O senador Carlos Viana (PSD-MG), que presidiu a CPMI do INSS, que esbarrou nos escândalos do Banco Master, apresentou desta vez um requerimento para a criação de uma comissão investigativa sobre o caso Lulinha.
O anúncio foi feito na quinta-feira, 21. Viana busca assinaturas para a instalação, mas, com um Senado focado na reeleição e em ajudar campanhas, com exceção de agendas de audiência pública e da semana de esforço concentrado, esse trabalho tem poucas chances de avançar neste semestre.
Em meio às investigações de supostos vazamentos de informações sigilosas, Lula fez as pazes com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), na semana passada. Nos corredores do Senado, a avaliação é de que, após a conciliação, o pedido nem deve prosseguir.
Vale lembrar que Alcolumbre impediu a instalação da CPI do Banco Master ao se recusar a ler os requerimentos em sessão do Congresso Nacional em maio.
Eleições e o Ministério da Justiça
Enquanto os políticos estão preocupados com a reeleição e em como esses casos podem interferir nos resultados eleitorais, dois outros acontecimentos chamam a atenção:
O Ministério da Justiça pediu o retorno de 100 policiais cedidos que trabalhavam em órgãos em torno de magistrados e em outros setores da administração pública de volta para suas funções de origem.
Um dos atingidos foi Thiago Marcantonio Ferreira, delegado da Polícia Federal que atuava como assessor de Mendonça desde 2025.
Lula havia dito, em um evento na Embrapa Cerrados, em Planaltina (DF), em abril, que essas pessoas estariam fingindo trabalhar: “aqueles agentes ou delegados que estão aí, em outro lugar, fingindo que estão trabalhando e não estão trabalhando. Todos vão ter que voltar porque nós vamos derrotar o crime organizado neste país, e nós precisamos de todos os delegados e de todos os agentes trabalhando para prender bandidos neste país.”
Careca, Marcola, Roberta e Lulinha
Essa decisão tem impacto direto em meio ao avanço de investigações no STF sobre fraudes no INSS — envolvendo Carlos Camilo Antunes e a empresária Roberta Luchsinger — e a um suposto tráfico de influência envolvendo o filho do presidente Lula (PT), Fábio Luís Lula da Silva.
Vale lembrar que, conforme noticiou O Brasilianista, a Polícia Federal descobriu um pedido de empréstimo feito pelo ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana, a Roberta para a aquisição de duas joias avaliadas em R$ 9,2 mil. O empréstimo, no valor de R$ 249 mil, já foi quitado e não se trata de desvio, mas a oposição suspeita de como essa informação chegou antecipadamente ao Palácio do Planalto.
Nas mãos de André Mendonça
Outro caso conduzido pelo ministro André Mendonça é o do Banco Master, que envolve o senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo.
Conforme avançam as apurações, a PF revelou informações que reforçam ligações entre o político e o ex-CEO Augusto Lima no processo de aquisição de um prédio de alto padrão na Bahia e ingressos para shows, em troca de legislar em favor do interesse do banco. Wagner nega e, afastado de Lula, adiou o depoimento.
Lulinha é alvo de três inquéritos na PF sob suspeita de tráfico de influência, os quais estão sob análise do ministro Flávio Dino, e de outros dois com Mendonça. Lulinha está na Europa, enquanto o seu advogado tem falado publicamente sobre os inquéritos que o envolvem.
O presidente disse aos advogados para não pedirem o arquivamento, pois acredita na inocência do filho e afirma que ele está sendo atacado para desgastar seu governo rumo às eleições de 2026.
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