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Justiça

A influência de Vorcaro sobre ministros do STF

Mensagens extraídas do celular do ex-controlador do Banco Master mostram articulações para um fórum em Londres, com sugestões de convidados, consultas atribuídas a Alexandre de Moraes e despesas milionárias

Mensagens Vorcaro
Evento custou cerca de R$ 38,7 milhões (Foto: reprodução)

Mensagens retiradas pela Polícia Federal (PF) do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, revelam como o empresário participava da organização de um fórum jurídico em Londres que reunia ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), integrantes do Superior Tribunal de Justiça (STJ), autoridades do governo e parlamentares.

Mensagens trocadas entre o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro evidenciam a proximidade entre os dois com base em trocas de favores. (Foto: reprodução)

Parte das conversas, mostram listas de convidados submetidas à equipe do banqueiro e referências à participação do ministro Alexandre de Moraes nas decisões sobre o evento.

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Os diálogos fazem parte de um conjunto de registros analisados no âmbito das investigações sobre o Banco Master. 

Segundo o BNews, a primeira edição do Fórum Jurídico Brasil de Ideias, realizada em abril de 2024, custou aproximadamente R$ 38,7 milhões. 

As mensagens indicam que Vorcaro acompanhava tanto os preparativos quanto o relacionamento com convidados. 

Lista de autoridades

Flávio Bolsonaro (PL) usou um jatinho de Daniel Vorcaro em janeiro de 2025 em uma viagem em família (Foto: reprodução)

Em uma das conversas divulgadas nas redes sociais, Ana Matos, então responsável pelo marketing do Banco Master, apresenta uma relação de nomes sobre os quais ainda buscava confirmação.

Entre os citados aparecem os políticos Efraim Filho, Rodrigo Pacheco, Antônio Rueda, Isnaldo Bulhões, Alexandre Cordeiro e Arthur Lira.

A mensagem questiona se deveria haver uma abordagem ativa para confirmar a participação, pois alguns nomes eram desconhecidos pela funcionária e outros haviam mudado de cargo.

Em seguida, uma resposta atribuída a Vorcaro autoriza a continuidade dos contatos, com a ressalva de que Efraim Filho não era conhecido por ele.

Outra mensagem reúne nomes de ministros do STF, como Luís Roberto Barroso, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Gilmar Mendes e Nunes Marques.

Também aparecem os políticos Davi Alcolumbre e Renan Calheiros, além de representantes do Executivo e de instituições públicas.

A funcionária informa que alguns convidados ainda não estavam confirmados, embora passagens aéreas já estivessem sendo providenciadas para outras pessoas.

Influência atribuída

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro usou duas de suas empresas para pagar uma viagem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, a Nova York (EUA), em maio de 2024 (Foto: reprodução)

Outras conversas analisadas pela Polícia Federal apresentam referências mais diretas à participação de Alexandre de Moraes na preparação dos encontros.

Vorcaro afirmava precisar consultar o ministro antes de aprovar determinados convidados para a segunda edição do fórum, planejada para 2025.

"Deixa eu aprovar com Alexandre", escreveu o banqueiro à funcionária, segundo o conteúdo divulgado pela emissora.

Mensagens atribuídas ao empresário indicavam interferências na programação e reclamações sobre convites que não teriam sido encaminhados.

Em outra troca, a possibilidade de Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil, atuar como moderador de um painel foi rejeitada por Vorcaro, que atribuiu sua resistência à reação que esperava do magistrado.

Os diálogos registram declarações do ex-banqueiro sobre o ministro, mas não permitem confirmar, em todos os casos, se as orientações partiram efetivamente de Moraes. A segunda edição do evento acabou cancelada.

Encontros privados

Flávio Dino cita que o conglomerado do Master detinha ligações com ao menos duas concessionárias de cemitérios: a Cortel e a Cemitérios e Crematórios SP (Foto: reprodução)

A relação entre Vorcaro e integrantes do Judiciário também aparece em registros relacionados à edição realizada em 2024.

Uma mensagem enviada a Ana Matos registra o empresário dizendo que estava "fumando charuto com Toffoli, Salomão e Benedito".

A referência seria aos ministros Dias Toffoli, do STF, e Luis Felipe Salomão e Benedito Gonçalves, do STJ.

Em setembro, foi divulgada uma fotografia extraída das conversas do empresário com o advogado Ciro Soares.

A imagem mostrava o procurador-geral da República, Paulo Gonet, em um encontro com Vorcaro, acompanhado de bebidas e charutos.

O registro teria sido feito durante uma degustação de uísque realizada em 25 de abril de 2024, no George Club, em Londres.

À época, a Procuradoria-Geral da República informou que a fotografia correspondia a um evento público de cuja programação Gonet participou.

O procurador-geral descreveu seu encontro com o empresário como breve e sem relevância institucional.

Evento milionário

Vorcaro, teria solicitado um monitoramento e dossiê de André Esteves, chairman, sócio sênior e acionista controlador do BTG Pactual (Foto: reprodução)

O primeiro Fórum Jurídico Brasil de Ideias ocorreu entre 24 e 26 de abril de 2024, em Londres, com organização do Grupo Voto e patrocínio do Banco Master.

A programação reuniu Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, do STF, além de ministros do STJ, representantes do governo federal e integrantes de outros órgãos públicos.

O encontro teve atividades no hotel The Peninsula, estabelecimento de luxo localizado na capital britânica.

Relatórios da PF apontam que Vorcaro destinou aproximadamente R$ 60 milhões a três eventos internacionais realizados em 2024, incluindo encontros em Londres, Nova York e Lisboa.

Vorcaro consultava Moraes sobre convidados para a edição londrina. Um dos nomes discutidos era o empresário Joesley Batista, da J&F, cuja presença teria sido rejeitada pelo ministro.

Caso master

Thiago Miranda também ajudou Vorcaro a fazer um dossiê sobre CEO do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, e de sua esposa, Camila Moretti Maluhy (Foto: reprodução)

O caso Banco Master teve início com investigações sobre suspeitas de fraudes financeiras envolvendo a instituição controlada por Daniel Vorcaro e o Banco de Brasília (BRB).

Em 18 de novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master, no mesmo período em que a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero.

Segundo os investigadores, o banco teria comercializado carteiras de crédito sem comprovação de existência para o BRB.

Em 28 de outubro de 2026, a PF indiciou Vorcaro e outras 14 pessoas, incluindo o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.

O relatório policial apontou aproximadamente R$ 2,7 bilhões em prejuízos já identificados, enquanto a defesa do ex-banqueiro negou a ocorrência de fraudes e contestou os cálculos apresentados pela investigação.

As apurações também alcançaram as relações mantidas por Vorcaro com integrantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

Mensagens, registros de encontros e documentos apreendidos passaram a ser examinados para esclarecer o alcance desses contatos e possíveis conexões com os negócios do banco.

Até maio de 2026, a Justiça havia autorizado bloqueios e sequestros de bens próximos de R$ 27,7 bilhões no âmbito da operação.

Paralelamente, a relação entre o Master e o BRB passou a ser investigada sob suspeitas de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa.

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