O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), iniciou nesta quarta-feira (14) as costuras políticas para viabilizar a continuidade de sua gestão no comando da Casa.
O Partido Liberal (PL), que conquistou a maior bancada nesta nova legislatura, almeja assumir a presidência do Congresso Nacional.
A indicação mais previsível da oposição é a do senador Rogério Marinho (PL-RN), que, como O Brasilianista noticiou, é o nome prioritário para tentar liderar o Senado Federal.
Uma análise feita reservadamente por um líder partidário aponta que dificilmente um presidente em exercício deixaria de buscar a recondução. Além disso, mesmo que o PL não formalize de imediato um candidato ou o desejo de disputar a Mesa, a brecha para lançar um nome próprio permanece aberta, o que poderia pulverizar os votos.
Início da corrida
Outros nomes passaram a ser ventilados na semana passada, a exemplo do deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), que passou a ser sondado para uma eventual disputa de espaço no Senado.
Para se antecipar às movimentações, Motta reuniu-se em um almoço de lideranças e obteve o aval formal de um bloco composto por União Brasil, Progressistas, Republicanos, MDB, PSDB, Cidadania e Podemos.
A articulação funciona como medida preventiva após os resultados das urnas garantirem ao Partido Liberal 121 cadeiras na Câmara e 23 no Senado. Juntos, os partidos e federações que apoiam Motta somam cerca de 202 deputados, base expressiva de votos para garantir sua permanência na presidência.
Líderes
A declaração de apoio foi subscrita por líderes e presidentes partidários, incluindo Antonio Rueda (União), Pedro Lucas Fernandes (União), Ciro Nogueira (PP), Doutor Luizinho (PP), Gilberto Kassab (PSD), Antônio Brito (PSD), Marcos Pereira (Republicanos), Augusto Coutinho (Republicanos), Baleia Rossi (MDB), Isnaldo Bulhões (MDB), Aécio Neves (PSDB/Cidadania), Adolfo Viana (PSDB/Cidadania), Renata Abreu (Podemos), Rodrigo Gambale (Podemos) e Paulinho da Força (Solidariedade/PRD).
Em nota oficial, o bloco partidário reafirmou o apoio a Motta para "dar continuidade ao trabalho" desenvolvido na Casa, destacando a capacidade do parlamentar de conduzir o "diálogo em busca de convergência e unidade".
O Centrão realiza assim um de seus movimentos mais rápidos para se alinhar às forças emergentes sem perder o controle dos espaços de poder.
Sob essa perspectiva, alguns líderes do bloco já negociam o apoio do PL à reeleição de Motta em troca de eventuais composições futuras, como o apoio a Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ou o loteamento de pastas ministeriais.
Arthur Lira
Antes de assumir o comando da Casa, Motta era visto como um articulador com trânsito livre, avalizado por Arthur Lira (PP-AL) e com interlocução tanto na esquerda quanto na direita para conduzir os trabalhos no biênio.
Seu mandato, contudo, enfrentou questionamentos da oposição durante a tramitação do projeto de anistia aos condenados de 8 de janeiro, episódio que gerou um dos momentos de maior desgaste para sua gestão.
O governo, por sua vez, criticou a demora em pautar a PEC 6x1, chegando a classificar a postura como resistente às pautas populares. Nos bastidores, O Brasilianista apura qual será o posicionamento oficial do Partido dos Trabalhadores (PT) em relação à recondução do presidente, buscando diálogo com parlamentares para mapear os próximos passos.
Precedente

No Congresso, debate-se a viabilidade e a força do Partido Liberal para tentar eleger os presidentes das duas Casas simultaneamente. Fontes de bastidor indicam que o cenário não é inédito.
Esse precedente ocorreu em 2019, quando o antigo Democratas (DEM) conquistou o comando simultâneo da Câmara e do Senado.
Na ocasião, o então deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ) foi eleito para a presidência da Câmara, enquanto Davi Alcolumbre (DEM-AP) assumiu o comando do Senado Federal.
Hoje filiado ao União, Alcolumbre enfrenta resistências para consolidar sua permanência no cargo. Seu principal adversário no radar da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), é a aposta do bloco oposicionista para assumir a pauta do Senado e barrar matérias alinhadas ao Palácio do Planalto.
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