Publicidade
Geopolítica

A doação de Donald Trump contra o STF acende alerta na AGU

US$ 1 milhão foi destinado pela administração norte-americana ao Brasil para financiar atividades de grupos que são contra o Supremo Tribunal Federal

A doação de Donald Trump contra o STF acende alerta na AGU
Revelação do The Guardian explica que dinheiro do fundo foi liberado pelo secretário de Estado Marco Rubio Redes sociais/@realdonaldtrump | Antonio Augusto/STF

O jornal The Guardian revelou, nesta quinta-feira (30), que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desviou US$ 1 milhão (R$ 5,2 milhões) do Fundo de Direitos Humanos e Democracia (HRDF) para o “Combate à Litigância Deliberativa e à Censura no Brasil”.

O propósito desse recurso seria financiar um grupo da sociedade civil que se opõe à Corte por considerar haver abuso de poder judicial e censura.

Publicidade

O jornal britânico identificou que o Departamento de Estado liberou esses recursos antes do prazo final estabelecido pela legislação ligada ao ano fiscal, o qual precisaria passar pelo Congresso dos Estados Unidos, embora uma fonte interna tenha demonstrado preocupação com a movimentação do governo americano.

Foram aproximadamente 43 concessões com base nos recursos do fundo, totalizando R$ 925,18 milhões para fortalecer políticas de direita e o conservadorismo no mundo inteiro.

Trump ainda tentava aprovar US$ 175 milhões para financiar projetos de um “fundo anticomunista”, ativismo de pessoas brancas na África do Sul e outros programas que incluem a proteção de normas da civilização ocidental.

Fontes citaram ao The Guardian que algumas verbas não foram apenas decisões burocráticas, mas contaram com o apoio direto de pessoas ligadas ao governo nas escolhas, incluindo o vice-presidente JD Vance.

África do Sul e Europa

Vance ainda teria direcionado alertas sobre o colapso dos valores ocidentais tradicionais na Europa. Outra frente, liderada pelo deputado Stephen Miller, atuou contra a agenda de imigração e em apoio aos brancos na África do Sul.

Tradicionalmente, os Estados Unidos tinham o costume de destinar apoio a grupos divergentes em países sob regimes autoritários, a defensores de direitos humanos e a organizações da sociedade civil a fim de garantir a estabilidade em democracias e direitos básicos.

A senadora democrata Jeanne Shaheen, segundo um assessor parlamentar, teria tentado impedir os repasses por meio de bloqueios a projetos que custam cerca de US$ 22 milhões aos cofres americanos.

Os projetos eram iniciativas para África do Sul, Brasil e Nigéria, além de Reino Unido e Europa. O secretário Marco Rubio, então, assinou pessoalmente um documento para desconsiderar o bloqueio da senadora e liberar os recursos do fundo.

Cerca de US$ 40 milhões (R$ 208,7 milhões) foram direcionados para a Victims of Communism Memorial Foundation (VOC), entidade mencionada anteriormente, com foco em ações anticomunistas. Anteriormente, a VOC tinha recebido apenas US$ 96.997 (R$ 506 mil) em 2022.

Suspeita e as eleições brasileiras

A suspeita de intervenção norte-americana nas eleições brasileiras tem ganhado notoriedade nas últimas semanas antes do primeiro turno.

Ocorreram situações políticas que demonstram possíveis interferências no sistema político brasileiro.

No ano passado, O Brasilianista noticiou que a gestão norte-americana decidiu aplicar a sanção da Lei Magnitsky contra o ministro do Supremo Alexandre de Moraes depois que o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro se reuniu com integrantes do governo norte-americano.

Em setembro, após a crise no Supremo, o influenciador Paulo Figueiredo e o ex-deputado voltaram a se reunir com o governo dos EUA a fim de tratar sobre novas sanções. As consequências da primeira sanção foram o bloqueio de bens, a proibição de transações financeiras com instituições bancárias norte-americanas e a perda de vistos.

Marco Rubio x Flávio

Marco Rubio e Flávio Bolsonaro se encontraram em Washington para discutir possíveis sanções sobre as exportações brasileiras Lula Marques/Agência Brasil | Câmara dos Deputados e U.S. Department of State

As medidas não pararam por aí, já que o próprio senador Flávio Bolsonaro se encontrou com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em maio de 2026, em Washington, para discutir o tarifaço contra produtos brasileiros.

Rubio recusou os pedidos apresentados por Flávio, rebatendo, entre os motivos, o PIX, que estaria sendo utilizado como vantagem injusta no mercado financeiro, colocando as instituições norte-americanas em desvantagem.

A ideia do secretário era seguir os argumentos formais do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), que afirmou que o Brasil estaria criando barreiras ao mercado do etanol, além de apresentar falhas na proteção de propriedade intelectual e problemas nas leis anticorrupção brasileiras.

A intervenção

A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) já havia feito um levantamento, enviado ao Palácio do Planalto, sobre as suspeitas de uma interferência direta nas eleições, além de tentativas de criar disputas para obter o domínio de ativos estratégicos brasileiros, como terras raras e minerais críticos.

A campanha petista acionou o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, e o Tribunal Superior Eleitoral nesta semana sob um novo argumento: Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro estariam supostamente recebendo financiamento e apoio de divulgação da Rockbridge Network, grupo conservador que divulga o projeto “Make America Great Again” ao redor do mundo por meio da capacitação de novas lideranças.

JD Vance é cofundador do grupo, que estaria planejando expandir suas ações políticas e sociais no Brasil.

A Advocacia-Geral da União (AGU) acionou ainda nesta quinta-feira a Polícia Federal e Paulo Gonet, procurador-geral da República, para apurar o investimento norte-americano no financiamento de grupos que operam a partir do território nacional, com base na matéria do jornal britânico.

Siga O Brasilianista!