Alexandre de Almeida Mendonça, irmão do ministro André Mendonça, foi promovido ao cargo de secretário-executivo da SP Regula, órgão vinculado à Prefeitura de São Paulo responsável, entre outras atribuições, pela regulação dos serviços funerários.
O caso foi revelado por reportagem do jornalista Paulo Motoryn. A suspeita decorre de uma série de coincidências, entre elas o trâmite de uma ação no STF na qual o ministro apresentou parecer favorável aos interesses da administração municipal.
Quando o julgamento ocorreu, o irmão do integrante do Supremo Tribunal Federal (STF) já ocupava cargo no órgão público paulistano por nomeação do prefeito Ricardo Nunes (MDB).
Ao ser contratado, em fevereiro de 2024, Alexandre exerceu a função de gerente; no mesmo ano, foi promovido a superintendente e, em junho deste ano, alcançou o posto de secretário-executivo.
Apoio na Paulista
Outro levantamento aponta que, durante o ato de 7 de Setembro na Avenida Paulista — convocado pelo senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) —, Ricardo Nunes distribuiu camisetas a manifestantes em apoio ao ministro André Mendonça, conforme registrado pelo O Antagonista.
Nunes distribui camisetas de apoio a André Mendonçahttps://t.co/nuI86JsI8F.
— O Antagonista (@o_antagonista) September 7, 2026
A estampa trazia a mensagem “O povo brasileiro de bem está com André Mendonça”, acompanhada da hashtag “#ForçaMendonça”. A mobilização ocorreu após o desgaste gerado pela decisão de ministros da Corte de quebrar o sigilo de mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
A Prefeitura de São Paulo classificou como “irresponsável e sem fundamento” qualquer ilação que associe as nomeações a algum tipo de favorecimento institucional entre os irmãos.
A decisão favorável
Segundo a reportagem, os questionamentos ganharam força pelo fato de o próprio ministro ter votado em uma ação que colocava sob suspeita o modelo de concessões adotado pela prefeitura.
O caso foi analisado no Supremo quando o irmão de Mendonça já atuava na SP Regula. Inicialmente, o ministro Flávio Dino havia determinado que a prefeitura e as concessionárias mantivessem um teto tarifário para os serviços funerários e garantissem a fiscalização contra cobranças abusivas.
A gestão Nunes recorreu para derrubar a liminar de Dino. O ministro André Mendonça votou a favor do pedido do prefeito e, em março de 2025, pediu vista dos autos.
Segundo sustentou Mendonça, a matéria não deveria ser examinada pelo STF. O processo segue em aberto, e o julgamento em Plenário foi novamente suspenso após pedido de vista do ministro Luiz Fux.
Crise no Supremo
Conforme O Brasilianista noticiou, a sucessão de decisões conflitantes entre ministros evidencia o aprofundamento da crise interna na Corte. Em uma das medidas adotadas, Mendonça buscou submeter atos de Moraes ao Plenário e afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, da condução das investigações.
Na quarta-feira (9), o ministro Flávio Dino determinou a recondução de Andrei Rodrigues ao comando da PF. Diante do impasse, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, anulou as decisões monocráticas de Mendonça e de Dino, devolvendo a deliberação do caso ao Plenário do tribunal.
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