Antes de chegar à análise do mérito sobre a conduta do ministro do STF Alexandre de Moraes, a Corte, conduzida pelo presidente Edson Fachin, concentrou os debates nos ritos processuais do Supremo Tribunal Federal.
A sessão pela manhã foi marcada por incertezas. As oito horas de deliberação foram repletas de acusações severas e trocas de farpas entre os ministros, expondo o desgaste do Supremo às vésperas do período eleitoral.
Suspeições, impedimentos e divergências sobre a relatoria assumida por Edson Fachin dominaram a primeira parte da sessão.
Os embates do período matutino ocorreram principalmente entre Alexandre de Moraes e André Mendonça, quando ambos discutiram as apurações e a atuação da Polícia Federal sob o comando do diretor-geral, Andrei Rodrigues.
O tom da discussão subiu quando os ministros passaram a debater supostas ligações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Moraes X Mendonça
Moraes afirmou que Mendonça agia com parcialidade na condução do caso. O ministro defendia que a sua conduta fosse analisada conjuntamente com a do colega na sessão prevista para a semana seguinte, o que não ocorreu.
"Quem chamou a PF e exigiu que a PF colocasse um colega na colaboração premiada? E vamos trazer aqui, presidente [Fachin], e chamar testemunhas que eu vou indicar. Não só policiais, mas advogados. Testemunhas. Eu tenho testemunhas de que o ministro André, em reunião, disse: peçam isso", declarou Moraes. Mendonça rebateu afirmando que a acusação era mentira.
A provocação entre ambos avançou quando Moraes questionou Mendonça se ele tinha "medo da Polícia Federal" e o associou aos desdobramentos dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro.
Até dez minutos antes das 13h, Mendonça superou Moraes em volume de citações diretas, atingindo 7.862 menções nas redes.
Repercussão digital e dados do instituto
O julgamento no Supremo repercutiu intensamente nas redes sociais. De acordo com levantamento do Instituto Democracia em Xeque, a sessão foi mencionada em quase 70 mil publicações por 26,6 mil usuários distintos.
O volume total de interações alcançou 588 mil entre 8h e 13h59, período correspondente à primeira etapa do julgamento. Os ministros monitorados — Alexandre de Moraes, André Mendonça, Gilmar Mendes, Edson Fachin e Kassio Nunes Marques — somaram 517 mil menções e cerca de 3,3 milhões de interações até as 13h.
Alexandre de Moraes liderou o volume de citações em 56 dos 60 intervalos de cinco minutos analisados.
Os desdobramentos sobre impedimentos e suspeições também ganharam tração digital após o ministro Kassio Nunes Marques, que também preside o Tribunal Superior Eleitoral, declarar-se impedido. Na sequência, o ministro Dias Toffoli declarou-se suspeito para votar no processo.
Enquanto a sessão prosseguia, a imprensa veiculou novas revelações envolvendo o filho do ministro Nunes Marques e o próprio magistrado em supostas contratações de viagens, serviços de acompanhantes no valor de R$ 10 mil e repasses à empresa Consult, para a qual o advogado Kevin de Carvalho Marques prestou serviços.
Nas redes, as revelações foram interpretadas pela oposição de direita como uma forma de pressão sobre os votos, visto que o ministro não se manifestou sobre o mérito.
Já setores da esquerda enfatizaram que o caso Master atinge não apenas lideranças políticas, mas também integrantes da alta corte.
Engajamento em torno de Dino
O ministro Flávio Dino, que pediu vista durante a sessão no período da tarde, dividiu as manifestações no ecossistema digital.
A publicação de maior visibilidade partiu da base governista, alcançando 9,9 mil interações em apoio à postura do ministro.
No campo da direita, a contestação de Dino à condução de Edson Fachin, assim como a avaliação de Gilmar Mendes sobre a redistribuição do processo após a retirada da relatoria de André Mendonça, foi apontada como uma estratégia para adiar o julgamento para 23 de setembro.
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