Economia

Entenda a venda da Amil

Bain Capital e Advent avançam na compra integral da operadora

Amil
Bradesco, Santander e Citi disputam financiamento da transação Foto: divulgação

A negociação para a venda da Amil deu o passo que faltava para avançar. José Seripieri Filho, o Júnior, aceitou vender 100% da operadora de planos de saúde para Bain Capital e Advent International, segundo apuração do Valor Econômico.

A saída integral do empresário era uma condição das duas gestoras para continuar na negociação.

O negócio está avaliado atualmente entre R$ 15 bilhões e R$ 16 bilhões. Uma reunião prevista para esta quinta-feira (10) pode definir os termos finais da operação. Apesar do avanço, ainda não há contrato de venda assinado.

Venda integral

A decisão de Júnior representa uma mudança importante em relação ao início das conversas.

Bain e Advent já haviam colocado a compra de 100% da companhia como condição para seguir adiante.

Júnior, porém, resistia a deixar completamente a Amil e chegou a propor permanecer como acionista minoritário depois da entrada dos fundos. As gestoras recusaram esse desenho.

Agora, o empresário aceitou deixar integralmente o negócio. Com isso, um dos maiores entraves das negociações foi retirado da mesa.

Preço negociado

A avaliação da Amil mudou várias vezes durante as conversas. Em agosto, as negociações chegaram a trabalhar com um valor próximo de R$ 17 bilhões. Júnior chegou a buscar cerca de R$ 18 bilhões, incluindo o preço da companhia e obrigações financeiras que seriam assumidas pelos compradores.

O valor informado agora pelo Valor está entre R$ 15 bilhões e R$ 16 bilhões.

Mais do que o preço, as partes discutiram durante as últimas semanas garantias para eventuais passivos que apareçam depois da aquisição e a estrutura tributária da transação.

No início de setembro, uma versão considerada praticamente final do contrato já circulava entre os envolvidos.

Bancos disputam

O financiamento da compra também está sendo estruturado. Bradesco, Santander e Citi disputam a operação de crédito que ajudará Bain e Advent a financiar a aquisição.

A definição do banco deve ocorrer mais perto de uma eventual assinatura.

A movimentação não é inédita na história recente da Amil. Quando Júnior comprou a companhia da UnitedHealth no fim de 2023, parte da operação também contou com financiamento bancário.

Santander, Bradesco, BR Partners e BTG Pactual participaram daquela transação.

Carta pronta

Outro indício de que as negociações chegaram a uma etapa decisiva está dentro da própria Amil.

Segundo fontes ouvidas pelo Valor, uma carta destinada aos funcionários do grupo começou a ser preparada.

O conteúdo ainda não estava totalmente fechado, o que indica que o anúncio depende da conclusão das negociações.

Uma reunião marcada para esta quinta é tratada por pessoas próximas às conversas como um possível momento de definição.

Amil valorizada

Júnior comprou a Amil da UnitedHealth por uma operação avaliada pelo mercado em aproximadamente R$ 11 bilhões.

Desse montante, cerca de R$ 2 bilhões correspondiam ao preço da aquisição e R$ 9 bilhões a dívidas e outras obrigações assumidas pelo empresário.

A transferência do controle foi concluída em 2024. Desde então, a situação financeira da companhia mudou.

A Amil havia fechado 2023 com prejuízo consolidado de aproximadamente R$ 4 bilhões.

Em 2024, voltou ao lucro e, em 2025, registrou resultado líquido de R$ 5,4 bilhões, dos quais cerca de R$ 1,9 bilhão foram classificados pela companhia como recorrentes.

No primeiro semestre deste ano, o lucro líquido chegou a R$ 960,9 milhões. A melhora ajudou Júnior a elevar o preço pedido pelo ativo.

Dinheiro recuperado

O empresário também já recuperou, por meio da própria Amil, valor superior ao que desembolsou diretamente para assumir a companhia.

Documentos analisados pelo InvestNews mostram que a operadora destinou bilhões de reais ao acionista desde 2024 por meio de dividendos, restituições de capital e outras operações.

Pelo menos R$ 2,57 bilhões foram comprovadamente destinados à estrutura de Júnior até agosto deste ano.

Esse cenário colocou o empresário em uma posição diferente da UnitedHealth quando decidiu vender a Amil.

Júnior não precisava se desfazer rapidamente da empresa e poderia manter um negócio novamente lucrativo caso não concordasse com as condições oferecidas.

Bain retorna

A Bain Capital conhece a Amil há anos. O fundo participou da disputa pela operadora quando a UnitedHealth colocou a empresa à venda em 2023, mas perdeu para Júnior.

Voltou a procurar o empresário posteriormente e, no início de 2025, tentou negociar uma aquisição que lhe daria o controle da companhia. As conversas não avançaram.

Na atual negociação, a Bain se uniu à Advent International. A Bain já controlou a NotreDame Intermédica, que posteriormente se uniu à Hapvida.

A Advent também conhece o setor brasileiro de saúde e já foi acionista do Fleury.

Sem assinatura

O avanço não significa que a Amil já tenha sido vendida. Ainda faltam a conclusão das últimas negociações, definição do financiamento e assinatura dos documentos.

Uma eventual transferência de controle também terá de passar pelas etapas regulatórias pertinentes.

Na compra feita por Júnior, em 2024, tanto o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) quanto a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) aprovaram a mudança de controle.

Entenda a venda da Amil

Operadora comprada por Júnior da UnitedHealth por negócio de R$ 11 bilhões voltou ao lucro e agora pode passar para Bain Capital e Advent por até R$ 16 bilhões

A Amil pode trocar de controlador pela segunda vez em menos de três anos.

José Seripieri Filho, o Júnior, aceitou negociar a venda de 100% da operadora para os fundos americanos Bain Capital e Advent International.

A transação está atualmente avaliada entre R$ 15 bilhões e R$ 16 bilhões e chegou às discussões finais.

Era UnitedHealth

A UnitedHealth entrou na Amil em 2012. Naquele ano, o grupo americano acertou a aquisição de até 90% da empresa por aproximadamente US$ 4,9 bilhões. A operação avaliava a Amil em cerca de R$ 11 bilhões naquele momento.

A companhia americana permaneceu no Brasil por mais de uma década, mas decidiu deixar o mercado depois de enfrentar dificuldades com a operação. Em 2023, colocou a Amil à venda.

Júnior compra

A disputa atraiu fundos e empresários. Bain Capital, Nelson Tanure e outros grupos analisaram o negócio.

Quem venceu foi José Seripieri Filho, fundador da Qualicorp e da QSaúde. No fim de 2023, a UnitedHealth acertou a venda da Amil para o empresário.

O negócio foi apresentado como uma transação de aproximadamente R$ 11 bilhões: cerca de R$ 2 bilhões pelo controle e aproximadamente R$ 9 bilhões em passivos e outras obrigações assumidas pelo comprador.

Cade e ANS aprovaram a operação em janeiro de 2024. O Cade não impôs restrições.

Empresa no vermelho

Júnior recebeu uma companhia que enfrentava dificuldades financeiras. Segundo demonstrações analisadas pelo InvestNews, a Amil terminou 2023 com aproximadamente R$ 4 bilhões de prejuízo consolidado.

A nova gestão trocou executivos e começou a revisar custos e operações. Renato Manso assumiu o comando da companhia poucos meses após a mudança de controle.

Em 2024, a Amil voltou a apresentar lucro, ainda beneficiada por efeitos extraordinários. A recuperação ficou mais evidente em 2025.

Virada financeira

Em 2025, a Amil registrou lucro líquido de R$ 5,4 bilhões. Segundo a própria companhia, cerca de R$ 1,9 bilhão veio da operação recorrente.

O negócio de planos de saúde gerou resultado de R$ 6,5 bilhões, contra R$ 4,1 bilhões no ano anterior, e o caixa das atividades operacionais chegou a R$ 2,64 bilhões.

A empresa também voltou a crescer em clientes. Terminou 2025 informando ter conquistado 415 mil novos beneficiários de planos médicos e 467 mil no segmento odontológico, chegando a aproximadamente 6,1 milhões de beneficiários no total. No primeiro semestre de 2026, o lucro líquido foi de R$ 960,9 milhões.

Dasa entra

Durante a reorganização, a Amil também mexeu em sua rede hospitalar. Em 2024, acertou com a Dasa a criação de uma empresa de controle compartilhado.

A operação reuniu 25 hospitais, seis clínicas oncológicas e seis clínicas médicas, com participação de 50% para cada grupo.

O negócio foi aprovado pelo Cade e concluído em abril de 2025. A nova estrutura reúne mais de quatro mil leitos e passou a operar sob a Rede Américas.

A reorganização mudou parte do perímetro financeiro da Amil e ajudou a redesenhar a empresa que agora está sendo negociada.

Bain volta

A Bain Capital já queria a Amil antes de Júnior. Em 2023, participou da disputa conduzida pela UnitedHealth, mas acabou superada pelo empresário.

Depois, voltou a procurar Júnior. No início de 2025, houve nova tentativa de negociação pelo controle, novamente sem acordo.

Neste ano, a Bain voltou acompanhada da Advent. As duas gestoras avançaram para uma diligência sobre a companhia e passaram a discutir uma aquisição integral.

A avaliação chegou a atingir cerca de R$ 17 bilhões em algumas fases das conversas.

Impasse do controle

Preço não foi o único problema. Júnior queria inicialmente permanecer na Amil, mesmo que com uma participação minoritária. Bain e Advent rejeitaram a ideia.

As gestoras queriam 100% da empresa e deixaram claro que não pretendiam manter o atual controlador como sócio.

Essa divergência travou as conversas durante semanas. Agora, Júnior aceitou vender toda a participação, removendo uma das condições que impediam o acordo.

Últimos detalhes

No início de setembro, as negociações já haviam chegado à elaboração de uma versão considerada final do contrato.

Os principais pontos de discussão eram garantias relacionadas a passivos que eventualmente fossem descobertos depois da compra e a estrutura fiscal escolhida para realizar a transação.

O preço atual está entre R$ 15 bilhões e R$ 16 bilhões. Bradesco, Santander e Citi disputam o financiamento da aquisição, enquanto uma carta aos funcionários da Amil começou a ser preparada.

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