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Geopolítica

Trump rejeita plano de paz, mas EUA e Irã voltam a negociar

Governo americano avalia aliviar uma das sanções impostas ao Irã para permitir voos de peregrinos ao Iraque

Trump
Qatar prepara conversas separadas com Washington e Teerã Foto: divulgação

Estados Unidos e Irã devem voltar a conversar por intermédio do Qatar nesta segunda (28) ou terça-feira (29), poucos dias depois de Donald Trump anunciar que havia rejeitado uma proposta iraniana para encerrar as hostilidades e reabrir o Estreito de Ormuz.

Os contatos serão separados, mediadores catarianos devem se reunir com o chanceler iraniano Abbas Araqchi, em Nova York, e posteriormente com representantes americanos.

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A retomada das conversas ocorre enquanto Washington mantém uma campanha de forte pressão econômica sobre Teerã, mas começa a fazer concessões pontuais.

Também nesta segunda-feira, a administração Trump se preparava para autorizar temporariamente voos da Iraqi Airways entre o Irã e Najaf, no Iraque, por meio de uma exceção às sanções americanas.

O movimento não representa uma suspensão do bloqueio contra o Irã, mas mostra que a Casa Branca admite flexibilizações específicas diante das consequências regionais das medidas.

Plano iraniano

As novas conversas deverão girar em torno de uma versão modificada do plano de sete dias apresentado pelo Irã durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York.

A proposta prevê o encerramento das hostilidades no Irã e no Líbano, o desbloqueio de bilhões de dólares em ativos iranianos, a suspensão de sanções sobre o petróleo e o fim do bloqueio americano aos portos do país.

Em contrapartida, Teerã se comprometeria a iniciar a reabertura do Estreito de Ormuz e retomar negociações sobre seu programa nuclear.

A passagem é uma das rotas marítimas mais importantes para o mercado mundial de petróleo e sofreu fortes restrições durante os sete meses de conflito entre o Irã, os Estados Unidos e Israel.

O governo iraniano havia afirmado que poderia reabrir Ormuz em até uma semana caso Washington reduzisse a pressão militar e econômica.

A proposta foi entregue aos americanos por intermédio de mediadores do Qatar durante a passagem de autoridades iranianas pela Assembleia Geral da ONU.

Trump, porém, anunciou no sábado (26) que rejeitou o formato apresentado. Segundo o presidente americano, Teerã buscava um acordo rápido devido à pressão econômica provocada pelas sanções e pelo bloqueio.

“Eles querem fazer um acordo para abrir o Estreito de Ormuz imediatamente”, afirmou Trump ao comentar a proposta.

Trump não chegou aos mediadores

Apesar da declaração pública do presidente americano, Teerã afirma que ainda não recebeu formalmente dos mediadores uma rejeição definitiva de Washington.

Araqchi disse no domingo (27) que o governo iraniano aguardava uma resposta oficial antes de decidir quais seriam os próximos passos.

“Somente uma solução negociada pode tirá-los desse impasse”, afirmou o chanceler iraniano ao insistir na continuidade da via diplomática.

Segundo Araqchi, qualquer movimento para reabrir o Estreito de Ormuz continuará condicionado ao atendimento das exigências apresentadas pelo Irã.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, também afirmou que Teerã aceita discutir seu programa nuclear e outros temas com Washington, mas rejeita negociações realizadas sob pressão militar.

O governo iraniano sustenta que não pretende desenvolver armas nucleares, enquanto a administração Trump coloca garantias contra um eventual armamento atômico iraniano entre suas principais condições para um acordo.

Mesmo depois de rejeitar a proposta original, Trump não fechou a porta para novas conversas.

Em entrevista ao Axios no domingo, disse esperar que negociadores americanos participassem de novos contatos durante esta semana. 

EUA fazem primeira flexibilização

Enquanto as negociações diplomáticas avançam por canais indiretos, Washington também prepara uma exceção limitada às sanções.

Segundo uma fonte diretamente envolvida nas discussões ouvida pela Reuters, o Departamento do Tesouro deve permitir que a Iraqi Airways mantenha voos entre o Irã e a cidade iraquiana de Najaf durante um mês. Uma autorização mais permanente poderá ser analisada posteriormente.

O Iraque havia suspendido os voos de e para o Irã na sexta-feira (25) para cumprir as sanções americanas.

O governo iraquiano começou então a pressionar Washington por uma exceção que permitisse viagens relacionadas a tratamentos médicos, educação e peregrinações religiosas.

Najaf possui importância particular para os muçulmanos xiitas. A cidade abriga o santuário do imã Ali e recebe milhões de peregrinos.

A interrupção dos voos colocou o governo iraquiano em uma posição delicada entre os Estados Unidos, com quem busca aprofundar relações, e o vizinho Irã, que mantém ampla influência política e religiosa dentro do país.

A preocupação americana é que a suspensão completa das viagens provoque reação dentro do próprio Iraque e prejudique os esforços de Washington para reduzir a influência iraniana.

Bagdá ofereceu medidas adicionais de segurança, incluindo fiscalização de passageiros, troca de informações e garantias para impedir o transporte de armas, pessoas sancionadas ou dinheiro de origem ilícita.

Pressão americana

A ofensiva econômica de Washington produziu efeitos além do Iraque. Nos últimos dias, Turquia, Emirados Árabes Unidos e o próprio governo iraquiano cancelaram ligações aéreas diretas com o Irã em resposta à pressão americana.

Autoridades iranianas reagiram dizendo que poderiam atingir o funcionamento do transporte aéreo regional caso o isolamento continuasse avançando.

A pressão faz parte da estratégia americana para restringir a capacidade econômica do Irã após meses de guerra.

Washington mantém bloqueios sobre portos iranianos e tenta limitar receitas petrolíferas, enquanto Teerã utiliza a situação no Estreito de Ormuz como uma das principais moedas de negociação.

A guerra começou em 28 de fevereiro de 2026, com ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.

Desde então, o confronto alternou períodos de redução das hostilidades com novas ofensivas e se espalhou para outras partes do Oriente Médio.

Os Houthis, aliados de Teerã no Iêmen, passaram a atacar interesses sauditas, enquanto restrições em Ormuz afetaram rotas de petróleo e pressionaram a economia global.

Qatar tenta negociação

É nesse cenário que o Qatar volta a assumir o papel de intermediário. Araqchi permaneceu em Nova York após participar da Assembleia Geral da ONU e, segundo a agência iraniana ISNA, discutiria com mediadores as propostas mais recentes para tentar aproximar as posições.

Ainda não estava claro nesta segunda-feira quem representaria os Estados Unidos nos contatos separados.

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