As eleições gerais de 2026 devem eleger o novo Presidente da República e, portanto dar início a mais um mandato de quatro anos. Ainda que haja uma reeleição do atual líder do Executivo, a decisão popular pode impactar fortemente na economia brasileira.
Em pesquisa da Quaest divulgada na última quarta-feira (02), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) marca 37% e Flávio Bolsonaro (PL), 29%, na simulação principal.
O cenário ainda é acirrado e mantém o mercado dividido entre a hipótese de continuidade e a de uma guinada fiscal mais liberal.
O principal fator que as eleições modificam a economia é a forma como o novo governo vê a questão fiscal do país. O Executivo não define a Selic, por exemplo, mas suas decisões econômicas podem aumentar ou diminuir a pressão inflacionária. Entre os principais canais estão: gastos públicos, transferências de renda, investimentos, subsídios, crédito direcionado, políticatributária e preços administrados pelo governo.
Se o governo aumenta a demanda em uma economia já aquecida, pode gerar pressão sobre preços. Por outro lado, uma política fiscal mais equilibrada pode ajudar o BC a combater a inflação com menos juros. Ou seja, política fiscal e a política monetária não são independentes em seus efeitos sobre a economia.
O Congresso Nacional, por sua vez, também tem o poder de ajudar no combate do aumento da inflação a partir de medidas legislativas como aprovação de aumento ou criação de despesas, mudanças em benefícios e programas sociais, alterações tributárias, regras fiscais, marcos regulatórios, mudanças que afetem concorrência e custos empresariais e decisões sobre preços administrados e setores regulados.
Independentemente de quem vencer nas urnas, pelo critério do Banco Central, a dívida bruta está em cerca de 81,1% do Produto Interno Bruto (PIB) e pode ter trajetória ascendente até pelo menos 2035. Reverter essa trajetória exigiria um superávit primário da ordem de 2% do PIB — patamar distante do que qualquer programa de governo apresentado até agora garante de forma crível.
Impacto das eleições na economia
A taxa básica de juros da economia, a Selic, opera a 14% ao ano atualmente, um dos patamares mais elevados dessa referência em meio à resiliência da inflação e da incerteza política. O ritmo de cortes daqui para frente depende diretamente do resultado das urnas: um governo percebido como fiscalmente frouxo tende a travar o ciclo de queda, enquanto um compromisso confiável com o ajuste abre espaço para juros mais baixos em 2027.
A questão fiscal do governo também será essencial para entender o controle que o Banco Central poderá exercer sobre a inflação.
Já o câmbio é o termômetro mais sensível ao humor eleitoral. Projeções do Focus giram em torno de R$ 5,15–5,20 para o fim de 2026, mas um cenário sem compromisso fiscal do próximo governo pode levar a uma disparada da moeda americana, com efeito cascata sobre inflação e juros.
A B3, por sua vez, tende a operar como termômetro de expectativas: rali em cenários de centro-direita fiscalmente responsável, volatilidade em cenários de radicalização de qualquer lado do espectro.
Autoridades monetárias e investimentos
A autonomia formal do BC deve ser o principal teste institucional do próximo ciclo. Candidaturas de oposição ao governo atual têm sinalizado disposição a preservar a autonomia como sinalização de compromisso com previsibilidade macroeconômica, mas a pressão política por juros mais baixos tende a se intensificar em qualquer governo, dado o peso da Selic sobre o custo da dívida e sobre a atividade econômica.
Ainda, o investimento privado tende a ficar represado até a definição do quadro eleitoral. A trajetória da dívida pública e a credibilidade fiscal do próximo governo são os fatores mais citados como determinantes para a retomada ou não do investimento produtivo em 2027.
Eventos externos
Apesar de todas essas possibilidades, há um fator que ninguém no Brasil controla: os eventos externos. A relação diplomática de um futuro governo com outros países pode fazer toda a diferença para o avanço da economia nacional.
Além disso, cenários como o preço internacional do petróleo e outras commodities, guerras e conflitos, clima e produção agrícola — como é o caso do El Niño/La Niña —, crises de oferta, juros dos Estados Unidos, valorização ou desvalorização do dólar, ou mesmo interrupções nas cadeias globais de produção podem influenciar o mercado e os resultados dos esforços governamentais.
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