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Política

Três pesquisas mostram empate técnico entre Lula e Flávio

Quaest, Meio/Ideia e Palver apontam vantagem numérica do senador

Lula e Flávio
Rejeição elevada, possibilidade de mudança de voto e abstenção entram na disputa pelo segundo turno (Foto: Ricardo Stuckert/PR/Valter Campanato/Agência Brasil)

Três pesquisas eleitorais divulgadas nesta quarta-feira (21) mostram uma disputa equilibrada entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela Presidência da República.

Os institutos Quaest, Meio/Ideia e Palver registraram vantagem numérica do senador, mas todas as diferenças estão dentro das respectivas margens de erro.

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Os levantamentos foram publicados a quatro dias do segundo turno, marcado para domingo (25).

Os resultados variam de 45% a 50% para Flávio e de 44% a 48% para Lula, considerando os votos totais.

Além das intenções de voto, os levantamentos apresentam diferenças na rejeição aos candidatos e na disposição dos entrevistados para alterar suas escolhas.

A disputa também ocorre após um primeiro turno marcado por mais de 33 milhões de abstenções e grandes diferenças regionais na distribuição dos votos.

Quaest

A pesquisa Quaest, contratada pela TV Globo, registrou 45% das intenções de voto para Flávio Bolsonaro e 44% para Lula.

 Outros 9% dos entrevistados declararam intenção de votar em branco, anular ou não comparecer, enquanto 2% não souberam responder.

O instituto ouviu 2.154 eleitores entre 17 e 20 de outubro, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-08535/2026.

Na modalidade espontânea, quando os pesquisadores não apresentam os nomes dos candidatos, os dois presidenciáveis aparecem com 40% das intenções de voto.

Nesse cenário, 14% permanecem indecisos e 6% declaram voto branco, nulo ou intenção de não participar da votação.

Em relação à rodada de 14 de outubro, Flávio oscilou de 46% para 45%, enquanto Lula manteve os 44%. 

Meio/Ideia

O Meio/Ideia apresentou Flávio com 48% das intenções de voto, contra 46% de Lula. Os votos brancos e nulos representam 3,4%, enquanto 2,6% dos participantes não souberam responder.

Considerando apenas os votos válidos, que excluem brancos, nulos e indecisos, o senador alcança 51,1%, enquanto o presidente registra 48,9%.

Foram entrevistadas 1.500 pessoas por telefone, entre 15 e 19 de outubro. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O registro no TSE é BR-08251/2026.

A pesquisa também identificou índices elevados de rejeição. Entre os entrevistados, 47,7% declararam que não votariam em Lula de maneira alguma, enquanto 46,5% rejeitaram Flávio. A diferença de 1,2 ponto percentual está dentro da margem de erro.

Quando questionados sobre a possibilidade de escolher cada candidato, 46,6% admitiram votar no presidente, enquanto 48,2% disseram que poderiam apoiar o senador.

Os demais participantes rejeitaram os nomes apresentados ou não souberam responder.

A rejeição também aparece entre as motivações declaradas pelos eleitores. Entre aqueles que pretendem votar em Flávio, 31,2% disseram que sua escolha ocorre principalmente por oposição a Lula.

No eleitorado petista, 23,6% afirmaram apoiar o presidente por rejeitar o adversário.

Palver

A Palver registrou 50% das intenções de voto para Flávio Bolsonaro e 48% para Lula. Os votos brancos e nulos somam 1%, segundo os percentuais divulgados pelo instituto.

O levantamento ouviu 5 mil eleitores entre 18 e 20 de outubro, com margem de erro de 2,4 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no TSE sob o número BR-04612/2026.

A coleta começou no domingo (18), data do primeiro debate presidencial do segundo turno, realizado pela Band.

A coincidência entre os períodos, entretanto, não permite atribuir o resultado diretamente ao desempenho dos candidatos no confronto.

Na pesquisa anterior, divulgada em 13 de outubro, o senador também aparecia com 50%, enquanto Lula registrava 49%. A oscilação de um ponto percentual do presidente está dentro da margem de erro.

O instituto também investigou o grau de certeza da escolha eleitoral. Segundo os resultados, 79% dos entrevistados disseram que nada os faria mudar de opinião.

Entre os demais participantes, foram mencionadas situações como mudanças econômicas e novos escândalos políticos.

Evolução eleitoral

A comparação dos levantamentos indica oscilações pequenas na preferência declarada pelos candidatos, mas não estabelece uma tendência uniforme entre os institutos.

Na Quaest, a distância numérica diminuiu na última semana. Na Palver, aumentou discretamente.

Já o Meio/Ideia divulgou sua primeira pesquisa posterior ao primeiro turno, permitindo uma comparação com o cenário hipotético apresentado antes de 4 de outubro.

Na rodada anterior do Meio/Ideia, Lula aparecia com 48,5% em uma simulação de confronto direto, enquanto Flávio registrava 48%.

A mudança na posição numérica dos candidatos ocorreu dentro das margens de erro, sem comprovação estatística de uma inversão na preferência do eleitorado.

As diferenças metodológicas também influenciam a interpretação. A Quaest realiza entrevistas presenciais, enquanto o Meio/Ideia utiliza coleta telefônica. 

Outra diferença está na forma de apresentar os resultados. Os percentuais de votos totais incluem eleitores que pretendem votar em branco, anular ou ainda não decidiram.

Já os votos válidos consideram somente as preferências declaradas por candidatos.

Voto indefinido

Mesmo com a proximidade do segundo turno, parte dos eleitores admite rever sua escolha.

No Meio/Ideia, 83,7% afirmaram que seu voto é definitivo, enquanto 16,3% reconheceram a possibilidade de mudar de candidato até domingo.

O grupo equivale a aproximadamente um em cada seis participantes do levantamento e não deve ser confundido com os indecisos.

Uma pessoa pode declarar preferência por um candidato e, ao mesmo tempo, admitir que acontecimentos posteriores poderiam alterar sua decisão.

A mobilização eleitoral representa outra variável. No primeiro turno, 33.469.244 brasileiros deixaram de comparecer às urnas, o equivalente a 21,08% do eleitorado apto, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral.

O número de ausentes corresponde a aproximadamente 15 vezes a diferença de 2,2 milhões de votos registrada entre os dois candidatos em 4 de outubro. Entretanto, não existem elementos suficientes para determinar como essas pessoas votariam caso comparecessem ao segundo turno.

Uma pesquisa Datafolha divulgada em 16 de outubro identificou que 96% dos entrevistados pretendiam participar da nova votação. Entre os eleitores que já haviam escolhido Lula ou Flávio, a intenção de comparecimento alcançou 98%.

Mapa dos votos

A distribuição regional do primeiro turno apresenta diferenças expressivas entre os candidatos.

No Sudeste, Flávio Bolsonaro conquistou aproximadamente 5,7 milhões de votos a mais que Lula. No Nordeste, o presidente abriu uma vantagem de cerca de 11,1 milhões.

São Paulo concentra uma das principais diferenças absolutas. O senador recebeu aproximadamente 12,9 milhões de votos no estado, contra 9,5 milhões do petista.

A vantagem de 3,4 milhões superou a distância registrada entre os candidatos no resultado nacional.

Na Bahia, Lula conquistou cerca de 5,7 milhões de votos, enquanto Flávio recebeu 2,4 milhões.

A diferença de aproximadamente 3,3 milhões compensou grande parte da vantagem registrada pelo adversário no maior colégio eleitoral brasileiro.

Minas Gerais apresentou uma disputa mais próxima. Flávio terminou o primeiro turno com 48,24% dos votos válidos, enquanto Lula alcançou 43,33%.

A distância de 4,91 pontos percentuais foi a menor registrada pelo senador entre os estados do Sudeste.

A abstenção também apresentou diferenças regionais. Em São Paulo, 22,6% dos eleitores não compareceram à primeira votação. O índice chegou a 22,8% em Minas Gerais e a 23,3% no Rio de Janeiro.

No Nordeste, o comparecimento foi maior em estados como Ceará, onde a abstenção ficou em aproximadamente 15,5%. Piauí, Paraíba e Sergipe registraram percentuais inferiores a 17,5%.

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