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Economia

Saiba quem são os empresários que jantaram com Lula

Entre os convidados estão ex-investigados e chefes de companhias envolvidas com corrupção, cartel e infrações regulatórias

presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva
Encontro no Alvorada reuniu 16 representantes de bancos, indústria, agronegócio, saúde e construção Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reuniu 16 empresários e banqueiros no Palácio da Alvorada na noite desta segunda-feira (31), pouco mais de um mês antes do primeiro turno das eleições.

O encontro durou cerca de três horas e teve como principais assuntos os juros, a situação fiscal do país e políticas de desenvolvimento econômico.

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A reunião colocou à mesma mesa representantes de alguns dos maiores grupos empresariais brasileiros.

Estavam presentes nomes ligados ao Itaú, Bradesco, BTG Pactual, JBS, Cosan, Gerdau, Votorantim, MRV, Amil e outras companhias.

Além dos empresários, participaram o vice-presidente Geraldo Alckmin e os ministros Dario Durigan, da Fazenda, Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, e Bruno Moretti, do Planejamento.

Também estavam os presidentes do BNDES, Banco do Brasil e Caixa e o presidente nacional do PT, Edinho Silva.

Segundo a lista divulgada pela Secretaria de Comunicação Social, participaram:

  • Josué Gomes, da Coteminas; 
  • André Esteves, do BTG Pactual;
  • Luiz Carlos Trabuco Cappi, do Bradesco;
  • Rubens Ometto, da Cosan;
  • Joesley Batista, da JBS;
  • José Seripieri Filho, da Amil;
  • Henrique Constantino, da Gol;
  • André Gerdau Johannpeter, da Gerdau;
  • Rubens Menin, da MRV;
  • Eraí Maggi, do Grupo Bom Futuro;
  • Fábio Ermírio de Moraes, da Votorantim Cimentos;
  • José Luís Cutrale Júnior, do Grupo Cutrale;
  • Chaim Zaher, do Grupo SEB;
  • Roberto Setúbal, do Itaú Unibanco;
  • João Alves de Queiroz Filho, da Hypera Pharma;
  • Ricardo Lacerda, do BR Partners.

Josué Gomes

O presidente Lula e o empresário Josué Gomes da Silva da empresa Coteminas

Josué Gomes é filho do ex-vice-presidente José Alencar e comanda a Coteminas, grupo têxtil responsável por marcas como Artex, MMartan e Santista.

A empresa entrou em recuperação judicial em 2024 com passivo de aproximadamente R$ 2,6 bilhões e conseguiu a homologação do plano em maio deste ano, depois de reduzir a dívida abrangida para cerca de R$ 1,6 bilhão.

Em maio, Josué também foi multado em R$ 55 mil pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por atraso na elaboração e entrega das demonstrações financeiras de 2023 da companhia. Ele foi absolvido de outra acusação analisada no mesmo processo.

André Esteves

André Santos Esteves nasceu em uma família de classe média do bairro da Tijuca

André Esteves é fundador e principal nome do BTG Pactual. Sua principal controvérsia ocorreu em 2015, quando foi preso durante a Lava Jato sob suspeita de participar de uma tentativa de impedir a colaboração do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró.

A prisão levou Esteves a deixar o comando do banco. O processo, porém, terminou de maneira diferente, o Ministério Público pediu sua absolvição e, em 2018, a Justiça Federal o absolveu por falta de provas de participação na suposta obstrução. Posteriormente, ele voltou ao grupo de controle do BTG.

Luiz Trabuco

Luiz Carlos Trabuco Cappi foi, por 9 anos, presidente do Bradesco

Luiz Carlos Trabuco Cappi foi presidente-executivo do Bradesco e posteriormente assumiu a presidência de seu Conselho de Administração.

Em 2016, tornou-se réu em um processo derivado da Operação Zelotes, que investigava suspeitas de compra de decisões no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf).

O caso envolvia processos tributários do banco que somavam aproximadamente R$ 4 bilhões. No ano seguinte, a Justiça afastou Trabuco da ação e o empresário deixou de responder criminalmente naquele processo.

Rubens Ometto

Rubens Ometto Silveira Mello é frequentemente listado pela revista Forbes como um dos maiores bilionários do país

Rubens Ometto controla a Cosan, conglomerado com atuação em energia, combustíveis, logística e gás, com negócios como Raízen, Rumo e Compass.

O empresário foi citado na delação premiada do ex-ministro Antonio Palocci, que afirmou que executivos teriam discutido repasses de R$ 300 milhões ao PT em troca de medidas de interesse empresarial, entre elas a MP 460.

O relato motivou apurações da Lava Jato. Ometto e a Cosan negaram irregularidades, e a acusação de Palocci não equivale a uma condenação contra o empresário.

Além disso, Ometto aparece recorrentemente entre os maiores doadores privados a partidos e candidatos no país, dentro das regras eleitorais.

Joesley Batista

Em julho de 2016, o empresário foi alvo de investigações na Operação Sépsis, um dos desdobramentos da Operação Lava Jato

Joesley Batista, ao lado do irmão Wesley, controla a J&F, holding que tem a JBS como principal ativo e também reúne negócios em energia, finanças e outros setores.

Em 2017, ele protagonizou um dos maiores escândalos empresariais do país ao firmar colaboração premiada na qual executivos do grupo admitiram pagamentos ilegais a agentes políticos.

A J&F também fechou acordo de leniência bilionário. A delação ficou conhecida principalmente pela gravação de uma conversa entre Joesley e o então presidente Michel Temer.

O acordo dos irmãos chegou a ser questionado posteriormente após suspeitas de omissões, e as multas individuais foram renegociadas.

José Seripieri

O empresário tornou-se bilionário em 2011, quando a Qualicorp entrou na B3. 

José Seripieri Filho, conhecido como Júnior, fundou a Qualicorp e atualmente controla novamente a Amil, empresa que recomprou da UnitedHealth.

Em 2020, foi preso durante a Operação Paralelo 23, que investigava caixa dois na campanha de José Serra ao Senado em 2014. 

A PF sustentava que o empresário teria coordenado repasses de aproximadamente R$ 5 milhões não declarados à campanha tucana por meio de empresas intermediárias e notas fiscais simuladas.

Meses depois, Seripieri firmou colaboração premiada, homologada pelo Supremo Tribunal Federal.

Henrique Constantino

Em julho de 2016, Henrique Constantino foi alvo de mandados de busca e apreensão na Operação Sépsis que investigou corrupção no Fundo de Investimentos do FGTS

Henrique Constantino pertence à família fundadora da Gol e também possui negócios no transporte rodoviário por meio do Grupo Comporte.

Ele apareceu em investigações relacionadas a pagamentos realizados pela companhia e empresas da família a pessoas e estruturas ligadas a agentes públicos. 

O episódio também gerou um processo na CVM sobre suposto desvio de poder na Gol.

Em novembro de 2025, a relatora chegou a votar pela inabilitação de Constantino por cinco anos, mas o colegiado mudou o resultado em dezembro e decidiu, por maioria, absolvê-lo da acusação administrativa.

André Gerdau

Em 1988 foi aos Jogos Olímpicos de Seul. Conquistou medalha de ouro por equipe nos Jogos Pan-Americanos de 1991, em Havana no hipismo.

André Gerdau Johannpeter integra a família controladora da siderúrgica Gerdau e já comandou a empresa como presidente-executivo.

Em 2016, foi indiciado pela Polícia Federal durante a Operação Zelotes, que apurava suspeitas de manipulação de julgamentos tributários no Carf.

A investigação sustentava que pessoas ligadas ao grupo negociaram vantagens em processos tributários que envolviam bilhões de reais. 

Quando o Ministério Público apresentou denúncia em 2017 contra 14 investigados, contudo, André Gerdau não estava entre os denunciados, embora executivos e pessoas ligadas à companhia tenham sido acusados. A Gerdau sempre negou ter pago propina.

Rubens Menin

Além de fundador da MRV os negócios incluem o banco Inter, a empresa de logística Log, a CNN Brasil, a rádio Itatiaia, a vinícola Menin Douro Estates e a SAF do Atlético Mineiro

Rubens Menin fundou a MRV, uma das maiores construtoras de habitação popular do país, e sua família também possui participações em negócios como Banco Inter e veículos de comunicação.

Uma das principais controvérsias da MRV envolve questões trabalhistas. A construtora foi autuada cinco vezes por fiscais do trabalho em casos classificados pelas autoridades como condições análogas à escravidão.

A empresa contestou o enquadramento em diferentes ocasiões. Menin também atuou politicamente em discussões empresariais envolvendo mudanças na chamada “lista suja” do trabalho escravo.

Eraí Maggi

Eraí Maggi Scheffe ficou conhecido como rei da soja

Eraí Maggi Scheffer é um dos maiores produtores rurais brasileiros e comanda o Grupo Bom Futuro, com negócios em soja, milho, algodão, pecuária, sementes e energia.

O empresário e empresas ligadas ao grupo apareceram em investigações e ações ambientais relacionadas ao desmatamento na Amazônia e no Cerrado.

Eraí chegou a ser mencionado nas apurações da Operação Rios Voadores, criada para combater um esquema considerado pelo Ministério Público Federal um dos maiores já identificados de desmatamento ilegal na Amazônia.

Levantamentos também registraram embargos e multas ambientais envolvendo propriedades ou empresas do grupo. A existência dessas apurações não equivale a uma condenação criminal pessoal do empresário.

Fábio Ermírio

Listado em 2016 entre os 70 maiores bilionários do Brasil pela revista Forbes.

Fábio Ermírio de Moraes integra a família controladora do Grupo Votorantim e o Conselho de Administração da Votorantim Cimentos.

A principal controvérsia relacionada à companhia ocorreu no processo do chamado cartel do cimento.

Em 2014, o Cade condenou a Votorantim Cimentos e outras empresas por combinação de preços, divisão de mercado e criação de barreiras à concorrência. 

A Votorantim recebeu a maior multa individual, de aproximadamente R$ 1,6 bilhão, além de determinações para venda de ativos.

O processo tratava da atuação empresarial da companhia e não de uma acusação criminal pessoal contra Fábio.

José Cutrale

José Luís Cutrale Júnior pertence à família que controla a Cutrale, uma das maiores processadoras e exportadoras de suco de laranja do mundo.

O grupo foi alvo durante anos de investigação do Cade sobre suposta formação de cartel no mercado de laranja e suco concentrado, envolvendo divisão de produtores e práticas capazes de afetar o preço pago pela fruta.

A Cutrale e pessoas físicas ligadas ao grupo aceitaram termos de compromisso com o órgão antitruste para encerrar processos administrativos relacionados ao caso.

Chaim Zaher

Chaim Zaher, libanês naturalizado brasileiro que chegou a Araçatuba, no interior paulista, ainda criança

Chaim Zaher é fundador do Grupo SEB e um dos maiores empresários da educação privada do país, com investimentos em redes como Maple Bear, Pueri Domus e outras escolas.

Seu nome apareceu em uma investigação sobre o período em que Gabriel Chalita comandava a Secretaria de Educação de São Paulo.

Zaher foi acusado de ter custeado parte da reforma de um imóvel de Chalita enquanto empresas ligadas ao COC mantinham contratos com a secretaria. 

O Ministério Público chegou a denunciá-lo em 2015. Uma investigação criminal anterior sobre o caso havia sido arquivada pelo STF em 2014, e Zaher negou as acusações.

Roberto Setúbal

A família Setubal possui um patrimônio combinado estimado em cerca de R$ 9,95 bilhões

Roberto Setúbal comandou o Itaú e atualmente é copresidente do Conselho de Administração do banco e vice-presidente da Itaúsa.

Uma das investigações mais relevantes envolvendo a instituição ocorreu na Operação Zelotes, quando a PF apurou suspeitas de irregularidades em processos tributários relacionados à fusão entre Itaú e Unibanco.

Em um dos episódios, um integrante do Carf foi acusado de pedir R$ 1,5 milhão para influenciar um julgamento.

A apuração atingiu estruturas relacionadas ao banco, mas não significou acusação criminal pessoal contra Roberto Setúbal.

Mais recentemente, o Itaú também enfrenta uma disputa judicial com seu ex-diretor financeiro Alexsandro Broedel, acusado pela própria instituição de conflito de interesses; Broedel nega as acusações e recorre.

João Queiroz

De acordo com a revista Forbes, é uma das pessoas mais ricas do Brasil, com um patrimônio estimado em 2020 de US$ 2,1 bilhões

João Alves de Queiroz Filho, o Júnior da Arisco, é o principal acionista da Hypera Pharma, antiga Hypermarcas.

A empresa foi alvo da Operação Tira-Teima, da Polícia Federal, que investigou suspeitas de pagamentos ilegais a políticos. 

Uma investigação interna da própria Hypera confirmou R$ 110,6 milhões em pagamentos considerados indevidos, além de outros R$ 33,2 milhões tratados em acordo anterior.

Em 2022, João Queiroz firmou termo de compromisso com a CVM que previa pagamento de R$ 10 milhões à autarquia e ressarcimentos à companhia. O acordo administrativo encerrou o processo na CVM sem equivaler, por si só, a uma condenação criminal.

Ricardo Lacerda

Ricardo Fleury Cavalcanti de Albuquerque Lacerda foi Vice-presidente do banco de investimentos Goldman Sachs nos Estados Unidos entre 1996 e 2001

Ricardo Lacerda é fundador e CEO do BR Partners, banco de investimento criado em 2009 e especializado em fusões e aquisições, mercado de capitais e reestruturações empresariais.

Antes disso, comandou operações de banco de investimento do Citi e do Goldman Sachs no Brasil

O BR Partners é uma instituição financeira regulada pelo Banco Central e possui ações negociadas em bolsa.

Aproximação empresarial

O jantar aconteceu em um momento no qual Lula tenta reduzir a resistência de parte do empresariado à condução da política econômica.

Participantes levaram ao presidente preocupações principalmente com o nível dos juros, a dívida pública e a previsibilidade das decisões do governo.

Lula afirmou aos convidados que pretende fazer o possível para contribuir para a redução dos juros e manifestou incômodo com a percepção de que seu governo não teria compromisso com o equilíbrio fiscal.

Alckmin, por sua vez, defendeu maior rigor nas contas públicas como condição para criar espaço para uma queda das taxas.

A relação política dos empresários presentes também não é uniforme. Rubens Ometto, por exemplo, já fez doações legais a candidatos de diferentes partidos, enquanto André Esteves esteve dias antes em uma reunião privada com o presidente americano Donald Trump.

Joesley Batista também mantém interlocução com autoridades brasileiras e americanas.

O encontro terminou por volta das 22h45. Segundo relatos dos participantes, eleições e a candidatura de Flávio Bolsonaro não foram discutidas diretamente; a conversa permaneceu concentrada principalmente em economia, juros, política fiscal e desenvolvimento industrial.

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