De cueca em um quarto de hotel em São Paulo, Antonio Rueda aparece discutindo com a influenciadora Luana Dellevedove, que o acusa de agressão e afirma, durante a gravação, que o presidente do União Brasil traía a mulher e também uma amante.
Nas imagens, divulgadas pelo Diário do Centro do Mundo (DCM), a influenciadora Luana Dellevedove acusa o dirigente partidário de tê-la agredido.
Os registros teriam sido feitos em junho deste ano. Rueda aparece de cueca enquanto se veste e tenta sair do quarto.
Luana mostra o que seriam manchas de sangue em um lençol e afirma que sofria violência psicológica havia mais de um ano.
Há, porém, uma contradição importante. Procurada posteriormente pelo próprio DCM e confrontada com os vídeos, Luana disse que as informações eram “inverdades” e afirmou que os registros seriam uma montagem.
Rueda recebeu perguntas por escrito sobre as imagens, mas não respondeu.
O episódio surge em um momento particularmente delicado para Rueda, que deixou os bastidores partidários e disputa neste ano uma vaga de deputado federal pelo Rio de Janeiro.
MPE muda posição sobre candidatura
Neste domingo (21), o Ministério Público Eleitoral mudou de posição e passou a defender que o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) indefira o registro da candidatura de Rueda.
Inicialmente, a Procuradoria havia considerado insuficientes as acusações apresentadas contra o dirigente.
Depois de novas diligências determinadas pelo TRE-RJ, porém, o órgão afirmou que documentos oficiais modificaram o conjunto de informações disponível no processo.
O MPE sustenta que sua campanha teria se beneficiado politicamente da atuação de lideranças de Belford Roxo que já foram associadas pela Justiça Eleitoral a organizações paramilitares.
Entre os citados estão Eduardo Araújo e Fábio Brasil, que ocuparam secretarias municipais em 2025 e participaram de ações políticas em favor da dobradinha entre Rueda e Márcio Canella.
Os dois tiveram candidaturas barradas em 2024 por decisões relacionadas a vínculos com organizações paramilitares.
A defesa de Rueda contesta a mudança do MPE. Os advogados afirmam que não há prova de irregularidade cometida pelo candidato, ressaltam que ele não possui condenação, denúncia ou indiciamento relacionado aos fatos e sustentam que apoiadores atuaram por iniciativa própria.
O Brasilianista já mostrou que Canella nomeou Eduardo Araújo e Fábio Brasil para secretarias em Belford Roxo e que o ex-prefeito também apareceu em outras investigações envolvendo agentes públicos e grupos criminosos no Rio.
Uma guerra pelo União Brasil
As atuais controvérsias não são a primeira vez em que Rueda aparece em meio a uma disputa de grandes proporções.
Sua chegada à presidência do União Brasil, em 2024, foi marcada pelo rompimento com Luciano Bivar, então comandante da legenda.
Bivar tentou impedir a convenção que elegeu Rueda, mas acabou derrotado na disputa interna.
Dias depois da eleição, duas casas pertencentes a Rueda e à irmã dele, Maria Emília, foram incendiadas simultaneamente na praia de Toquinho, em Pernambuco.
A Polícia Civil concluiu posteriormente que o incêndio foi criminoso e planejado, identificando quatro pessoas envolvidas na execução.
Não foram encontrados elementos suficientes, porém, para apontar quem ordenou o ataque.
Na época, aliados de Rueda relacionaram o episódio à guerra interna do União Brasil e cobraram investigação sobre Bivar.
O então presidente da legenda negou qualquer participação. O partido acabou afastando Bivar definitivamente da presidência, mas rejeitou sua expulsão meses depois por falta de provas suficientes sobre as acusações.
Rueda no Caso Master
O Brasilianista destacou em junho que uma proposta de delação apresentada por Daniel Vorcaro citava supostos pagamentos relacionados ao presidente do União Brasil.
Os valores teriam passado por um escritório de advocacia ligado ao dirigente. Rueda negou crimes e confirmou que sua banca prestou serviços ao banco.
A proposta de colaboração não foi aceita pelas autoridades. Em setembro, novas informações atribuídas a Vorcaro indicaram que Rueda e ACM Neto teriam recebido comissões relacionadas à captação de recursos de fundos públicos de previdência para o Master.
Os dois negaram irregularidades, e as alegações de Vorcaro não equivalem a fatos judicialmente comprovados.
Documentos da Receita Federal enviados à CPI do Crime Organizado também apontaram que o Master declarou pagamentos de R$ 6,4 milhões, desde 2023, a dois escritórios ligados a Rueda. A defesa sustenta que se tratava de serviços jurídicos regularmente prestados.
Há ainda outra frente de apuração. Em 2025, um ex-piloto afirmou à Polícia Federal que Rueda seria proprietário oculto de aeronaves operadas pela Táxi Aéreo Piracicaba, empresa utilizada por empresários investigados no esquema de combustíveis relacionado ao PCC.
Rueda negou ser dono dos aviões, colocou seus sigilos à disposição das autoridades e apresentou comprovantes de pagamentos por voos realizados.
Naquele momento, a PF ressaltava que ele não era formalmente investigado, embora as informações estivessem sendo apuradas.
O Brasilianista permanece aberto à manifestação de todas as pessoas e instituições citadas nesta reportagem. Os canais de comunicação do portal estão à disposição para esclarecimentos, posicionamentos, contestações ou informações adicionais.
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