O colapso do Banco Master, envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, gerou uma sequência de desdobramentos que atingiu os Três Poderes. As investigações avançam à medida que a Polícia Federal, a pedido do Supremo Tribunal Federal, aprofunda a análise sobre as condutas associadas ao caso.
A investigação do banco privado ganhou forte repercussão ao se tornar foco de debates na CPMI do INSS. Antes disso, vale relembrar como o episódio evoluiu de uma crise financeira institucional para a suspeita de atuação de uma organização criminosa no setor financeiro.
Em 2018, Vorcaro tornou-se acionista majoritário do Banco Master ao lado de Augusto Ferreira Lima, com o objetivo de reestruturar a instituição que já dava sinais de colapso.
Em 2021, o antigo Banco Máxima mudou oficialmente sua denominação para Banco Master. Segundo o ex-banqueiro, as receitas da instituição saltaram de R$ 180 milhões, em 2018, para R$ 1 bilhão em 2020.
Negociação do BRB
Vorcaro passou então a planejar novas aquisições. Em 2025, o Conselho Administrativo do Banco de Brasília (BRB) aprovou, por unanimidade, a compra do Master.
Conforme O Brasilianista explicou, o inquérito da Polícia Federal, baseado em auditorias do BRB, apontou que as informações sobre a aquisição dos títulos eram insuficientes e careciam de dados robustos que validassem a negociação entre as instituições. A PF aponta que a operação gerou um rombo de R$ 17 bilhões.
O ex-diretor do BRB, Paulo Henrique Bezerra, e Daniel Vorcaro realizaram aproximadamente 25 operações. Em 21 delas, o banco brasiliense utilizou o teto orçamentário por transação no valor de R$ 750 milhões, dispensando a autorização prévia do Conselho Director.
Em setembro de 2025, o Banco Central identificou indícios de fraude e passou a investigar formalmente a conduta das instituições e dos agentes envolvidos.
Em razão dos títulos sem lastro adquiridos pelo BRB, o banco estatal passou a enfrentar severa crise financeira, culminando no afastamento dos dirigentes que autorizaram o processo de aquisição.
Prisão de Vorcaro

No dia 18 de novembro de 2025, agentes da PF prenderam Daniel Vorcaro no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo.
No mesmo período, o Banco Central determinou o fechamento do Banco Master.
Em janeiro de 2026, as autoridades bloquearam mais de R$ 5,7 bilhões em ativos pertencentes a 38 investigados, incluindo familiares de Vorcaro.
De Toffoli ao BRB

Em fevereiro de 2026, o ministro do STF Dias Toffoli declarou-se suspeito para atuar no caso, após a PF identificar menções ao seu nome em mensagens no telefone de Vorcaro.
Em março de 2026, Vorcaro foi preso novamente sob a suspeita de tentar interferir nas investigações após obter liberdade mediante fiança. Em abril, Paulo Henrique, ex-presidente do BRB, também foi preso.
Nesta terça-feira (15), o ministro Kassio Nunes Marques declarou-se impedido e o ministro Dias Toffoli declarou-se suspeito para analisar o pedido de abertura de investigação sobre a conduta do ministro Alexandre de Moraes.
Envolvimento de Políticos
O caso ganhou novas ramificações ao alcançar a classe política. Em maio de 2026, a PF pediu a prisão de Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro, acusado de operar milícias privadas a mando do filho.
No mesmo mês, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) foi acusado de receber repasses de um primo do ex-banqueiro em troca de atuação favorável ao grupo no Congresso Nacional. O ex-líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), também passou a ser investigado.
A PF passou a apurar se o parlamentar baiano obteve vantagens indevidas do sócio de Vorcaro, Augusto Lima, por meio da aquisição de um imóvel de luxo em Salvador (BA). Alvo de mandados de busca em junho de 2026, Wagner deixou a liderança do PT no Senado sob pressão política.
Desdobramentos no Rio de Janeiro
Em maio de 2026, o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro e ex-diretores do Rioprevidência foram presos sob a acusação de usar fundos de pensão estaduais em investimentos de alto risco no Banco Master.
Dois meses antes, em abril, Castro havia renunciado ao cargo para disputar as eleições, mas tornou-se inelegível após condenação no Tribunal Superior Eleitoral por abuso de poder político e econômico.
Continuidade das investigações

A Polícia Federal solicitou a prorrogação das investigações por mais dois meses em agosto deste ano, após localizar novos indícios de irregularidades envolvendo não apenas o BRB, mas também o suposto envolvimento de ministros do Supremo Tribunal Federal.
No mesmo mês, a PF abriu apuração sobre irregularidades em aportes de R$ 1,2 milhão realizados pelo Banco Master no fundo de pensão municipal de Campo Grande (MS).
Após sua terceira transferência de presídio, Vorcaro tentou firmar acordo de delação premiada, sem sucesso. Segundo a PF e a Procuradoria-Geral da República, o ex-banqueiro não apresentou fatos novos ou elementos capazes de avançar com as investigações.
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