A campanha de Ronaldo Caiado (União-GO) parecia ter vantagem, pois o candidato à Presidência não costuma ser associado à corrupção, como ocorre com Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
Como Caiado ainda não ganhou projeção nacional nem converteu as intenções de voto do eleitor, principalmente o de Flávio Bolsonaro, ele aparece como terceiro colocado nas pesquisas, distante dos líderes.
Na média ponderada do Instituto Inteligov, Caiado aparece com apenas 4,8%, muito distante dos dois principais candidatos: Lula (39,7%) e Flávio Bolsonaro (33%).
Embora Flávio tenha passado por desgastes com Michelle Bolsonaro (que concentra a atenção do eleitor feminino e evangélico), além de episódios envolvendo o caso Vorcaro e o fundo Havengate, o cenário para o goiano é difícil.
Em relação a Lula, a situação piora, pois parte desses eleitores têm diferenças fundamentais de princípios com o ex-governador goiano.
O elo

O trunfo de Caiado será conseguir associar Flávio e Lula à Operação Carbono Oculto por meio do Caso Master e do Escândalo do INSS, pois as investigações mostraram que a lavagem do dinheiro foi feita pelas mesmas empresas.
A Carbono Oculto revelou um esquema de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis que envolve o PCC e fundos de investimento. Em São Paulo, 16 pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público paulista por integrarem um grupo que financiava e ajudava no desvio de metanol e na lavagem de dinheiro.
De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o esquema atingia toda a cadeia econômica do setor, pois envolvia a produção do combustível e a distribuição aos postoscontrolados pelo PCC.
Contra Lula

Ronaldo Caiado afirma que sempre defendeu os interesses do agronegócio e enfrenta, há mais de 40 anos, quem atrapalha a produtividade no campo, sustentando que o PT sempre travou o desenvolvimento do setor.
Contra Flávio

Com Flávio Bolsonaro, Caiado quer disputar o espaço da segurança pública. O ex-governador de Goiás diz que endurecerá penas e integrará as Forças Armadas em ações com estados e municípios, para combater organizações criminosas.
Ronaldo Caiado também tem trazido ao debate a comparação entre seu currículo e o de Flávio. O ex-governador chegou a dizer que Flávio só é candidato por ordem do pai do senador, Jair Bolsonaro.
Promete, mas não explica

Caiado se vende como um candidato que busca o fim da polarização e tenta convencer o eleitor de que deixará o Brasil menos violento classificando facções como terroristas domésticos e criando o Ministério da Segurança Pública.
Cortes de gastos para direcionar dinheiro público para saúde pública e novos modelos de trabalho também passaram a ser discutidos pelo político, para ampliar seu eleitorado.
O candidato, que se posicionou a favor do modelo 5x2, chamou o modelo da CLT de "arcaico" e defendeu a necessidade de alternativas para "atender a uma geração que hoje quer trabalhar as horas que deseja".
A responsabilidade fiscal e a organização do orçamento também são bandeiras que Caiado tenta levantar ao prometer conversar com deputados e senadores para evitar engessamento ou desperdício de recursos públicos.
Caiado, no entanto, não explica como construirá esse pacto com os parlamentares, que costumam condicionar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) aos seus próprios interesses.
A tendência é que, além de não ocorrer uma renovação ampla de deputados e senadores, o COngresso siga responsável por indicar o destino de boa parte do orçamento do Executivo, mantendo a pulverização dos recursos.
PP, União Brasil, Republicanos e o PSD — partido pelo qual Caiado disputa a Presidência — tendem a ampliar suas bancadas e fortalecer a tomada de decisões orçamentárias no Congresso.
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