O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está promovendo políticas de campanha que auxiliam os empreendedores. Nas últimas semanas, o governo divulgou a expansão do programa Contrata+ Brasil, plataforma que busca facilitar a contratação de microempreendedores individuais (MEIs) de pequenos serviços para órgãos públicos.
Outra ferramenta online para a compras de bens e itens padronizados por gestores públicos. Os esforços camuflam uma brecha na campanha de Lula: os empresários brasileiros.
Um dos grupos mais relevantes para conquistar votos em 2026, os empreendedores representam uma larga escala dos trabalhadores atualmente. Para além do eleitorado que o presidente já conquista, o real desafio de Lula será conversar com essa grande massa que enfrenta uma série de dificuldades, especialmente por falta de leis trabalhistas.
"O microempreendedor individual, o empreendedor na verdade, hoje ele é tido como um bloco social econômico muito organizado do país mais fora dessa folha de emprego formal. Então assim, a aposta do governo Lula é no reajuste do limite de faturamento do MEI para se reconectar com esse grupo, especialmente agora às vésperas da eleição, num reconhecimento explícito de que essa é uma fronteira eleitoral que está aberta", comenta o cientista político e docente da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Rodrigo Prando.
Historicamente, esse é um eleitorado mais resistente ao PT, pois o pequeno empresário desconfia do discurso estatizante. A origem do partido prioriza a força nesse trabalhador do sindicato que o Lula se fez como líder sindical. De acordo com o especialista, esse trabalhador hoje tem perdido espaço.
"Diria que esse eleitor é um eleitor que combina a autonomia, a ideia de ser o seu próprio patrão, mas ainda uma dependência estrutural do Estado, crédito, formalização, compras públicas, uma ambiguidade que qualquer campanha bem feita precisa explorar com uma certa precisão e não com assuntos gerais, com generalidades", explica o cientista político.
O próprio grupo próximo do presidente Lula admite, nos bastidores, a dificuldade que eles têm de romper a resistência ao presidente Lula e ao PT nesse eleitorado, o que mostra que é uma disputa conhecidamente difícil. Por esse motivo, ela precisa ser entendida com muita seriedade e é considerada como prioritária.
As ações de Lula ao empreendedor
Além da ampliação do Contrata+ Brasil, Lula também criou o SIXIS, sistema de compras expressas.
O governo também tenta emplacar no Congresso o projeto de lei que eleva o teto do MEI de R$ 81 mil para R$ 110 mil reais para 2027 e até R$ 140 mil em 2028.
O programa Desenrola Brasil também ganhou uma versão para MEIs renegociarem suas dívidas e, ainda, Lula tem feito um discurso de que dinheiro circulando na economia local gera um efeito multiplicador e, com isso, ele tenta atrair esse eleitor que, historicamente, é mais resistente ao PT e ao presidente.
Queixas dos empresários
"Uma queixa central é o teto do MEI, que está defasado desde 2018, na eleição que o Bolsonaro foi eleito. Então esse teto defasado e a proposta do governo escalonada, é até mesmo considerado insuficiente para o setor", comenta Prando.
Ao mesmo tempo que o setor gostaria de um ajuste no teto, há uma equipe econômica que resiste à correção automática por medo de pejotização e perda de arrecadação, que é uma preocupação sempre constante do setor governamental.
Há também uma reclamação constante desse grupo de uma burocracia crônica, da dificuldade da abertura e fechamento do negócio. Esse processo seria mais complicado de resolver em uma campanha eleitoral.
"Do Flávio Bolsonaro, eu não conheço nenhuma proposta estruturada específica para o MEI, por exemplo, até agora. Então, geralmente ele vem com um discurso genérico de menos imposto, menos estado, isso ele herda do pai dele, do Jair Bolsonaro, mas sem um plano equivalente, por exemplo, a essa ideia do Contrata+ Brasil ou do Desenrola-MEI, que são propostas atuais do governo", menciona.
As possíveis estratégias de Lula
O especialista avalia que não há uma única estratégia que Lula pode seguira para garantir o voto e simpatia dos empreendedores. O governo teria que fazer entregas rápidas e não deixar apenas como uma promessa de campanha.
Além disso, ele deveria se comunicar numa linguagem de resultado prático, não doutrinária, não ideológica, porque o MEI deseja menos burocracia e não apenas discursos. O cenário ideal é mostrar entregas e menos burocracia.
Blindar o Contrata+ Brasil de uma desconfiança, uma transparência total no ranqueamento de fornecedores, talvez fosse uma estratégia a se adotar na visão do cientista político. Outra opção seria ampliar a narrativa de campanha de que o microempreendedor individual ajuda a economia.
"Vale entender que numa eleição que parece se desenhar para ser muito disputada, os microempreendedores individuais podem fazer a diferença a favor ou contra um candidato. Óbvio que o presidente Lula quer que faça a favor dele e o Flávio Bolsonaro contra o Lula e a favor dele. Então, a depender do tipo de narrativa e de como, além da narrativa, as ações propostas pelo governo vão impactar esse segmento de eleitorado, isso pode ter uma diferença em situações de eleições disputadas", afirma.
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