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Política

Veja os jingles que marcaram disputas eleitorais

Políticos tiveram até cantores renomados da MPB como intérpretes de suas músicas de campanha

Veja os jingles que marcaram disputas presidenciais e de governos estaduais
Classe política e artistas colaboraram, especialmente do gênero MPB, em produções musicais eleitorais Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A cada novo ciclo eleitoral, políticos brasileiros criam jingles que podem marcar uma geração.

As produções utilizam versos cativantes, marchas ou ritmos que costumam ser contagiantes. A regra de formulação é básica: os candidatos costumam criar refrões curtos, com frases simples e ritmadas.

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A intenção não é exatamente apreciar a música; na verdade, ela serve para que qualquer pessoa consiga memorizar o número da campanha e cantar depois de ouvir pela primeira vez.

O Brasilianista fez uma curadoria dos principais jingles produzidos ao longo de campanhas presidenciais e estaduais que se destacaram.

Silvio Santos, Jânio Quadros e Getúlio Vargas

“Varre, Varre, Vassourinha”, de Jânio Quadros, foi usada durante a campanha eleitoral de 1960. Em 1989, o falecido apresentador e fundador do SBT, Silvio Santos, utilizou o jingle “Silvio Santos 26”, que lembrava o clássico tema da televisão “Silvio Santos vem aí”.

Getúlio Vargas adotou o verso “Bota o retrato do velho outra vez, o sorriso do velhinho faz a gente trabalhar” na campanha presidencial de 1950.

Alguns políticos diversificam na produção: utilizam rap, paródias de músicas já conhecidas, axé, forró, sertanejo e até releituras musicais de animes.

Lá, lá, lá, lá, Brizola 

A eleição de 1989 foi a primeira disputa direta para presidente do Brasil após 29 anos, marcando o fim da ditadura militar e o processo de redemocratização.

Leonel Brizola concorreu pelo PDT (Partido Democrático Trabalhista), partido que ajudou a criar após o seu exílio político em 1979. Brizola disputou as eleições presidenciais em 1989 e 1994. Pela legenda, foi eleito governador do Rio de Janeiro em 1982.

A cantora Beth Carvalho gravou jingles de campanhas políticas — inclusive o de Brizola — e cantou em palanques. A música lembra uma balada suave com arranjo acústico.

Força, Foco & Fé 

O falecido prefeito da cidade de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), utilizou a música em sua campanha de reeleição à Prefeitura de São Paulo, com Ricardo Nunes (MDB) como candidato a vice, em um contexto no qual enfrentava o tratamento contra um câncer.

O jingle “Força, Foco & Fé” trazia a mensagem de resiliência e perseverança diante de um momento delicado. Além disso, o então prefeito lidou com a pandemia do novo coronavírus entre 2020 e 2021.

Covas disputou a eleição contra Guilherme Boulos (PSOL) e foi eleito no segundo turno com 59,38% dos votos.

Levante a mão e faça I 

O ex-presidente Itamar Franco (PMDB), candidato a governador de Minas Gerais em 1998, venceu a disputa contra Eduardo Azeredo (PSDB) com mais de 4 milhões de votos.

Itamar havia assumido a Presidência da República após o impeachment de Fernando Collor. O jingle marcava o retorno do político ao cenário estadual. Vale citar que o gesto “faz o I”, feito com o indicador erguido, foi utilizado durante a sua campanha.

Acende a luz do candieiro

Na campanha para o governo de Pernambuco, em 1998, de Miguel Arraes, o jingle do político utilizou o candieiro como elemento para a luz e esperança de um novo governo e elementos da cultura pernambucana.

O ritmo musical utilizado é a Ciranda, que é tombada como patrimônio cultural pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

O político disputou a reeleição, mas recebeu apenas 26% dos votos. Arraes foi derrotado por um antigo aliado, Jarbas Vasconcelos.

Ele voltou à vida pública em 2002, quando foi eleito deputado federal por Pernambuco. Em 2005, quando ainda exercia seu mandato, faleceu por causa de um choque séptico.

ACM, meu amor

O jingle “ACM, meu amor”, usado na campanha de Antônio Carlos Magalhães para governador da Bahia em 1990. O jingle foi criado por Gerônimo e Vevé Calasans, dois músicos baianos.

Carlos Magalhães venceu as eleições com 50% dos votos no primeiro turno, derrotando o candidato Roberto Ramos, do então partido PMDB (hoje, o MDB).

Antônio Carlos Peixoto de Magalhães Neto, ou ACM Neto, disputa as eleições com um estilo musical diferente de seu avô, mas há quatro anos ele fez uma releitura do jingle para a campanha ao governo do estado da Bahia, interpretado pelo músico e compositor Zé Carlos (Besouro).

Serra é do bem

José Serra, quando disputou a Presidência da República, em 2010, tentava transmitir uma imagem confiável do candidato. Serra perdeu as eleições para Dilma Rousseff (PT).

O jingle reforça do início ao fim princípios de honestidade, integridade e que “tanta coisa boa ele fez, Serra do bem”. O jingle pode ser classificado no gênero publicitário e pop, pelo ritmo simples, típico de campanha e repetitivo.

Serra foi alvo de várias denúncias de corrupção ligadas à Odebrecht e à Operação Lava Jato, incluindo acusações de caixa dois e lavagem de dinheiro. Ele sempre negou envolvimento e a ação penal foi arquivada.

Levanta a mão e vamos lá

Jingle da campanha de reeleição de Fernando Henrique Cardoso (FHC) em 1998, a música reforça a ideia de continuidade e estabilidade.

Esse jingle tem um estilo musical bem característico da música popular brasileira com influência de forró, utilizando uma sanfona (acordeão) marcante do início ao fim da música.

FHC havia implementado o Plano Real em 1994 e, na busca pela reeleição, disputou o cargo com Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sendo reeleito. 

Lula lá lá

Criado para a campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva em 1989 e reusado em 2002, é um dos jingles mais importantes para o Partido dos Trabalhadores, sendo associado a Lula e ao seu símbolo — a estrela.

A letra transmite esperança, mudança e um futuro melhor, reforçando a ideia de que Lula representava o povo.

Chico Buarque, Gilberto Gil e Djavan, alguns dos maiores artistas da música popular brasileira, interpretaram o jingle “Lula lá” em 1989.

Bolsonaro é Norte, Bolsonaro é Nordeste

O jingle da campanha de Jair Bolsonaro, usado em 2018, quando ele concorreu à presidência, também ganhou grande repercussão.

Tem um ritmo simples, refrão repetitivo e mensagem direta: Bolsonaro é norte, Bolsonaro é nordeste. 

O ritmo lembra o estilo de forró e sertanejo moderno, com mensagens diretas a Lula e a Temer, e diz que o gigante acordou, fazendo menção à gestão petista marcada por escândalos como o mensalão e a Operação Lava Jato.

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