimônio dos responsáveis da empresa.
Delação premiada de Karina
Karina revelou que ao menos três pessoas, entre elas um advogado e um pastor, ofereceram ajuda para uma possível delação premiada. Ela também passou a ser procurada por terceiros.
A primeira abordagem veio do filho do ex-presidente José Sarney, Fernando Sarney, que a procurou no início do ano oferecendo auxílio jurídico e afirmou à produtora ter boa relação com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, e que poderia ajudá-la. Fernando, no entanto, negou ter feito a oferta e declarou que não conhece e jamais conversou com Karina.
A terceira fonte veio de um jornalista da revista Piauí, mas não foi relacionado o nome. Essa pessoa disse que Karina estava sendo usada por candidatos e que poderia se prejudicar ao ter que responder a medidas jurídicas em meio às investigações. Karina pensa que, por causa da proximidade das conversas e do debate sobre o mesmo tema, pode se tratar de alguma operação policial a fim de causar alguma retaliação política — com exceção do pastor, que ela diz conhecer de longa data.
Fator Michael Brian
Michael Brian Davis, sócio da produtora, disse que só irá revelar à PF dados sobre os gastos da produção do filme caso a Justiça norte-americana determine. Ele disse isso a Karina da Gama no dia 2 de setembro, e o relato já consta nos inquéritos:
“Requisições de autoridades brasileiras que envolvam documentos ou dados sob jurisdição americana devem ser formalizadas exclusivamente pelos canais diplomáticos e de cooperação jurídica internacional competentes, incluindo, quando aplicável, carta rogatória ou pedido de assistência judiciária mútua, de modo que qualquer produção, exibição ou entrega de documentos ocorra somente mediante ordem emanada de juiz norte-americano, assegurando à empresa o amparo legal do processo e o direito ao contraditório.”
A Polícia Federal investiga o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e seu irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, por suspeita de que parte do dinheiro da produção tenha sido utilizada por eles. Há ainda a apuração do possível uso de dinheiro público para a produção com base nas notas fiscais apuradas.
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