Conversas obtidas do telefone de Daniel Vorcaro mostram como o ex-banqueiro agiu para reservar hospedagem durante o Carnaval de 2025 na "melhor casa do Rio de Janeiro".
De acordo com revelação do Metrópoles, mensagens do banqueiro indicam que a reserva seria destinada ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF)Kassio Nunes Marques, identificado pela sigla "KN" nas investigações da Polícia Federal.
Daniel Vorcaro teria reservado uma mansão no Joá, bairro nobre do Rio de Janeiro, para o ministro e para o desembargador Newton Ramos, que mantém contato com a equipe de KN.
O aluguel

A mansão reservada pertence ao ator Márcio Garcia. O aluguel custou R$ 1,45 milhão ao ex-banqueiro.
Assuntos sobre logística eram resolvidos entre Vorcaro e Leo Serrano Giunchetti. Serrano disse a Vorcaro, inclusive, que Garcia esperava a autorização do empresário "porque ele tem que comprar e programar a viagem dele se alugar a casa". Vorcaro autorizou. Nas mensagens, Serrano ainda pergunta ao banqueiro sobre o pagamento de camarote.

No pacote de Vorcaro, também estavam incluídas outras reservas para o Carnaval, como serviços de bebidas, chef de cozinha, garçons e motoristas. As mensagens obtidas tratam ainda de outros detalhes, como kits, logística de transporte e uso de helicópteros para a recepção dos convidados.
Fevereiro de 2025
O desembargador tratava da comunicação com a equipe ligada ao ministro, segundo a reportagem. Em fevereiro, o responsável pela logística da viagem disse ao ex-banqueiro que Newton Ramos solicitou mais informações a respeito da viagem, pois precisava "passar para o ministro".
O responsável pela logística explicou a Vorcaro que a casa de Márcio Garcia ficaria à disposição do ministro e que o desembargador iria alinhar os detalhes com a equipe de segurança de KN.

Serrano também pediu a Vorcaro uma forma de obter pulseiras VIP a pedido de Newton Ramos, para que o ministro entrasse no camarote com facilidade e sem precisar se submeter ao cadastro regular do evento.
Kassio Nunes
Kassio Nunes Marques voltou a responder que nunca conversou com Daniel Vorcaro. O desembargador não respondeu aos questionamentos feitos pelo jornal.
Nesta terça-feira (15), o ministro Kassio Nunes se declarou impedido de votar durante a sessão que analisava o pedido de apuração da conduta de Alexandre de Moraes por possível aproximação com o ex-banqueiro.
Em sua fala, o ministro não declarou o motivo específico do impedimento. Disse apenas que, como estava atuando na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), entrar nessa discussão poderia gerar mais tensão no cenário político às vésperas da eleição.
Enquanto ocorria o início da sessão, repercutiram assuntos relacionados ao seu filho, o advogado Kevin de Carvalho Marques, em supostos serviços prestados ao Banco Master. O ministro e a equipe de assessores de Kevin negaram que o advogado tenha prestado serviços ao banqueiro.
A Folha de S.Paulo apurou, em março, que o então diretor do Master, Luiz Rennó, conversou com o banqueiro sobre valores que a Consult Inteligência Tributária, associando o nome de Kevin Marques, deveria receber.
Os honorários pertencem exclusivamente à Consult, conforme respondeu a equipe em nota. Em julho do ano passado, a empresa voltou a perguntar a Vorcaro se seriam mantidos os repasses de R$ 500 mil.
Rayanna e viagem
Outras duas conversas de Vorcaro envolvendo o nome do ministro também foram divulgadas. A primeira, que não chegou a se concretizar, tratava de uma reserva com um agente de viagens para o ministro Kassio.
Eles combinavam datas e a quantidade de passageiros que estariam no local. O faturamento dessa viagem seria decidido posteriormente entre Vorcaro e o agente.
A outra conversa envolveu um contato identificado como Rayanna, que cobrou Vorcaro por um serviço prestado por uma acompanhante. Ao informar que as mulheres estavam prontas, ela seguiu para o endereço indicado pelo ex-banqueiro.
Um mês depois, ao indicar que uma das acompanhantes estava com o ministro, Rayanna cobrou de Vorcaro o valor de R$ 10 mil.
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