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Geopolítica

Trump não cuidou dos latinos

Os cidadãos que ajudaram o republicano a se eleger em 2024 agora se veem mais insatisfeitos com seu governo

Trump não cuidou dos latinos
Há vantagem para os democratas entre os votantes de origem latino-americana (Foto: Creative Commons/ Wikimedia Commons)

Os latinos possuem papel essencial nas eleições de meio mandato nos Estados Unidos. Os cidadãos que ajudaram Donald Trump a se eleger em 2024 agora se veem mais insatisfeitos com seu governo.

Reportagem do Valor mostra que as pesquisas eleitorais americanas indicam cerca de 30 pontos percentuais de vantagem para os democratas entre os votantes de origem latino-americana.

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Dados do instituto de pesquisa Ipsos revelam que esse movimento é causado por dois motivos principais: a insatisfação com o alto custo de vida — para 80% do eleitorado latino — e a política migratória — para os demais 20%.

O custo de vida, pressionado por inflação alta e aumento do preço dos combustíveis influlenciado pela guerra contra o Irã, piorou nos EUA. A população latina foi uma das mais prejudicadas nesse cenário.

Já em relação à política anti-imigração de Trump, muitos latinos se decepcionaram com a atuação da polícia federal americana de controle de imigração (ICE, na sigla em inglês), responsável por prisões, deportações em massa e violência contra civis, imigrantes com ou sem autorização para viver no território americano.

Vale lembra que os votos dos latinos podem ser decisivos em distritos eleitorais nos quais as disputas para deputados e senadores estão acirradas, como na Califórnia, Flórida e Texas.

Os democratas que concorrem ao Senado já poderão contar com a maioria dos votos dos eleitores latinos nos sete Estados que são considerados de resultado imprevisível: Iowa, Maine, Michigan, Ohio, Texas, Kansas e Alasca.

Eleitores americanos vão às urnas nesta terça-feira (03) nos Estados Unidos para redefinir as cadeiras do Congresso. Apesar dos votos não afetarem diretamente o cargo de Donald Trump, o presidente do país, podem modificar a dinâmica de governabilidade do republicano.

Os efeitos da política migratória

A questão da imigração a é uma das principais dimensões da identidade política do Trumpismo que é focada, principalmente, na população latina. Agora, também é um dos principais problemas do governo.

A Imigração e Alfândega dos EUA (ICE, na sigla em inglês), órgão federal responsável por atividades de fiscalização e aplicação da legislação migratória, ocupa a posição central nesse processo.

O ICE já matou imigrantes em protestos, além de realizar uma série de prisões e deportações violentas durante o segundo mandato de Trump. A população negra e latina dos EUA relata medo em sair às ruas devido a essa repressão.

A operação do órgão se tornou uma das principais marcas do governo do republicano, o que também virou um tiro no pé para as eleições de meio mandato.

O desafio político surge quando ações de fiscalização produzem controvérsias sobre proporcionalidade, devido processo legal, e tratamento dispensado aos imigrantes. E justamente essas controvérsias que podem ampliar a polarização eleitoral.

Para determinados segmentos do eleitorado, uma política migratória rigorosa representa o cumprimento de uma promessa presidencial. Para uma outra parcela, especialmente quando envolve denúncios de abusos, ela pode representar uma ameaça a direitos e garantias fundamentais.

Como funcionam as eleições de meio mandato?

As eleições de midterm renovam toda a Câmara dos Representantes e um terço do Senado. 

O presidente não aparece na cédula, mas o resultado costuma funcionar como um julgamento político dos dois primeiros anos de governo. Além disso, a escolha da população afeta ainda os últimos dois anos do mandato do presidente vigente.

No Senado, são 100 parlamentares no total, com duas cadeiras para cada um dos 50 estados, independentemente do tamanho da população. Já na Câmara dos Representantes, as 435 cadeiras são distribuídas entre os estados de acordo com a população.

Estão em disputa nas eleições de meio mandato de 2026:

  • Todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes;
  • 35 cadeiras do Senado;
  • Governador em 36 estados americanos.

Neste ano, o cenário é particularmente importante na Câmara: os republicanos possuem uma maioria mínima e enfrentam risco real de perdê-la. No Senado, os democratas precisam obter quatro cadeiras líquidas para assumir o controle.

Se Trump mantiver as duas Casas, terá muito mais espaço político para aprofundar a agenda externa durante os dois últimos anos de mandato. Já se perder uma ou ambas, continuará controlando a diplomacia e possuindo amplos poderes presidenciais, mas poderá enfrentar mais investigações, bloqueios orçamentários e resistência legislativa.

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