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Política

Eleições 2026: evento debate o que esperar do primeiro e segundo turno

CEOs da Arko Advice, Murillo de Aragão, e da Atlasintel, Andrei Roman, trazem pesquisas e análises sobre o quadro atual político

Lula e Flávio Bolsonaro
Tudo indica uma disputa extremamente acirrada entre PT e PL (Foto Lula: Paulo Pinto/Agencia Brasil; Foto Flávio: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Nesta sexta-feira (02), o encontro “Eleições 2026: Cenário e Perspectivas” reuniu os CEOs da Arko Advice, Murillo de Aragão, e da Atlasintel, Andrei Roman, com a mediação do VP da Arko Advice, Cristiano Noronha, às vésperas do primeiro turno. 

Andrei começou apresentando um panorama do resultado das últimas pesquisas. "Estamos entrando nessas últimas horas da campanha antes da votação com um quadro supreendentemente fixo. Tivemos muitos acontecimentos ao longo das últimas semanas e se tem algo que talvez surpreende nas nossas pesquisas é a estabilidade do quadro. As preferências do eleitorado parecem ter evoluído muito pouco", disse. 

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O CEO da Atlasintel ainda completou que essa estabilidade e pouca volatilidade se mantiveram nas últimas 24 horas, quando, segundo ele, "vimos um debate que foi cancelado, uma manifestação de um candidato à frente da TV Globo, o presidente Lula em um podcast com milhões de visualizações no YouTube... Vários acontecimentos que talvez em outros ciclos eleitorais poderiam ter impacto, mas hoje, não altera o quadro". 

Andrei afirmou que a expectativa da empresa é de que haverá segundo turno na disputa presidencial deste ciclo e ainda acrescentou que esse segundo turno deverá ser muito acirrado. 

Para o segundo turno

"Provavelmente teremos uma queda muito grande do presidente Lula em alguns estados do nordeste, mas ele tem essa folga de uns 2 pontos percentuais, então mesmo perdendo votos de margem, pode vencer no segundo turno", aponta e complementa: "A votação do Cury e Caiado encolheu um pouco na margem nos últimos tempos. O que não acontece com Renan Santos e talvez essa parcela do Renan seja a chance de Flávio para o segundo turno", já pelo lado da esquerda, ele indica acompanhar o segmento de mulheres jovens, até 30 anos, que até o momento, vem se apresentando bem afastado do clima político e da eleição, mas se decidirem participar, podem beneficia Lula. 

Neste segundo momento, Andrei pondera: "As campanhas para governos estaduais também poderão ser importantes. Por exemplo, Minas Gerais, onde devemos ter segundo turno, pode influenciar a margem presidencial também". 

Na sequência Murillo concordou que a reta final claramente será muito apertada. "Há a possibilidade que a gente tenha uma espécie de rally da direita, isso porque Lula nao vem perfomando bem em colégios eleitorais que ele sempre foi forte; ele também perde em 2 colégios federais muito fortes: SP e Minas". 

O que pode pesar

O CEO da Arko Advice alertou para três pontos que preocupam a campanha de Lula: 

  1. O "voto inrustido na direita": "De certa maneira, há uma condenação social ao voto no Bolsonaro, principalmente entre os isentões, aí o preconceito com Flávio leva pessoas que podem votar nele a não abrir o voto nele nas pesquisas e ambientes sociais";
  2. Os governadores que serão eleitos: "A esquerda pode eleger 5 governadores, já o centro e direita 23 governadores. Isso poderá beneficiar o Flávio na reta final. Há uma dúvida com relação ao segundo turno, pq eles perdem mobilização em relação ao seu candidato";
  3. As últimas medidas adotadas pelo Supremo Tribunal Federal: "O STF, com as decisões tomadas ao longo dos meses, gerou uma repulsa muito grande por parte da sociedade e nesse sentido, o Flávio se beneficia. Por exemplo, as últimas decisões tomadas que foram consideradas benéficas ao Lula". 

Diante desse cenário, Murillo afirma: "As pesquisas estão certas, o Lula pode ganhar por 3/4 pontos, mas não seria surpresa se essa diferença fosse menor ou se Flávio até apresentasse certa vantagem". 

Ao que Andrei concorda: "A margem provável entre Lula e Flávio é de 3 a 5 pontos. Dentro dessa margem não temos um desfecho claro do segundo turno. Ele será bastante disputado e competitivo". 

Pontos de atenção

Para Murillo, a eleição mais importante desse fim de semana é a de senadores e justifica: "O Senado dará o tom da crise institucional que vivemos no país. A Casa terá um papel importante de acirrar ou apaziguar esse conflito entre Poderes. Caso se confirme uma presença majoritária do centrão e direita, isso mostra que é um Senado diferente e que provavelmente irá encampar algumas pautas que estão na agenda entre Legislativo e STF". 

Em relação ao peso do voto útil no segundo turno, com a provável saída de Caiado, Zema, Cury e Renan, Andrei entende que isso não afetará tanto nem Lula, nem Flávio. 

"Temos 11%, com 5% do Renan, 3% do Cury, 2% do Caiado, 1% para o Zema e os demais. Isso pode cair um pouco na reta final, mas duvido que caia muito. Mas nao acredito que, se mudar, irá impactar de fato o desfecho do primeiro turno ou do segundo", constatou. 

Outro ponto levantado pelos especialistas foi o "anti-petismo de chegada", eles acreditam que ele existe, porém Andrei enfatiza: "Lula fez uma campanha ruim, mas eu diria que as duas campanhas tiveram muita vulnerabilidade, um acúmulo de desgastes e escândalos, mas como as preferências são tão enraizadas, isso fez a corrida avançar com certa inércia. Por isso o anti-petismo de chegada deve ser menos forte do que poderia chegar".

O efeito dos escândalos

Andrei opina: "Na margem, o Flávio foi mais afetado pelos escândalos. Ele provavelmente chegaria com uma folga no segundo turno das eleições se não fossem eles. Se tivéssemos apenas os escândalos do Lulinha e Marcola sobre corrupção, isso seria muito tóxico para Lula e o prejudicaria bastante, principalmente porque foi o ponto mais sensível na última eleição contra o petismo. O Flávio não conseguiu capitalizar esse eleitor em decorrência do seu próprio desgaste e isso explica o porquê termos esse resultado". 

Para ele, um tema que era bastante sensível para o petista foi praticamente aniquilado quando o nome de Flávio foi envolvido num esquema de corrupção recente. 

Diante da possibilidade de novos escândalos serem divulgados ainda nessas últimas horas restantes e afetar significativamente os dados dos levantamentos, o CEO da Atlasintel diz: "Francamente, tudo o que foi revelado dos dois lados já é muito escandaloso. Então acho que teria que ser algo muito forte para impressionar, mas mais um fato escandaloso não sei se moverá a bolha". 

Nessa mesma linha, Murillo acredita que é preciso haver um desempenho muito ruim de um dos candidatos para favorecer realmente o outro no segundo turno: "Eu vejo que ambos vão partir para o ataque. Lula vai atacar essas questões do Vorcaro e Flávio vai atacar usando Lulinha, Jaques Wagner...".

O CEO da Arko Advice afirma: "O Lula sobrevive hoje pelo antibolsonarismo. Eu tenho um sentimento que se fosse o Tarcísio, ele estaria na frente". Murillo ainda defendeu que os dois candidatos devem ir aos debates, ambos devem se dispor. "A eleição no segundo turno vai ser decidida no detalhe".

Expectativas para domingo

Para Murillo, essa eleição trouxe ingredientes não comuns às eleições que afetaram, afetam e podem afetar a decisão do eleitor, a exemplo da influência geopolítica, principalmente dos Estados Unidos, via Trump, e das interferências do Judiciário".

Andrei conclui: "Temos alguns eleitores ocultos do Flávio, entre Renan, Caiado, Zema e Cury, o que deve ajudá-lo. Isso quer dizer que as pesquisas mostram uma vantagem do Lula hoje que provavelmente vai se reduzir na margem e isso tende a ser um impacto mais relevante quanto maior for essa parcela de eleitores da 3ª via. Tudo indica que vamos ter uma convergência das pesquisa para um cenário muito apertado e, assim, pra mim, é muito difícil especular quem será o vencedor da eleição presidencial em 2026. Tudo indica que a campanha eleitoral não acabará neste domingo".

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