Publicidade
Economia

A rede de Vorcaro na imprensa

Mensagens de funcionários do Grupo Globo e do Metrópoles foram encontradas no celular de Daniel Vorcaro

Delação premiada de Daniel Vorcaro é cogitada e aumenta tensão no caso Banco Master
Conversas exibem a subserviência ao dono do Master de integrantes dos veículos de comunicação (Foto: Reprodução)

O Grupo Globo demitiu nesta quinta-feira, 15 de outubro, Frederic Kachar, diretor-geral de Mídia Impressa e Rádio, depois de ter acesso a conversas mantidas pelo executivo com Daniel Vorcaro entre outubro de 2023 e julho de 2025.

Em comunicado, a empresa afirmou que o conteúdo revelava uma relação inadequada com um anunciante e reiterou a independência editorial de seus veículos.

Publicidade

No mesmo dia, novas mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular do ex-controlador do Banco Master revelaram uma relação ainda mais direta entre Vorcaro e a direção do Metrópoles.

Lilian Tahan, CEO do grupo, enviou reportagens ao banqueiro antes da publicação, recebeu sugestões de alterações e discutiu com ele se determinadas pautas ajudariam ou prejudicariam seus interesses.

O material se soma a documentos que já haviam revelado contratos publicitários, pagamentos, negociações societárias e campanhas de comunicação envolvendo jornalistas, influenciadores, apresentadores e veículos.

Conglomerado de mídia

Por trás de tudo isso havia a vontade do dono do Master em construir um conglomerado de mídia. Segundo Thiago Miranda, responsável por cuidar da imprensa para Vorcaro, o banqueiro pretendia formar uma rede de veículos de imprensa e listava quais eram seus alvos.

O relato menciona a revista “IstoÉ” e os sites Brazil Journal, PlatôBR e Portal Léo Dias. Miranda afirma que Flávio Carneiro aparecia formalmente nas operações realizadas por meio da Foone Empreendimentos.

Carneiro confirmou possuir participações em veículos, mas negou atuar como representante de um investimento oculto de Vorcaro. Outro negócio documentado liga o Grupo Entre à estrutura de mídia.

Empresas do conglomerado receberam centenas de milhões de reais em investimentos do Master e o grupo adquiriu o site da revista “IstoÉ”. A Entre afirma que suas operações foram conduzidas regularmente.

Mensagens divulgadas neste mês mostram ainda que Vorcaro demonstrava preocupação com reportagens do UOL, da Folha e do Estadão. Sobre esses dois últimos jornais, as conversas indicam que publicidade acabou sendo comprada por intermédio da Foone.

Até agora, o material divulgado não mostra se esses contratos alteram a cobertura editorial da Folha de S.Paulo e do Estado de S. Paulo.

Demitido após 29 anos

Globo demite Frederic Kachar após vazamento de conversas com Vorcaro (Foto: creative commons)

Frederic Kachar comandava as operações ligadas a O Globo, Extra, Valor Econômico, revistas da Editora Globo e ao Sistema Globo de Rádio.

A empresa encerrou o vínculo depois de analisar mensagens nas quais o executivo tratava com Vorcaro de contratos publicitários, eventos, reportagens e encontros privados.

Uma parte dos diálogos envolve diretamente a cobertura jornalística. Vorcaro reclamou a Kachar de uma reportagem de Malu Gaspar sobre gestores do Master e disse que se considerava alvo de uma sequência de publicações negativas.

O executivo respondeu que aquele era o estilo de trabalho da jornalista, avaliou a abordagem como cansativa e desnecessária e afirmou que conversaria com ela. Em outra mensagem, entretanto, reconheceu a autonomia da colunista.

Outras conversas divulgadas mostram uma postura diferente quando Vorcaro pressionava por mudanças em conteúdos do grupo.

Em abril de 2024, Kachar respondeu que pediria correção imediata se houvesse algum erro em uma coluna de Malu.

Meses depois, quando o banqueiro reclamou de Lauro Jardim e perguntou se existia uma campanha institucional contra ele, Kachar negou.

Ao ser questionado sobre uma reportagem do Valor, defendeu que o texto apresentava os dois lados.

Marca da namorada

Vorcaro pediu reportagens sobre Graeff (Foto: reprodução)

A atuação de Kachar aparece de outra maneira quando Vorcaro pediu ajuda para divulgar Martha Graeff, então namorada do banqueiro, e a marca de suplementos Happy Aging.

O empresário queria que ela aparecesse na Vogue. Kachar respondeu que uma capa exigiria um processo mais longo, mas disse que buscaria espaço também em Marie Claire e Ela.

Três dias depois da conversa, as três marcas editoriais publicaram conteúdos relacionados à Happy Aging.

Na semana seguinte, Kachar voltou a discutir a possibilidade de uma futura capa. Paralelamente, o executivo cobrava de Vorcaro a liberação de um novo contrato publicitário para a editora.

Uma tabela enviada pelo próprio Kachar registra R$ 825 mil do Master no Baile da Vogue de 2024 e R$ 1,6 milhão no camarote da editora no Carnaval de 2023.

Em 2025, as propostas passaram a usar outras marcas associadas a Vorcaro, como Desinchá e Happy Aging, em vez do nome Banco Master.

As mensagens divulgadas também registram convites e conversas sobre festas privadas frequentadas ou discutidas pelo banqueiro e pelo executivo.

A Globo afirmou que o conteúdo ao qual teve acesso caracterizava uma relação inadequada entre Kachar e um anunciante e informou que anunciará posteriormente quem assumirá as operações que estavam sob responsabilidade do diretor.

Huck e o Will Bank

Luciano Huck ofereceu a Daniel Vorcaro acordo (Foto: reprodução)

Luciano Huck aparece em outro conjunto de mensagens apreendidas pela Polícia Federal.

Os registros começam em 2023 e mostram encontros, jantares, convites pessoais, uso de aeronaves e negociações envolvendo o Will Bank, instituição que fazia parte do conglomerado de Vorcaro. As conversas divulgadas não apontam crime cometido pelo apresentador.

Em outubro de 2025, Huck mencionou R$ 83 milhões em mídia ligados ao Will Bank e à Globo e outros R$ 26 milhões de um contrato pessoal.

O banco digital foi patrocinador do “Domingão com Huck”, inclusive de ações comerciais exibidas dentro da atração.

Huck nega ter mantido sociedade com Vorcaro. Sua assessoria afirma que a relação ocorreu em torno da captação e administração do patrocínio, com contratos assinados, notas fiscais emitidas, impostos recolhidos e serviços prestados.

Também sustenta que os contratos de imagem e publicidade foram encerrados antes da intervenção do Banco Central no Will Bank.

O conselho do Grupo Globo autorizou uma auditoria interna para levantar o histórico dos contratos, contatos e eventuais negócios entre o apresentador e Vorcaro.

O procedimento foi aberto antes da demissão de Kachar e passou a analisar documentos comerciais e mensagens relacionadas ao relacionamento entre os dois.

Malu Gaspar foi monitorada

Enquanto executivos, apresentadores e empresas de mídia mantinham relações comerciais ou pessoais com Vorcaro, jornalistas do próprio Grupo Globo tornaram-se alvos das ações atribuídas ao entorno do banqueiro.

Conversas obtidas pela Polícia Federal mostram Vorcaro discutindo com o publicitário Thiago Miranda formas de encontrar informações pessoais sobre Malu Gaspar enquanto a jornalista investigava o Master.

Depois de uma publicação sobre a negociação com o BRB, Vorcaro afirmou que seria necessário procurar algo sobre a vida pessoal dela. Miranda respondeu que faria um levantamento.

As buscas envolveram informações financeiras, processos e outros registros relacionados à jornalista, mas as mensagens divulgadas indicam que os responsáveis não localizaram material comprometedor.

Paralelamente, Malu continuou publicando investigações sobre o banco e posteriormente revelou pagamentos e relações de Vorcaro com integrantes do setor de comunicação.

Lauro Jardim também foi alvo. A Polícia Federal encontrou mensagens nas quais Vorcaro discutia a possibilidade de simular um assalto e agredir fisicamente o colunista de O Globo e da CBN por causa de reportagens consideradas prejudiciais aos seus interesses.

Jardim confirmou publicamente ter sido informado sobre o conteúdo das conversas depois que a investigação veio à tona.

Lilian e Vorcaro

Vorcaro editava textos do site Metrópoles (Foto: creative commons)

A linha direta entre Lilian Tahan e Daniel Vorcaro começou em 2024, depois de um encontro intermediado pelo assessor de imprensa do Master Guilherme Barros.

Naquele ano, as tratativas comerciais entre o banco e o Metrópoles avançaram até uma proposta de R$ 20 milhões.

Mensagens da área de marketing mostram que o valor foi aprovado por Vorcaro e posteriormente pago em parcelas ao longo de 2025.

O relacionamento não ficou restrito à publicidade. Um levantamento das mensagens identificou pelo menos 14 textos enviados ao banqueiro antes de irem ao ar.

Onze sofreram modificações depois das observações dele e outros dois conteúdos foram publicados após pedidos feitos por Vorcaro.

Em abril de 2025, quando preparava um perfil do empresário, Lilian informou que aguardaria o retorno dele caso houvesse alguma incorreção antes de publicar.

Questionada posteriormente, afirmou que consultar fontes para verificar se uma reportagem reproduz corretamente o contexto informado é uma prática que adota também com empresários, políticos e integrantes do Judiciário.

A interferência atribuída a Vorcaro aparece de forma mais objetiva em outras conversas.

Depois de ele contestar uma informação sobre uma suposta oferta de R$ 1 por ativos do Master, Lilian respondeu apenas que o trecho havia sido retirado. Em outra ocasião, a executiva perguntou ao banqueiro se um comparativo entre os balanços de Master e BRB ajudaria ou atrapalharia.

Vorcaro se ofereceu para analisar previamente os dados e recebeu o texto antes da publicação.

Em maio daquele ano, Lilian encaminhou uma reportagem sobre a venda de ativos ao BTG Pactual.

Vorcaro pediu que a Hapvida fosse retirada do conteúdo e teve o pedido atendido. Meses depois, também analisou antecipadamente reportagens que envolviam Renato Gomes, então diretor do Banco Central ligado à análise da operação entre Master e BRB.

Em um perfil de Gomes, Vorcaro pediu a retirada da referência à possibilidade de falência do banco, sugeriu mencionar uma suposta divisão interna no Banco Central e propôs acrescentar especulações sobre uma eventual ida do diretor para uma instituição privada depois do fim do mandato. As modificações indicadas pelo banqueiro foram incorporadas.

A conversa avançou ainda sobre a intensidade da cobertura destinada a adversários do negócio.

Em agosto de 2025, Vorcaro pediu que o Metrópoles reduzisse por uma semana as publicações sobre Ricardo Cappelli, que criticava a compra do Master pelo BRB e se movimentava politicamente no Distrito Federal. “Deixa comigo”, respondeu Lilian.

No dia 17 de novembro de 2025, quando Vorcaro seria preso, Lilian voltou a encaminhar antecipadamente textos relacionados à tentativa de venda do Master para a Fictor.

Segundo as mensagens divulgadas, mudanças solicitadas pelo banqueiro foram feitas antes da publicação.

Lilian nega que o contrato comercial tenha interferido na linha editorial do Metrópoles.

Ela argumenta que o portal também publicou reportagens críticas sobre Master, Ambipar, Fictor e Oncoclínicas e sustenta que a checagem prévia com fontes faz parte de sua rotina jornalística.

R$ 27 milhões do Master

Os diálogos sobre o contrato de R$ 20 milhões coexistem com outro conjunto de documentos financeiros. Relatório do Coaf registrou R$ 27.283.800 transferidos pelo Banco Master para a Metrópoles Marketing e Propaganda entre 2024 e 2025. 

Do total identificado pelo Coaf, R$ 838,8 mil foram enviados no segundo semestre de 2024 e praticamente todo o restante entre janeiro e outubro de 2025.

O órgão chamou atenção para transferências posteriores a empresas ligadas à família de Luiz Estevão e classificou parte das movimentações como incompatível com o faturamento médio informado pela empresa. 

Luiz Estevão afirmou que os recursos estavam ligados ao patrocínio do Will Bank às transmissões da Série D do Campeonato Brasileiro e à venda dos direitos de nome da competição.

O acordo comercial existiu, embora a exposição da marca nas transmissões e nos estádios tenha começado meses depois dos primeiros repasses registrados em 2025.

R$ 9,9 milhões

Mensagens citam contrato para ‘comprar Leo Dias’ (Foto: reprodução)

A Leo Dias Comunicação e Jornalismo recebeu ao menos R$ 9,9 milhões diretamente do Banco Master em seis pagamentos feitos entre fevereiro de 2024 e maio de 2025, segundo relatório do Coaf.

O valor representou aproximadamente 28% de todos os recursos que entraram nas contas da empresa durante os 15 meses analisados pelo órgão.

Outro registro identificou R$ 2 milhões enviados à empresa do jornalista pela LD Produções, controlada por Flávio Carneiro. Dos R$ 3,7 milhões recebidos pela LD no período analisado, aproximadamente R$ 3,3 milhões tinham o Banco Master como origem.

Léo Dias afirma que os recursos estavam relacionados a publicidade do Will Bank e que seu grupo não recebeu investimento societário de Vorcaro ou de Fabiano Zettel. Segundo o jornalista, a relação mantida naquele período foi comercial.

A ligação com o grupo ganhou outra dimensão depois do relato do publicitário Thiago Miranda, que foi sócio do Portal Léo Dias.

Ele apresentou um contrato de julho de 2024 que registra a venda de 17% do portal por R$ 10 milhões para Flávio Carneiro.

Miranda afirma que Carneiro atuava como representante de Vorcaro naquela operação. Carneiro nega ser sócio oculto do ex-banqueiro.

Ratinho recebeu R$ 1,68 milhão

Empresas do grupo Massa receberam R$ 24 milhões do Banco Master (Foto: reprodução)

A Massa & Massa, empresa que explora comercialmente a imagem do apresentador Carlos Massa, o Ratinho, recebeu R$ 1,68 milhão do Banco Master. Foram quatro parcelas de R$ 420 mil confirmadas pelo Grupo Massa.

A empresa tem entre os sócios Ratinho, sua mulher, filhos e o governador do Paraná, Ratinho Junior.

Uma quinta parcela de R$ 420 mil apareceu como pendente em uma relação de contas a pagar enviada a Vorcaro e posteriormente anexada a relatório da Polícia Federal.

O Grupo Massa afirma que o contrato era exclusivamente publicitário e envolvia o uso da imagem de Ratinho para promover o CredCesta.

Segundo a empresa, o vínculo terminou depois de atrasos e divergências entre os pagamentos e os serviços contratados.

Não há acusação de que o apresentador tenha interferido em cobertura jornalística em favor do Master.

Prioli contesta contrato

Gabriela Prioli rebate acusações de ligação com Banco Master (Foto: reprodução)

Gabriela Prioli, que passou a integrar o Grupo Globo em 2023, também apareceu em mensagens do núcleo de marketing do Master.

Em abril de 2025, ela publicou um vídeo no qual questionava as críticas à confiabilidade da instituição e argumentava que a desvalorização dos ativos poderia beneficiar interessados em comprá-los por preços menores.

No celular de Vorcaro, uma integrante da equipe de marketing afirmou que havia conversado com Prioli e que um contrato de 12 meses estava assinado por intermédio de uma agência.

Outras mensagens discutiam possíveis abordagens para conteúdos futuros envolvendo CDBs do Master e críticas à cobertura jornalística sobre o banco.

Prioli nega integralmente essa versão. A apresentadora afirma que nunca conversou com Vorcaro nem com funcionários do banco, nunca celebrou contrato com o Master e não recebeu dinheiro para produzir conteúdo relacionado à instituição.

O nome dela não aparece entre os influenciadores apontados pela PF como integrantes da campanha investigada.

R$ 500 mil mensais

Luiz Bacci gravou vídeos atacando Banco Central e defendendo Master (Foto: reprodução)

Documentos do chamado Projeto DV acrescentam outro nome conhecido da televisão e do jornalismo.

O plano de comunicação elaborado em torno de Vorcaro previa contratos com influenciadores e veículos para produzir publicações críticas ao Banco Central e ao então diretor Renato Gomes, um dos principais responsáveis pela análise da compra do Master pelo BRB.

Uma empresa do jornalista Luiz Bacci aparece com previsão de pagamento de R$ 500 mil por mês durante seis meses.

O contrato da BN Publicidade e Marketing previa 30 publicações mensais. A Folha identificou também uma postagem no perfil do jornalista criticando o Banco Central e Renato Gomes.

Bacci confirmou que mantinha relação comercial com a agência Mithi, responsável pelo Projeto DV, mas disse que não poderia detalhar contratos por regras internas de compliance e confidencialidade. Segundo ele, a relação com a agência existia desde 2021.

GPS Brasília e Not Journal

O GPS Brasília aparece nos mesmos documentos com um contrato de R$ 100 mil mensais pelo período de um ano.

O acordo previa seis conteúdos por mês, divididos entre o site e o Instagram, e havia uma cláusula de confidencialidade. Um comprovante de pagamento de R$ 100 mil também foi identificado.

O portal publicou textos críticos à gestão de Renato Gomes no Banco Central. Jorge Eduardo, diretor e editor do GPS Brasília, afirmou que o contrato foi encerrado dez dias depois da assinatura por incompatibilidade entre os conteúdos propostos e a linha editorial do veículo.

Ele também declarou que o site mantém acordos publicitários com diversas agências e publica conteúdos sobre diferentes lados do caso Master.

A Not Journal aparece com contrato de R$ 30 mil mensais para 12 publicações no site e no Instagram.

Documentos do Projeto DV definiam inclusive o tipo de linguagem que deveria ser empregado. A página publicou textos críticos a Renato Gomes posteriormente.

Bruno Richards, diretor do veículo, confirmou a existência do contrato, mas afirmou que não havia determinação prévia sobre conteúdo.

Segundo ele, as publicações que coincidiam com o direcionamento apresentado pela Mithi foram feitas por um ex-funcionário.

Forbes

Antonio Camarotti, CEO e publisher da Forbes Brasil, aparece em outro conjunto de mensagens envolvendo Vorcaro.

Em 2024, conversas indicam que o ex-banqueiro orientou sua equipe a utilizar a revista como intermediária no custeio de passagens e hospedagem do ministro Luiz Fux e da mulher dele para um evento em Nova York.

A Forbes também realizou um almoço em homenagem ao ministro com patrocínio da BeFly, empresa que mantinha parceria financeira com o Master.

Em outra mensagem, Camarotti menciona US$ 200 mil relacionados ao patrocínio e aos direitos de nome de uma festa da publicação em Nova York.

A Forbes afirma que as relações foram comerciais, formais e transparentes e que não tinha conhecimento das investigações que posteriormente atingiriam Vorcaro e o Banco Master.

Fux afirma que recebeu o convite diretamente da revista, nunca negociou sua participação com Vorcaro e não teve contato com o banqueiro durante o almoço.

R$ 2 milhões

Diego Escosteguy, que foi editor-chefe da revista “Época” e executivo da Infoglobo antes de deixar o grupo em 2018, aparece em documentos da Polícia Federal relacionados ao site O Bastidor, fundado posteriormente por ele.

No dia da primeira prisão de Vorcaro, Escosteguy enviou ao banqueiro uma versão de uma notícia sobre uma investigação sigilosa.

A PF registrou que Vorcaro devolveu o conteúdo com alterações e que o jornalista consultou novamente o empresário antes da publicação. Menos de uma hora depois, a nota estava no ar.

Uma lista de cobranças reproduzida na investigação continha a referência “2M - Escosteguy”, mas o material tornado público não esclarece se os R$ 2 milhões correspondiam a um pagamento efetivamente realizado, ao valor integral de um contrato ou a outra obrigação.

Em setembro de 2025, mensagens mostram Escosteguy cobrando de Vorcaro uma segunda parcela de um pagamento.

Escosteguy nega interferência editorial. Ele afirma que a relação com Vorcaro era profissional, tanto pela condição de fonte jornalística quanto por contratos comerciais, e sustenta que acordos de publicidade e patrocínio não determinavam o conteúdo publicado pelo Bastidor.

O DCM

O Diário do Centro do Mundo aparece nos documentos policiais em uma situação diferente.

A PF afirma que Vorcaro tentou utilizar pagamentos para interromper publicações negativas sobre o Master e estimular conteúdos contra adversários. Uma das conversas menciona a possibilidade de R$ 50 mil mensais.

Os investigadores também reproduziram mensagens em que um interlocutor de Vorcaro dizia realizar pagamentos ao DCM e a outros dois editores não identificados.

Em outros diálogos, integrantes do grupo reclamavam de matérias negativas e discutiam uma suposta parceria com o portal.

O DCM nega ter recebido recursos, pagamentos ou benefícios de Vorcaro ou das pessoas investigadas e afirma que publicou reportagens críticas ao banqueiro.

O site também contesta a interpretação de que a sigla presente nos documentos necessariamente corresponda ao Diário do Centro do Mundo.

Confira mais notícias de O Brasilianista nas redes sociais