O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Benedito Gonçalves enviou a Daniel Vorcaro, em julho de 2024, uma mensagem dizendo que se colocava “à disposição”. A informação foi apurada pelo Poder360 e pela Folha de S.Paulo.
Na conversa com o então empresário, Gonçalves disse estar “sempre à disposição”. O ministro ainda enviou outra mensagem para ele, com uma imagem anexa no WhatsApp, dizendo: “tamo junto sempre”.
O ministro também esteve presente em um evento privado em Londres (UK), promovido por Daniel Vorcaro, do qual também participou o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Neste ano, o ministro assumiu a função de corregedor nacional de Justiça no Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
A fim de esclarecer o diálogo, O Brasilianista procurou a assessoria de Benedito Gonçalves para que se manifestasse, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto.
Paulo Gonet
Como O Brasilianista noticiou, na semana passada e durante o fim de semana, foram reveladas novas conversas após o ministro André Mendonça retirar o sigilo do telefone de Daniel Vorcaro. Além dos diálogos, vieram à tona imagens que mostram a aproximação de ministros e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, com o ex-banqueiro.
Uma foto divulgada pelo jornal O Globo mostra o procurador-geral na companhia de Vorcaro e de outras duas pessoas, em registro feito em abril de 2024.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou a autenticidade da imagem. O encontro ocorreu após Gonet tomar posse no cargo, em dezembro de 2023. Segundo o procurador-geral, essa foi a única ocasião em que esteve reunido com Vorcaro.
Durante a sessão realizada na terça-feira (15), o ministro André Mendonça afirmou que não havia elementos suficientes para indicar a prática de crime, o que irritou de imediato o ministro Gilmar Mendes e rendeu até o apelido de “pixuleco eleitoral”.
Venda de sentenças
Este é mais um problema para o Superior Tribunal de Justiça, somando-se ao caso de Marco Buzzi, que perdeu o cargo em processo administrativo disciplinar sob acusações de assédio sexual e venda de decisões judiciais.
O escândalo sobre a comercialização de sentenças ganhou proporções no âmbito da Operação Sisamnes, que revelou a atuação de Haroldo Augusto Filho, suspeito de comprar decisões judiciais em Mato Grosso.
João Otávio de Noronha, ministro do STJ, utilizou uma aeronave cedida por Haroldo para viajar a Cuiabá em 2024 e participou de um evento patrocinado pela empresa Fource.
Apuração sobre Voo
A Polícia Federal apura se o empresário Haroldo Augusto Filho tentou comprar decisões na Corte, além de buscar aproximação com o tribunal e com o então ministro Buzzi.
Conforme apurou o Estadão, Noronha declarou que o voo foi organizado pela OAB e se declarou suspeito para atuar em processos ligados ao empresário.
Há suspeitas, por parte da PF, sobre a atuação da empresa Fource em processos sob relatoria de Buzzi, embora a firma não conste formalmente como parte. Buzzi afirma não ter registros de agenda com o empresário e sustenta que sua viagem foi custeada pela OAB.
Moraes e Vorcaro
Após a queda do sigilo, os elementos que ganharam maior destaque no inquérito da PF envolvem as possíveis ligações entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. O ministro André Mendonça, então relator, chegou a solicitar a apuração sobre a conduta do colega de Corte, mas a análise foi interrompida após um pedido de vista do próprio Mendonça.
Antes de ser preso, Vorcaro encaminhou mensagens a Moraes perguntando sobre investigações e, inclusive, indicando os dias em que poderia “estar fora do país”.
A exposição envolve também o escritório de advocacia da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes, no que tange à celebração de um contrato com o Banco Master no valor de R$ 131 milhões.
Neste domingo (20), O Globo revelou filmagens que mostram Viviane Barci e Alexandre de Moraes embarcando em uma aeronave da Prime Aviation, empresa de frete aéreo da qual o ex-banqueiro foi sócio.
O voo, com destino ao Rio de Janeiro, ocorreu em 22 de agosto de 2025. O escritório da advogada afirmou que ela utiliza diferentes empresas de táxi aéreo, inclusive a citada, e negou que ela tenha viajado com o ex-banqueiro ou com qualquer pessoa ligada a ele.
André Mendonça
Como O Brasilianista revelou, o ministro André Mendonça e Daniel Vorcaro tiveram um encontro em março de 2025.
A reunião ocorreu após vir à tona que pessoas próximas ao ministro teriam atuado enquanto o Banco Master enfrentava crise financeira. Vorcaro buscava interlocução com Mendonça por intermédio do advogado Ciro Rocha, que dizia trabalhar para o banqueiro. Ciro afirmou que Mendonça já tinha ciência das informações trazidas por ele — a respeito da situação envolvendo o Banco Master e o Banco Central — e da intermediação do deputado federal Cezinha da Madureira (PL-SP).
De acordo com Mendonça, a conversa entre os dois tratava exclusivamente da suspensão de um processo relativo a créditos precatórios de interesse do Banco Master, não tendo sido discutidos os problemas envolvendo o Banco Central.
Operação Trasparência
Mais recentemente, uma decisão do ministro Flávio Dino sobre o deputado Cezinha da Madureira, no âmbito da Operação Transparência, revelou que o parlamentar, sua esposa e Mariângela Fialek teriam atuado em uma negociação envolvendo possível venda de influência e lavagem de dinheiro.
O processo indica que Cezinha teria utilizado o mandato para articular um encontro na Alameda Santos entre um “empresário do setor financeiro e Ministro desta Suprema Corte”.
Em outra frente, Dino apontou que a gestão da concessionária Cemitérios e Crematórios SP — adquirida por Vorcaro para ser utilizada futuramente como moeda de troca na aquisição do Banco de Brasília (BRB) — foi articulada pelo ex-banqueiro por meio de encontros com André Mendonça.
Essa investigação, focada no grupo Maya, não apura a conduta do ministro André Mendonça.
Dias Toffoli
O ministro Dias Toffoli, que se declarou impedido de votar na sessão que analisaria o pedido de investigação sobre Moraes, também foi citado. Ele chegou a devolver o relatório, e o caso passou a ser conduzido por Mendonça.
As menções a Toffoli envolvem a atuação do escritório de sua família na administração do Resort Tayayá. As investigações passaram a apurar a transação financeira relativa à aquisição de parte das cotas do empreendimento. A empresa Maridt, que era sócia do negócio, foi dirigida por José Carlos Dias Toffoli e José Eugênio Dias Toffoli, parentes do ministro.
A transação financeira envolveu o fundo Arleen, controlado pela Reag, gestora de investimentos com ligações com o Banco Master.
A Polícia Federal buscava identificar quem seria o beneficiário final dos fundos. A Reag passou a ser investigada em agosto de 2025 por suspeita de integrar um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC.
Kassio Nunes Marques
O ministro e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, embora tenha afirmado não ter envolvimento com Daniel Vorcaro, também se tornou alvo de revelações sobre o banqueiro e possíveis favorecimentos.
A primeira informação divulgada envolveu a cobrança feita por uma mulher identificada como Rayanna a Vorcaro. As trocas de mensagens dão a entender que se tratava da contratação de serviços de acompanhantes e que uma das mulheres esteve com o ministro. Na ocasião, Rayanna cobrou Vorcaro no valor de R$ 10 mil.
Com um agente de viagens, Vorcaro também negociou um pacote para um grupo de cinco pessoas com destino internacional, embora a viagem não tenha sido concluída.
Carnaval de Vorcaro
Na sexta-feira (18), Nunes Marques apareceu em novos diálogos sobre uma viagem e o acesso a um camarote no Rio de Janeiro. Vorcaro chegou a alugar uma casa do ator Márcio Garcia pelo valor de R$ 1,5 milhão, incluindo a prestação de outros serviços.
Nunes Marques é mencionado ainda em outro documento enviado pela Polícia Federal sobre um contrato de R$ 427 milhões direcionado à “Turma do KN” — sigla utilizada em conversas pelo banqueiro para se referir ao ministro.
Conforme revelou o BNews, o montante seria pago em caso de êxito em ações de interesse do empresário nos tribunais superiores.
O contrato firmado envolvia o escritório Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos Advocacia, ligado a Camilla Ramos, esposa do desembargador Newton Ramos. Próximo a Nunes Marques, o desembargador tratava das negociações de logística para a estadia na casa de luxo do ator.
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