As investigações da Polícia Federal (PF) na Operação Compliance Zero e que agora estão públicas por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) mostram como Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, conseguiu um Banco Central (BC) para chamar de seu.
As informações coletadas pela PF expõem trocas de mensagens, agendas conjuntas e repasses financeiros envolvendo Vorcaro e os diretores do BC Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana.
Em uma das trocas de mensagens, o ex-diretor de Supervisão Bancária Belline Santana afirmou a Vorcaro: "Parece que o dia não está acabando tão pessimista". Daniel Vorcaro então respondeu: "Ainda estamos vivos, então há esperança. Vamos vencer essa guerra". Santana então disse ao banqueiro: "Sempre!! Com certeza".
A apuração identificou também a existência de planilhas de contabilidade paralela geridas por intermediários do Master e enviadas a Vorcaro.
Em um dos documentos, datado de 2 de janeiro de 2025, há o registro para pagamento de R$ 750 mil a Belline Santana. Há ainda outros pagamentos mensais de R$ 500 mil em troca de informações privilegiadas sobre auditorias e fiscalizações da autoridade financeira.
A PF também mapeou transações patrimoniais em troca da atuação direta de Paulo Sérgio Neves de Souza para contornar exigências feitas ao BC pelo Master. Há o registro de venda de uma propriedade rural do servidor por R$ 3 milhões para um parente de Vorcaro.
Em depoimentos prestados por auditores do próprio Banco Central, foram relatados encontros em que Paulo Sério pedia prioridade ou alteração no tratamento de demandas de interesse do grupo financeiro.
Entre as intervenções documentadas está a atuação dos servidores perante à Mastercard. Os dois funcionários públicos acionaram colegas para solicitar a intervenção da autoridade monetária contra a ameaça de descredenciamento do banco digital Will Bank, instituição integrante do grupo de Vorcaro.
Depoimentos de dirigentes do BC confirmam que a demanda partiu diretamente do empresário e foi encampada pelos dois servidores. O acervo de provas da PF reúne ainda registros de acessos dos dois servidores aos sistemas internos para a retirada de relatórios confidenciais que eram repassados ao grupo privado.
As defesas de Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana afirmaram ao longo da investigação que as reuniões e contatos mantidos com Vorcaro eram estritamente profissionais e negaram o recebimento de vantagens indevidas.
Daniel Vorcaro afirmou em interrogatório que não realizou pagamentos a servidores e que as conversas tratavam de temas institucionais da entidade.
O Brasilianista permanece aberto para receber manifestações, posicionamentos ou esclarecimentos de todas os citados nesta reportagem. Caso queiram se pronunciar sobre o tema, os canais da redação estão à disposição.

