O caso Daniel Vorcaro deixou de ser apenas uma investigação sobre as operações financeiras do Banco Master.
Mensagens, documentos, contratos, encontros, viagens e movimentações financeiras reunidos ao longo da Operação Compliance Zero passaram a alcançar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), integrantes da Procuradoria-Geral da República (PGR), dirigentes da Polícia Federal, políticos do governo e da oposição, empresários, gestores públicos e personagens da campanha presidencial.
Nem todos aparecem da mesma maneira. Há investigados, pessoas citadas em mensagens, autoridades que tiveram reuniões com o banqueiro, beneficiários apontados em hipóteses policiais e personagens que foram apenas atingidos politicamente pela repercussão do caso.
A presença de um nome nos documentos, portanto, não significa participação em crime ou atuação conjunta com os demais envolvidos.
A mais recente ramificação surgiu nesta quarta-feira (02). O deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) apresentou ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), um pedido de impeachment contra o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
A iniciativa foi apresentada um dia depois de o chefe da PGR defender a nulidade e o arquivamento da apuração que alcançou o ministro Alexandre de Moraes e sua relação com Vorcaro.
Pedido contra Gonet
Jordy acusa Gonet de três crimes de responsabilidade: agir de maneira incompatível com a dignidade do cargo, emitir parecer quando estaria legalmente suspeito e ser omisso no cumprimento de suas atribuições.
O pedido utiliza informações encontradas no celular de Vorcaro. Uma das frentes envolve uma possível viagem a Londres.
Em mensagens reunidas pela PF, o advogado Ciro Rocha Soares perguntou se “Pedrinho filho do PG” poderia participar. Vorcaro respondeu positivamente.
Em outra conversa, ao tratar das pessoas cujas despesas seriam pagas pelo grupo, o banqueiro autorizou “Pedro e Ciro”.
A interpretação apresentada no pedido é de que a referência seria a Pedro Gonet, filho do procurador-geral.
A documentação divulgada até agora, contudo, não demonstra por si só que a viagem tenha ocorrido ou que as despesas tenham efetivamente sido custeadas por Vorcaro.
Ciro também aparece enviando uma fotografia ao lado de Gonet e pedindo que Vorcaro telefonasse porque o procurador-geral queria falar com ele. Quatro chamadas foram registradas depois da mensagem.
O parlamentar pediu ao Senado documentos relacionados à viagem, registros migratórios de Gonet e do filho e manifestações assinadas pelo procurador-geral nos procedimentos do Master.
Também solicitou depoimentos de personagens como Vorcaro, Ciro, Fábio Faria e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Parecer da PGR
A reação política ocorreu porque Gonet pediu a anulação da parte da investigação que avançou sobre Alexandre de Moraes.
O procurador-geral argumentou que André Mendonça teria extrapolado suas funções ao determinar diligências voltadas à identificação e ao aprofundamento de elementos relacionados a outro ministro do Supremo sem provocação da PF ou do Ministério Público.
Pelo entendimento da PGR, ao perceber que os elementos alcançavam uma autoridade com foro no próprio STF, Mendonça deveria ter levado a questão ao presidente da Corte para que o plenário decidisse sobre a abertura de uma apuração.
Gonet sustentou ainda que um juiz não pode assumir funções investigativas na fase pré-processual e pediu que os resultados dessas diligências sejam considerados nulos.
A decisão final não pertence ao procurador-geral. O presidente do STF, Edson Fachin, poderá arquivar a apuração ou levar o assunto ao plenário.
Moraes no caso

PF aponta oito encontros de Daniel Vorcaro com Alexandre de Moraes
Alexandre de Moraes passou a ocupar uma das posições mais sensíveis da crise depois que a Polícia Federal analisou o celular de Vorcaro.
Mensagens indicam pelo menos seis encontros entre o ministro e o então banqueiro.
O primeiro contato teria sido facilitado pelo ex-ministro das Comunicações Fábio Faria, que repassou a Vorcaro o telefone de Moraes no fim de 2023 e participou da organização de encontros posteriores.
Faria afirma que apenas aproximou Vorcaro do escritório de Viviane Barci de Moraes para tratar de uma demanda jurídica e que não conhecia os valores posteriormente negociados.
A relação ganhou outra dimensão com o contrato firmado pelo Banco Master com o escritório comandado por Viviane, mulher de Moraes.
O acordo poderia chegar a R$ 131 milhões. Metadados examinados pela Polícia Federal indicaram que uma das versões da minuta foi aberta e alterada em um sistema identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”.
O escritório confirmou que Moraes analisou o documento, mas afirma que a consulta ocorreu para verificar eventual impedimento ou conflito de interesses. A banca sustenta que o magistrado nunca julgou processos envolvendo o Master.
O contrato previa serviços entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025. Segundo o próprio escritório, foram realizadas 94 reuniões e produzidos 36 pareceres no período.
Mensagens a Moraes
As conversas mais delicadas ocorreram nos dias anteriores à prisão de Vorcaro. Em 15 de novembro de 2025, dois dias antes de ser detido, o banqueiro perguntou a Moraes:
“Acha que segunda já tenho que estar fora?”, questionou Vorcaro na mensagem analisada pela PF.
Na sequência, perguntou sobre o juiz responsável, mencionou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e quis saber se seria possível “fazer algo”.
No dia seguinte, Vorcaro voltou a consultar o ministro sobre a possibilidade de uma operação policial ocorrer na manhã seguinte.
A PF passou a investigar se o banqueiro tinha acesso antecipado a informações sobre a Operação Compliance Zero. Até agora, o material não comprova que Moraes tenha vazado informações sigilosas.
Vorcaro foi preso em 17 de novembro ao tentar embarcar em uma aeronave particular com destino a Dubai.
Cotas aéreas
O celular trouxe ainda informações sobre o uso de aeronaves relacionado ao escritório de Viviane Barci de Moraes.
Mensagens mostram tratativas envolvendo um jatinho Legacy 650 e um helicóptero Airbus EC 155 B1. A PF relacionou o direito de utilização das aeronaves à remuneração discutida entre o Master e a banca.
Os registros indicam que Vorcaro pediu que uma apresentação sobre as aeronaves fosse encaminhada a Viviane e que posteriormente houve utilização dos serviços.
Em uma das conversas, a advogada respondeu: “Sim, estamos gostando muito”, afirmou Viviane ao ser questionada sobre a utilização das aeronaves.
André Mendonça

André Mendonça admite encontro com Daniel Vorcaro, após vazamento de áudios: 'Uma única vez'
O ministro responsável atualmente pelas investigações do Master também teve contato anterior com Vorcaro.
Mensagens e áudios obtidos pelo jornalista Paulo Motoryn, da newsletter Noites Húngaras, revelaram que o banqueiro se reuniu com André Mendonça em 14 de março de 2025, em São Paulo.
A reunião ocorreu no endereço do Instituto ITER, fundado pelo próprio magistrado. A aproximação foi construída pelo advogado Ciro Rocha Soares e pelo deputado Cezinha de Madureira (PL-SP).
Antes do encontro, Ciro enviou a Vorcaro uma fotografia ao lado de Mendonça e afirmou: “Fala, Vorcarinho, trabalhando por você!”, disse o advogado em áudio encaminhado ao banqueiro.
Em outra gravação, Ciro relatou ter conversado com o ministro sobre a situação enfrentada pelo Master no Banco Central.
Mendonça confirma que recebeu Vorcaro, mas nega que o BC tenha sido assunto da reunião. Segundo o ministro, a conversa tratou da STP 976, processo relacionado a créditos de precatórios de interesse do banco.
O gabinete acrescentou que a posição posteriormente adotada pelo magistrado no processo foi contrária à defendida pelo empresário.
Ciro e Cezinha
Ciro Rocha Soares aparece em mais de uma frente. Além de participar da aproximação com Mendonça, ele surge posteriormente nas mensagens relacionadas a Paulo Gonet e à possível viagem internacional.
Cezinha de Madureira foi responsável por organizar diretamente a reunião de março.
Foi o deputado quem encaminhou o endereço a Vorcaro e, pouco antes da chegada do banqueiro, avisou que Mendonça já estava no local.
Uma primeira tentativa de encontro, em fevereiro, previa ainda a participação de Bruno Bianco, ex-advogado-geral da União no governo Jair Bolsonaro e posteriormente integrante da defesa relacionada ao Master.
O compromisso não ocorreu no horário planejado porque Mendonça estava em Brasília participando de sessão presencial do STF.
Embate no STF
As diligências ordenadas por Mendonça desencadearam uma crise entre ministros da Corte.
Moraes e Mendonça tiveram uma conversa descrita por fontes como direta, dura e ríspida depois que o relator comunicou que encaminharia o relatório à PGR.
Segundo material anteriormente publicado pelo O Brasilianista, Moraes teria questionado o colega por estar “investigando ministros do STF”.
A discussão ganhou outro componente quando Mendonça perguntou como Moraes havia tomado conhecimento do relatório policial, que estava sob sigilo e ainda não havia sido disponibilizado à própria PGR.
Mendonça retirou posteriormente o sigilo do documento e defendeu análise pública e presencial pelo plenário.
Fachin passou a consultar individualmente ministros antes de definir o encaminhamento. Mendonça disse a aliados acreditar que o presidente da Corte levará a questão ao colegiado.
Andrei Rodrigues

Andrei classificou a atuação como possível abuso de poder
A direção da Polícia Federal também entrou no confronto institucional.
Andrei Rodrigues demonstrou insatisfação com a condução de Mendonça e afirmou a aliados considerar que o ministro extrapolou suas atribuições ao determinar diligências sem solicitação da corporação ou da PGR.
Andrei disse entender que o magistrado estaria tentando exercer simultaneamente funções de juiz, investigador e Ministério Público.
O diretor-geral também negou ter conversado com Moraes sobre Vorcaro e afirmou que nem ele sabia previamente quando seria expedido o mandado de prisão do banqueiro.
O nome de Andrei aparece ainda em uma anotação de Vorcaro na qual o empresário fala em “reforçar com Andrei e Paulo” diante da pressão das autoridades.
A identificação de “Paulo” como Paulo Gonet é tratada pela própria Polícia Federal como hipótese, e a anotação não comprova que Andrei ou Gonet tenham adotado medidas em favor do empresário.
Planalto em 2024
A circulação de Vorcaro pelo poder também chegou ao gabinete presidencial antes da atual crise.
Lula recebeu o banqueiro em 4 de dezembro de 2024, em uma reunião que não constava na agenda oficial.
Além do presidente, estavam presentes Gabriel Galípolo, então diretor do Banco Central e já indicado para presidir a instituição; os ministros Rui Costa e Alexandre Silveira; e Augusto Lima, então executivo do Master. A articulação do encontro foi atribuída ao ex-ministro Guido Mantega.
Vorcaro apresentou questões relacionadas à situação da instituição financeira. Lula afirmou posteriormente que disse ao empresário que os problemas deveriam ser tratados tecnicamente pelo Banco Central, sem interferência política.
A reunião ocorreu quase um ano antes da primeira prisão de Vorcaro. Até agora, os elementos divulgados não imputam crime a Lula em razão desse encontro.
Lula agora

Lula avalia defender apuração ao abordar suspeitas envolvendo relação de Moraes com Vorcaro
A conexão com o Planalto reapareceu nesta semana por um motivo diferente. Lula procurou ministros do STF na terça-feira (01) para ouvir relatos sobre a crise aberta pelas mensagens envolvendo Moraes.
A ala da Corte mais próxima ao ministro reclamou ao presidente do que considera falta de uma reação institucional mais forte do governo e acusou Mendonça de agir alinhado ao adversário de Lula na eleição, Flávio Bolsonaro. Pessoas próximas a Mendonça rejeitam essa interpretação.
As reclamações também alcançaram Jorge Messias, da Advocacia-Geral da União. Ministros criticaram a ausência de uma iniciativa da AGU contra decisões de Mendonça que, na avaliação da PF, limitariam a autonomia da corporação nos casos Master e INSS.
Aliados aconselharam Lula a não assumir uma defesa direta de Moraes e a manter distância da disputa interna do Supremo.
Augusto Lima

Outro personagem fundamental é Augusto Lima, ex-sócio e ex-CEO do Master.
A Polícia Federal afirma que ele participou de negociações estratégicas do grupo, inclusive tratativas envolvendo a compra de carteiras pelo Banco de Brasília.
Lima também esteve na reunião com Lula em dezembro de 2024 e aparece em investigações relacionadas a contatos políticos, negociações financeiras e empresas do ecossistema do Master.
Sua relação com o senador Jaques Wagner passou a ocupar uma frente específica da Compliance Zero.
Jaques Wagner

Jaques Wagner e ex-sócio de Vorcaro se ligaram 74 vezes em 1 ano e meio
A PF identificou mensagens entre Augusto Lima e Jaques Wagner envolvendo o Master, BRB, Will Bank, Banco Central, nota de crédito da instituição e discussões políticas relacionadas ao banco.
A investigação também apura movimentações envolvendo empresas do núcleo familiar do senador e um apartamento avaliado em aproximadamente R$ 2,5 milhões.
Wagner nega ter atuado em benefício do Banco Master e afirma que sua relação com Vorcaro era praticamente inexistente, sustentando que os contatos ocorreram principalmente por intermédio de Augusto Lima.
A PF encontrou ainda registros de um encontro entre Wagner e Vorcaro no Senado e referências à disponibilização de uma aeronave para o parlamentar.
Rui e Silveira
Rui Costa e Alexandre Silveira também surgem em documentos relacionados ao ambiente político em torno da tentativa de venda do Master ao BRB.
Em relatório encaminhado ao STF, Vorcaro citou Rui Costa, Jaques Wagner e Alexandre Silveira ao ser questionado sobre políticos que seriam favoráveis à operação com o banco brasiliense.
A citação representa a versão atribuída ao próprio Vorcaro e, isoladamente, não comprova participação dos ministros em irregularidades relacionadas à tentativa de aquisição.
Núcleo do BRB

BRB consegue bloquear R$ 565 mil de ex-presidente por curso em Harvard
Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília, ocupa outra frente central.
Ele foi preso no âmbito da investigação e é suspeito de ter recebido aproximadamente R$ 140 milhões em imóveis de luxo como vantagem relacionada à operação que pretendia viabilizar a aquisição do Master pelo BRB.
Costa tentou negociar colaboração premiada, mas sua proposta foi rejeitada pela PGR por falta de elementos novos considerados substanciais.
O ex-presidente do banco brasiliense também citou nomes de agentes políticos e públicos em sua proposta. Como o acordo não foi homologado, essas menções não constituem prova contra os citados.
Mercado financeiro
Entre os nomes já atingidos por fases da Compliance Zero estão o empresário Nelson Tanure e João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos.
O Brasilianista já havia incluído os dois, ao lado de Paulo Henrique Costa e do ministro do Tribunal de Contas da União Jhonatan de Jesus, entre os personagens alcançados pelos desdobramentos do caso.
A existência dessas apurações possui natureza diferente das mensagens que envolvem ministros do STF ou das relações políticas discutidas em outras frentes.
Ciro Nogueira

Daniel Vorcaro e Ciro Nogueira juntos sob o Sol
Documentos analisados pela PF mostraram que o parlamentar utilizou temporariamente um imóvel do banqueiro. Uma mensagem de novembro de 2025 registrou o pedido de Ciro para permanecer mais três ou quatro meses no apartamento.
Outros registros indicaram despesas atribuídas ao senador e à companheira durante uma temporada na França pagas por meio de uma estrutura ligada a Vorcaro.
O Brasilianista também noticiou investigação sobre uma relação empresarial envolvendo Vorcaro e Ciro no setor de energia solar em Minas Gerais.
As diferentes frentes continuam sujeitas a apuração e às versões das defesas.
Festas e política
A capacidade de circulação do banqueiro também aparecia em eventos privados. O Brasilianista mostrou que Vorcaro promoveu encontros com políticos como Ciro Nogueira, Hugo Motta, Marcos Pereira, Isnaldo Bulhões e Doutor Luizinho.
Em um evento realizado em Manhattan, convidados receberam garrafas de Macallan 25 anos e caixas de charutos.
Mensagens também indicaram que Vorcaro bancou um jantar para Cláudio Castro em Nova York. A participação em festas, recebimento de presentes ou refeições, isoladamente, não comprova contrapartida política ou prática criminosa.
Lado de Flávio

Flávio Bolsonaro chama Moraes de 'advogado de Vorcaro'
Flávio Bolsonaro admitiu que procurou Vorcaro em busca de financiamento para Dark Horse, filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.
Um áudio revelado em maio registra o senador pedindo novos recursos para concluir a produção. Naquele momento, aproximadamente R$ 61 milhões relacionados a Vorcaro já haviam sido direcionados ao projeto.
Flávio também confirmou que visitou Vorcaro em sua residência em São Paulo quando o empresário cumpria medidas cautelares depois da primeira prisão.
O senador afirma que os contatos estavam relacionados ao financiamento do filme e nega ter oferecido vantagem política ou administrativa ao banqueiro.
Novo pagamento
Em 16 de setembro de 2025, Vorcaro transferiu mais US$ 1,6 milhão, aproximadamente R$ 8,5 milhões na cotação daquele período, ao Havengate Development Fund.
A transferência elevou inicialmente o montante conhecido relacionado a Vorcaro de US$ 10,6 milhões para US$ 12,3 milhões, cerca de R$ 63,7 milhões.
Investigações e documentos posteriores indicaram, porém, que o total dos recursos enviados pelo banqueiro pode chegar a US$ 14 milhões, aproximadamente R$ 72 milhões.
Fundo Havengate
O Havengate tornou-se uma peça central para entender o percurso financeiro.
Uma perícia particular encomendada pela Go Up Entertainment afirma que, até 4 de junho de 2026, foram gastos exatamente US$ 13.393.081,29 na produção e que a companhia recebeu do Havengate o mesmo valor.
O documento, entretanto, não identifica individualmente quanto foi pago a atores, produtores ou fornecedores, nem apresenta todas as datas, empresas contratadas ou documentos necessários para reconstruir integralmente o caminho do dinheiro.
O responsável pela perícia afirmou possuir provas de que os recursos recebidos pelo fundo foram enviados à produtora, mas os comprovantes não foram disponibilizados publicamente sob justificativa de sigilo bancário.
A PF tenta justamente determinar se todo o valor entregue por Vorcaro ao Havengate chegou efetivamente ao filme.
Rota do dinheiro
Segundo a piauí, os valores não seguiam diretamente das empresas de Vorcaro para a Go Up.
O dinheiro passava pela Entre Investimentos e Participações, de Antonio Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”, antes de chegar ao Havengate nos Estados Unidos.
A primeira remessa identificada foi de US$ 2 milhões em 13 de fevereiro de 2025. Os investigadores agora buscam compreender todas as etapas do percurso e se alguma parcela permaneceu no fundo ou teve outra destinação.
Não há, até o momento, evidência de que dinheiro de Vorcaro tenha sido desviado para custear a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Essa possibilidade permanece como uma linha de investigação.
Paulo Calixto
O advogado Paulo Calixto colocou uma nova interrogação sobre a estrutura.
Amigo de Eduardo Bolsonaro e responsável pela administração do Havengate, Calixto não aparece formalmente como produtor ou integrante da Go Up.
A piauí, entretanto, encontrou o nome do advogado nos metadados de uma nota de esclarecimento enviada pela produtora à revista.
Os registros do arquivo mostram que Calixto criou o PDF cerca de duas horas antes de a publicação recebê-lo.
Michael Davis, sócio da Go Up, negou a participação do advogado. Karina da Gama também não apresentou uma explicação conclusiva sobre por que o nome aparecia no documento.
Eduardo Bolsonaro

Eduardo Bolsonaro orientou envio do máximo de recursos de Daniel Vorcaro para os EUA
Quando as primeiras informações sobre Dark Horse vieram a público, ele afirmou não controlar a estrutura financeira do projeto.
Documentos americanos, porém, já o apresentaram em diferentes momentos como “produtor executivo” e “financiador”.
Eduardo afirmou que investiu US$ 50 mil de recursos próprios para garantir a contratação do diretor e que posteriormente recebeu o dinheiro de volta. A PF busca determinar qual era seu grau de influência sobre o Havengate.
Mário Frias
O deputado declarou inicialmente que o projeto não utilizava recursos de Vorcaro. Posteriormente, reconheceu participação indireta do banqueiro e do Banco Master na estrutura de financiamento.
Karina da Gama
Karina Ferreira da Gama, responsável pela Go Up Entertainment, tornou-se uma das principais personagens da frente cinematográfica.
Além das dúvidas sobre a prestação de contas de Dark Horse, outra entidade ligada à empresária apresentou ao menos R$ 16,5 milhões em notas fiscais consideradas irregulares em São Paulo, segundo reportagem anterior do O Brasilianista.
A Polícia Civil também investiga um contrato de R$ 108 milhões envolvendo o Instituto Conhecer Brasil e a Prefeitura de São Paulo para implantação de pontos públicos de wi-fi. Karina e os demais envolvidos negam irregularidades.
Campanha atingida
Marcello Lopes deixou a chefia de comunicação da pré-campanha de Flávio poucos dias depois de a relação com Vorcaro ganhar dimensão nacional.
Segundo pessoas próximas, a decisão ocorreu para que o publicitário priorizasse negócios e assuntos familiares. Eduardo Fischer foi chamado para reorganizar a estrutura de comunicação.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, também precisou negar publicamente que tivesse estabelecido um prazo para testar a resistência eleitoral da candidatura.
A crise alcançou ainda setores da coordenação política comandados pelo senador Rogério Marinho, responsável pela articulação da campanha de Flávio.
Esses personagens foram atingidos pela repercussão política e não são, por esse fato, tratados como integrantes das investigações financeiras.
Siga nossas redes: O Brasilianista!

