Uma perícia realizada em agosto deste ano indica que a diretoria do Banco de Brasília (BRB) autorizou a compra da carteira do Banco Master entre 2024 e 2025. A PF indica que essa fraude custou R$ 17,5 bilhões.
A perícia disse ainda que, mesmo após os avisos formais sobre a liquidez do BRB e as carteiras se mostrarem com títulos podres, os dois bancos continuaram com as tratativas. As informações foram apuradas pelo Estadão.
Os dados registrados pelo grupo de trabalho do Banco de Brasília, registrado em abril de 2025, não descrevem, por exemplo, as informações deste tipo de tratativa com precisão, o que dificulta a análise das operações financeiras e ativos da instituição financeira.
Documentos Falsos
Os relatórios produzidos foram criados com base em “documentos falsos”, “materialmente insubsistentes” e apontam que dados internos foram manipulados e foi utilizada empresa de fachada, “com a conivência e atuação dolosa da alta administração do BRB”.
A PF diz que essa situação, que colocou em risco o banco brasiliense, é responsabilidade, especialmente, de Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa, ex-presidente do BRB.
Vale lembrar que tanto Paulo Henrique, do BRB, quanto o ex-banqueiro Daniel Vorcaro seguem presos.
As informações constam nos relatórios dos quais foram retirados os sigilos pelo Supremo Tribunal Federal, pelo ministro André Mendonça, divulgados na sexta-feira (11).
Operações com o Master
Segundo a perícia, o processo de aquisição não foi apenas um descuido, mas um esquema consciente para obtenção de vantagens:
“A conclusão não decorre do simples insucesso econômico, da assunção de risco elevado, da existência de prejuízo ou de uma falha procedimental isolada. Decorre da utilização repetida de expedientes objetivamente aptos a distorcer, contornar, neutralizar ou regularizar retrospectivamente os mecanismos de informação, autorização e controle, preservando aparência formal de regularidade incompatível com a substância econômica e decisória das operações.”
A diretoria do BRB havia aprovado aproximadamente 25 operações com o Master, totalizando o uso de R$ 17,5 bilhões.
Em 21 destas operações, os valores ocorreram no limite do teto da diretoria do banco – R$ 750 milhões. Até esse valor, não era necessário pedir autorização ao conselho de administração.
Apenas em junho do ano passado, o BRB quase realizou 90% das operações com o banco de Daniel Vorcaro, no valor de R$ 19,78 bilhões.
Responsáveis pela operação
Em maio de 2025, o relatório final do banco confirmou os problemas do banco antes da operação e que o Banco de Brasília pagou, ainda assim, R$ 5,2 milhões ao Master.
Seis diretores do banco foram apontados pela perícia como os responsáveis técnicos por essa operação: Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB; Cristiane Maria Lima Bukowitz, diretora responsável pela Gestão de Pessoas; José Maria Corrêa, diretor de Tecnologia; Dario Oswaldo, diretor de Finanças e Controladoria; Luana de Andrade Ribeiro, diretora de Controle e Riscos; e Diogo Ilário de Araújo, diretor responsável por Atacado.
Cabe, portanto, à Justiça ainda julgar e definir os responsáveis. Por meio de nota, o BRB disse que foi vítima e que a atuação de ex-dirigentes não pode ser associada à instituição. Sobre os dirigentes citados na perícia, o banco não comentou. Por fim, disse que “é a oportunidade para todos conhecerem o que aconteceu com a instituição, vítima de criminosos, e as medidas adotadas pela nova gestão”.
Créditos fictícios
O Banco Master vendeu créditos artificiais, sem base em ativos financeiros reais. No ano passado, o BRB tentou comprar o Master, mas o Banco Central rejeitou a tentativa de aquisição.
O Banco Master foi liquidado em novembro de 2024, após o plano de aquisição ter exposto a crise da incapacidade do banco em conseguir cumprir seus compromissos financeiros.
Para conseguir recursos, por causa da situação financeira do banco, foi então que Vorcaro passou a vender créditos fictícios para o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa.
O Master não tinha capacidade de criar crédito consignado em grande volume, nem estrutura operacional para gerar esse tipo de crédito. Para formalizar esse processo, Vorcaro usou a empresa Tirreno para repassar recursos para o Master e, em seguida, vendeu para o BRB.
Mesmo após a aquisição, o BRB ficou com a dívida. A parcela que corresponde aos créditos fictícios equivale a R$ 12,2 bilhões. O BRB ainda segue sem cobertura em virtude da fraude.
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